Capitulo 2 - Crime - Parte 1

Eu sei, eu sei... eu sei que o capitulo é pequeno, mas é só a 1ºparte ...  Espero que gostem mesmo...

 

A 2ºparte sai sabado...

 

enjoy

 

Não pensei duas vezes…não ia ficar ali parada, não sou nenhuma inútil. Não ia obedecer a um rapaz desequilibrado…

Pode parecer idiota deixar o lugar onde te deram expressas ordens para ficar, e ir ao encontro do barulho do tiro que eu tinha ouvido no mesmo andar,  mas eu não estava a pensar com a mínima racionalidade.
Abri a porta com calma e devagar, conseguia sentir a adrenalina a correr no meu sangue quando me deparei com o corredor vazio. Não havia sinal do Ian ou de outro vizinho. Fiquei com medo de gritar por alguém, alguma coisa me dizia que fazer um escândalo não era a melhor opção. Ouvi outro barulho no andar de cima, parecia que alguma coisa havia sido quebrada. O elevador estava ocupado, desatei a subir correndo pelas escadas.
Antes que pudesse colocar o pé no corredor do 6ºandar, fui atingida por uma enorme massa preta que vinha no sentido contrário com uma velocidade dobrada. O desequilíbrio pelo impacto fez-me cair as escadas, e voltei ao 5ºandar. Ouvi um barulho seco do meu tornozelo, a dor intensa cegou meus olhos. Nunca tinha partido nada, mas pelo tamanho daquela dor,  sabia que era isso que tinha acontecido. Acho que também bati a cabeça, estava meia tonta.

A partir desse momento, murmúrios começaram a divagar no corredor poucos metros acima de mim. Aparentemente, os habitantes do 6º andar resolveram colocar a cabeça para fora para verificar a fonte de todo o barulho.
- Tiro! Tenho a certeza de que ouvi um tiro! - Bradou uma voz masculina em meio às demais que pareceram ficar ainda mais alvoroçadas.
- Rebecca! - Ouvi, ao longe, o meu nome enquanto um vulto se aproximava. Aos poucos, a minha cabeça ia absorvendo mais informação.

- Já chamei a polícia. - Informou a voz feminina - Vamos dar espaço á rapariga - Os vizinhos começaram a se afastar e Ian pego-me ao seu colo. Estava, ao mesmo tempo, preocupado e nervoso. Parecia tão fácil para ele pegar-me ao colo, apesar de ser pesada, ele erguia-se direito e a passar rapidamente pelas pessoas.
Encostei o meu rosto ao seu peito musculado, se ele reparou não se importou muito. Apesar da dor do meu tornozelo ser enorme e estar á beira das lágrimas, tentei concentrar-me e conseguia ouvir o coração dele e a respiração ofegante. Quando chegamos á minha porta, ele entrou comigo o colo… parecia conhecer bem a casa. Então ele entrou comigo e pousou-me na minha cama.
Eu fiquei cheia de vergonha quando entramos no meu quarto. A enorme bagunça disfarçava a decoração azul-turquesa. Ele sentou-se ao meu lado na cama… e olhor para mim. Os olhos deles entraram nos meus… foi magico.
- Onde é que te magoaste? – a voz dele estava marcadamente preocupada.

- Hei, espera aqui que eu vou telefonar a um médico…- disse ele com gentileza na voz.

- Nem pensar, não vais telefonar a nenhum médico – bem, o tornozelo doía-me á brava mas não queria nenhum medico. Não precisava nem queria andar de gesso no pé – Vou ficar bem…

- Nem penses que te livras do gesso, minha menina – se á coisa que eu tenho medo, é quando as pessoas parecem que lêem os meus pensamentos.

- Mas eu não quero e não vem aqui ninguém…

- Primeiro vamos ligar ao teu irmão… – e ai percebi. Apontei para o meu telemóvel, que estava em cima da secretaria Ele pegou nele.

- O número dela está no meu telemóvel. Din.
Ele passou a mão na minha testa agradecido por eu ter colaborado tão facilmente, pegou no meu telemóvel na secretaria entulhada de papéis e pedaços da maqueta que fiz para o último trabalho para a faculdade e saiu do quarto.
Só então é que a realidade despertou como um meteoro a cair na minha cabeça. A luz, a invasão, o tiro, o homicida e o tornozelo pareciam elementos irreais demais para serem realmente verdade. Acho que, no fundo, ainda tinha a ligeira esperança de estar a ter um pesadelo. É o tipo de situação que nunca nos acontece, mas depois, ali estamos a ver a vida passar… O Ian entrou com uma velocidade que nem deu para acompanhar com os olhos. Poisou o telemóvel na secretaria…

- Já telefonei ao teu irmão… ele ficou um bocado preocupado, e disse para chamar uma ambulância.

- NÃO – gritei. Detesto hospitais e tudo o que se ligue a eles, metem-me medo - Ambulância, não… - agora já não gritava, suplicava… e tentava transmitir um olhar implorativo…

- Não á volta a dar, já telefonei… - disse ele , e avanço… sentou-se na cama e olho para mim – Tive que me certificar que não ia cair no teu pedido para não a chamar…e adiantei-me. Alias foram ordens do teu irmão.

Agora, naquele momento , não queria saber da ambulância que estava a vir para me salvar. As dores começavam realmente a incomodar. Parecia que tinha 100 quilos em cima do pé. Sentia-o a tremer e a perna começava a doer… A minha dor de cabeça já esta melhor, mas continuava a ver manchas negras.

Fechei os olhos, para pensar e organizar as perguntas que iria colocar a Ian.

- Estas com dores, não estas? – Perguntou-me com uma voz triste. E por momentos parecia que ele é que estava com dores.

- Não… - suspirei continuei de olhos fechados, tinha medo de os abrir e começar a chorar. Não queria parecer fraca… não o podia ser.

- Não precisas de te fazer de forte… Estas cheia de dores…

- Não, não estou! – Dei por mim a gritar, e de olhos bem abertos… tinha de soltar a fúria que a dor me causava…

Ouvi ao longe um alarme de uma ambulância. A ambulância estava a chegar. A minha ambulância tinha chegado.

- Vamos? – perguntou ele , agora com uma voz mais animada.

Acenei com a cabeça. A minha voz não iria sair muito bem se falasse…

Ele pegou em mim ao colo, parecia tão fácil para ele. Encostei a  cabeça novamente ao peito dele. E senti uma lágrima minha a rolar pela minha cara a baixo, parando na camisa dele.

- Espera – lembrei-me da Cat, tinha que a avisar – Dá-me o meu telemóvel.

Ele esticou-se comigo ao colo e pegou no telemóvel. Deu-mo e guardei-o no bolso. Telefono na ambulância ou assim…

Sai-mos e fechou a porta e deu-me as chaves.

Começou a descer as escadas. Reparei que tentava descer de uma forma leve e sem movimentos que fizessem o meu pé doer.

Quando atravessávamos a saída do prédio, esta montes de gente a ver o que se passava… Definitivamente as pessoas gostavam de ‘crimes’ deste género.

Vi duas ambulâncias, um carro do INEM e dois da polícia. O aparato era enorme. Policias a interrogarem pessoas, enfermeiros a acalmarem pessoas mais sensíveis…

Vieram dois enfermeiros ter connosco… Perguntaram-me se estava bem, e levaram-me para dentro de uma ambulância. O Ian não me largou, entrou comigo na ambulância e sentou-se no banco ao lado da maca.

Lembrei-me da Cat, marquei o número dela enquanto uma enfermeira me mexia no pé…

- Estou, querida, olha não estou em casa – disse eu, mal ouvi a sua respiração.

- Então? Onde estas miúda? Na noite?

- Não, e não vou pra noite tão cedo… - Senti o olhar maroto do Ian em cima de mim - …houve uns stresses no prédio e cai, magoei o pé e estou neste momento numa ambulância a caminho do inferno - A minha voz parecia um rádio que lhe estavam a diminuir o volume aos poucos. Estava a ficar sem fôlego, e a minha visão com manchas brancas.

Agora sim a dor era enorme, o meu pé era o menos. Um sabor enjoativo nasceu na minha boca…e a cabeça a ficar cada vez mais tonta… não ouviu a resposta da Cat. Vi o olhar preocupado do Ian e  Apaguei…

 

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Espero que gostem...

beijinhos,

RiiBaptista

sinto-me: cansada
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publicado por RiiBaptista às 19:41 | link do post | comentar