1ºCapitulo - O Susto

Bem, espero que gostem, obrigada pelos comentarios....

 

Acordei com o som do meu telemóvel… era a Cat. Senti o sol a bater-me na cara, e as minhas pernas continuavam cansadas de ontem á noite. Tentei encontrar o telemóvel no meio da cama, seguindo o som… encontrei-o e atendi.

- Estou – a minha voz saiu mais rouca e seca do que o normal. A minha cabeça bate a mil e cem. Tenho que tomar um comprimido.

- Então ressacada… Já acordou? Hoje é Sábado, mas é um dia na mesma… – ela esganiçava e afastei o telemóvel do ouvido para não a ouvir. Como é que ela conseguia? E ela bebeu muito mais do que eu… e ainda deve ter tido uma noite muito animada, com um tal de Josh… acho eu. Sei lá, são tantos…

- Fala baixo Cat – sussurrei. Sentei-me na cama e olhei-me ao espelho, assustei-me. Tinha de deixar de sair á noite assim… o Din bem avisou, mas mais uma vez não dei ouvidos.

- Então? Ainda a dormir?

- Sim, porque á algum problema?

- Não nenhum amiga… Precisas de alguma coisa? – Perguntou preocupada

- Não, de nada. O Din está cá?

- Nã… foi ter aulas de apoio…

- Ok. Onde estás?

- Na loja, o Sr. Neves precisou de uma ajuda…

- Precisas de ajuda? – Perguntei

- Não… cura lá essa ressaca, vem para aqui quando quiseres… – ainda bem. Não me estava a apetecer levantar-me…

- Obrigada, estarei ai as 3 da tarde mais ou menos… beijinhos – Desliguei.

 

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Levantei-me, finalmente, tomei banho e vesti-me. Bebi um sumo e comi uma maça…estava enjoada, não podia comer muito. Tomei um comprimido, ainda estava com dor de cabeça, e era bem forte.

Olhei para o relógio da cozinha, já eram 3h30m… Tenho que me despachar…

Tranquei a porta com uma girada de chave só e desateis a correr pelo prédio. Se eu fosse escolher a situação que mais me acontece na vida, escolheria esta. Sem tempo desci as escadas com um speed, não gostava de ir pelo elevador, demorava muito porque estava sempre ocupado. E normalmente dava muitos problemas…e não tinha tempo para isso.

Ia a descer as escadas quando me esbarro contra um rapaz lindíssimo. Alto, com 1m90 á vontade, e meio curvado por estar carregando, visivelmente, com uma caixa de mudanças. Segurei-me no corrimão para evitar a queda, foi um choque bem forte, apesar de não saber se estava tonta pelo encontrão ou por ter aquela visão. Os cabelos pretos de tamanho médio cobriam timidamente a face pálida, mas não eram negros o suficiente para retirar o brilho e o encantamento dos olhos verdes. Ele cambaleou um pouco com o encontro. A caixa que carregava, ao certo, tapara a sua visão da maluca que corria pelas escadas, que neste caso, era eu.

- Desculpa – perguntou ele com preocupação na voz. E que voz, poisou a caixa no degrau – Magoaste-te?

- Estou bem, um bocado tonta, mas já passa… - UAU ele era mesmo lindo, tinha os ombros largos e uns braços musculados. Trazia vestida uma camisa azul e umas calças de ganga… Queria meter conversa, mas ele nunca vai olhar para mim doutra maneira, a não ser de uma vizinha que vai contra as pessoas quando desce as escadas. Ele devia ser o tipo de rapaz que bastava sorrir duas vezes para a Beyonce, e ela caia-lhe aos pés, e eu era tão normal, que ate enjoava - Em mudanças?

- Sim, mudei-me para cá. Como é que te chamas?

- Rebecca, ou melhor, Ree para os amigos… – e lembrei-me que provavelmente ainda não tínhamos tido tempo para estabelecer uma amizade - … e vizinhos.

Tentei sorrir, mas provavelmente, estava com uma cara de estúpida do pior.

- Olá …Ree, eu sou o Ian…- e sorriu-me, UAU que dentes perfeitos…

- Desculpa, mas estou com pressa, tenho que ir trabalhar… - que mau, EU estava a estragar o momento, mas tinha mesmo que ir…

- Claro, não há problema. Vemo-nos por ai… e podemos ir tomar um café ou assim…

- Claro que sim – já ia a descer as escadas – Xau, prazer em conhecer-te…

Sai do prédio, mandei parar um táxi, e entrei…

Espera ai… ele disse ‘e podemos ir tomar um café ou assim…’, de certeza que imaginei…

 

 

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Que dia dos diabos…Hoje não podia mesmo sair. Primeiro porque a noite de ontem ainda a estava a sofrer, segundo porque as minhas pernas estavam estafadas de andar a arrumar a loja…

A Cat tinha aulas hoje á noite de dança, e o Din tinha aulas… estava sozinha mais uma noite…

Subi até ao 5ºandar, onde era o meu apartamento…mas ouvi barulhos de móveis a arrastar no corredor de cima… Será que é o Ian?

Olhei para o relógio, eram 7h da tarde. Sem pensar, subi mais um andar… encontrei no corredor uma porta de um apartamento aberta… era mesmo por cima do meu…

Espreitei com receio. Viu. A sala era ampla, e já estava arrumada, molduras nas mesas, livros nas prateleiras… ao lado direito vi o corredor que dava para três quartos. No lado esquerdo era a cozinha e a despensa, e em frente era a varanda (que também era por cima da minha).

- Olá Ree… - era ele a chamar-me estava na sala de pé a falar com uma rapariga não muito mais nova (com uns 20 anos) e com um rapaz que devia ter a mesma idade que ele. O Ian devia ter uns 22 anos. Acordei.

- Olá Ian, tudo bem? – Agora que penso bem, a rapariga era mais baixa do que eu, tinha o cabelo negro e olhos verdes, era mesmo bonita, ou como os rapazes dizem ‘ Era mesmo boa. ‘. O rapaz era musculado, e tinha o cabelo curto e os olhos castanhos meios dourados. De certeza que a rapariga era a namorada dele… ela era mesmo gira, e estavam bem um para o outro. Sorriu-me.

- Sim e contigo? – não me deu tempo para responder – Este é o Kyle, um amigo. E esta é a Miriane, a minha irmã… -  afinal era só irmã.

- Já com amigas?! – sussurrou o Kyle, mas eu ouvi.

A Miriane riu-se baixinho.

- Kyle e Miriane está é a Rebecca. Uma vizinha. Entra, queres tomar alguma coisa? – Perguntou o Ian.

- Não, não. Vou para casa, passei por aqui porque vi luz e…

- Anda entra, a sério, quero conhecer amigas novas – Miriane disse-me sorrindo de orelha a orelha.

 

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- Então vives com o teu irmão e uma amiga? – Miriane perguntou.

- Sim… o Din e a Cat…

- Que engraçado – riu-se, o Ian e o Kyle estavam a ver futebol, enquanto nos falávamos, era muito simpática e já a considerava uma amiga – Eu moro com o Ian, o Kyle é só um amigo, que veio ajudar nas mudanças.

- Só amigo?!

- Sim, sim, eu e o Kyle , nunca. Não tenho humor para isso. – E era verdade,nem ela nem o Ian se riam muito, por vezes pareciam sinistros e trocavam muitos olhares

 

 

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Cheguei a casa e eram já 10h da noite, tinha jantado lá. Entrei e fechei a porta, sentei me no sofá da sala, liguei a televisão e o PC… acabei por desligar a televisão, não estava a dar nada de jeito.

Estava a acabar um artigo para a universidade quando… PFFFF , a luz pifou, e com ela o PC…

- Fogo pá! – Que cena, logo agora, estava mesmo a acabar…

Escutei passos fortes no andar de cima, só podiam ser do Ian , o Kyle tinha ido embora ao mesmo tempo que eu e a Mir não vazia tanto barulho…

Deixei-me estar feita estúpida no sofá á espera da luz… Decidi agir. Andei pela casa a procurar uma vela ou uma lanterna já que a luz da Lua que entrava pela varanda era insuficiente para me fazer ver os meus pés. Sendo desastrada como sou, fui bem capaz de tropeçar umas dez vezes no apartamento no qual morava há anos. Fui surpreendida pelo ataque.
- Rebecca, ouve bem. - Disse ele seriamente enquanto tapava a minha boca com uma das mãos e com a outra, segurava-me os braços – Eu vou te soltar… mas promete que não foges e não gritas. Ok? – Não tinha uma voz perigosa, mas tendo em conta o susto decidi concordar. Acenei com a cabeça. Largou-me calmamente.

Respirei fundo tentando reagir ao susto, o meu coração acelerou ainda mais, só de imaginar um homem alto e robusto, na minha casa, e da morte dos meus pais. Inspirei e expirei antes de falar.

- Como é que entraste aqui? – a minha voz saiu muito mais ofegante e assustada do que eu estava á espera.

Ian apontou com o queixo para a varanda, agora lembrava-me que havia uma escada exterior que ligava todos os apartamentos.

- O que é que se passa?

- É isso que eu vou ver, alguém cortou os cabos da luz.

Ah, era isso. O Ian era lindo, forte, educado e misterioso na medida certa, mas era visivelmente um lunático. Perguntei a mim mesma se eu tinha algum problema por me sentir sempre atraída pelas pessoas erradas.

- Promete-me que não sais daqui… – sussurrou, talvez estivesse a ser um bocado problemático demais, não?!

- Porque?

- Pode ser perigoso… Não sei , mas não saias daqui por favor… faz isso por mim.

- Ok, como queiras… - Ironizei. Não acreditei naquela história maluca, até ouvir um estalo, um som de … um tiro?! – O que é que foi isto? – Temendo a resposta. A face de desconfiança no rosto dele transformou-se em alerta

- Vai ficar tudo bem, confia em mim… Faças o que fizeres não saias daqui… - Olhou-me … que olhos lindos!!!

Virou-se e saiu pela porta, antes da fechar olhou para mim.

- Vai correr tudo bem… - assenti.

O medo exalava pelos poros da minha pele, não consegui estar ali parada… sai do apartamento.

 

 

obrigada pelo tempo que gastaram a ler isto...

sinto-me: Feliz
música: How much i feel - joao pedro MCA
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publicado por RiiBaptista às 16:34 | link do post | comentar