14º Capitulo - Um fogo, um amor

Consegui finalmente acabar o capitulo...

Obrigada pela compreençao!
Espero que gostem :)

 

 

- Senta-te. – Disse o Ian calmamente enquanto me deitava no sofá.


Tinha que fazer muito esforço para não vomitar. Naquele momento, parecia que todo o jantar queria sair disparado pela boca.
O meu pai estava morto há 5 anos. Há 5 longos e duros anos. Isto seria no mínimo uma brincadeira de mau gosto.


Não fazia ele querer do nada deixar-me uma encomenda. E porque é que só a podia receber aos 18 anos? E melhor, porque é que a encomenda não foi para o Din? É mais velho e mais responsável. E porque me deixara uma encomenda para os meus 18 anos? Será que previa a sua própria morte? Quem é que previa a sua própria morte?


Tentei concentrar-me noutra coisa. Mas não consegui. O jantar continuava ás voltas no estômago.


Deitei-me com cautela no sofá da sala e percebi os movimentos rápidos do Sam para buscar um copo d’água ou retirar a minha franja da frente do meu rosto. Pude sentir o seu olhar preocupado a analisar-me, como se fizesse um raio-x para tentar descobrir o que é que eu tinha.
O que é que eu tinha?



- Está tudo bem. – Disse alisando os meus cabelos. Tenho a certeza que ele estava a perceber o meu ponto de vista.


Quando finalmente consegui focar a visão, reparei na Cat a ler atenciosamente a carta.


- O que é que achas que é ? – perguntou-me com um tom serio. A Cat só estava serias nos momentos mesmo importantes.

- Não faço ideia… - constatei em voz baixa…

- E… lamento informar-te, mas só poderás saber daqui a 4 meses… - disse o Ian em voz baixa. É verdade, só fazia anos daqui a 4 meses.

Tinha que estar á espera 4 e longos, tururantes meses. Onde muito podia acontecer…


- Vamos mudar de assunto. Cat arruma isso. – Disse o Ian e ela obedeceu. Arrumou a carta dentro de uma gaveta e sentou-se novamente no chão – Ainda estás tonta? – Disse ele ajoelhando-se ao meu lado e aproximou-se de mim.


- Eu estou bem.

- Não, não estás. – E lançou-me um olhar de preocupação que eu não gostava… Esse olhar diminuía o verde claro dos olhos, tornando-os mais melancólicos e escuros. – Mas vais ficar…

- Era melhor ires para o quarto com ela, Ian – disse a Cat, pondo a mão no ombro do Ian.

- Sim, é melhor – concordou – Precisas de descansar, querida.

Pegou-me cuidadosamente ao colo e levou-me para o quarto. Lá deitou-me na cama e deitou-se ao pé de mim.

- Eu só que... Não entendo.

- O que é que nao entendes? – Disse enquanto beijava os meus cabelos.


- Por que eu? O que é que eu posso receber de tão importante? É que eu não quero receber nada. Podem ficar com isso …

- Não sabes o que é …. – Ele tinha razão.

- Não é nada que valha a segurança da minha família e amigos. – Sim, porque eu tinha a certeza que o assalto á uns tempos, tinha sido por causa desta encomenda – Eu entregarei isso a quem o quiser,...

- Não pode fazer isso… – Disse enquanto virou a minha cintura e colocou-me em cima dele.


- Claro que posso. Eu não quero esta herança.

- Se eu teu pai te deixou isto para os teus 18 anos, quer dizer que achou que tinha responsabilidade e maturidade para guardar isso com sabedoria, pensa nisso.

- Ai esta outra questão… Porque eu? e não o Din? Ele é mais velho e mais responsável…

- Talvez ele acha-se que tu irias lidar melhor com o assunto do que o Din, não sei.


Olhei para baixo e vi o seu rosto dolorosamente bonito. Era incrível como eu odiava quando ele estava certo. Apesar desse pacote que o meu pai me deixou ser, na maior probabilidade, o objecto que nos está a colocar em perigo, era algo que ele me deixara por alguma razão. Eu não poderia simplesmente entregar essa coisa a um estranho. Quero dizer, entregaria o saque ao ladrão? Claro que não, isso era uma estupidez. Mas, e para proteger a minha família? Faria-o?


Fiquei a pensar nisto montes de tempo, e o Ian deu-me o espaço e a paz que eu precisava.

Algum tempo depois, o cansaço venceu-me e já nem as festas do Ian na minha cabeça faziam-me estar acoradada.

*



De manha acordei com o Ian a mexer-me no cabelo, e percebi que ele tinha lá passado a noite. Era por isto que ele era tão importante. Ele estava sempre lá quando era preciso…

Á tarde encontrei o Din, e mostrei-lhe a carta. Ele ficou tão apreensivo como eu.

- Sabes o que poderá ser? – Perguntei eu a medo. Será que ele leva a mal do pai ter confiado nele e não em mim?

- Não sei linda… Mas não te preocupes.

- Como não fico preocupada?! Vou receber não sei o quê do nosso pai, que morreu á 5 anos… e tu dizes-me para não me preocupar?!

O meu tom de voz estava agora mais elevado. O Din também elevou a voz, para não ficar em desvantagem.

- Ree! Não fazemos ideia do que seja isto! Só temos de esperar. Arrumas esta merda e daqui a  meses falamos! Esta bem?

Detestava quando o Din gritava assim comigo.  Mas as coisas ficaram por aqui.

 

As coisas na faculdade estavam a andar bem. Alem das minhas notas terem estabilizado, os exames finais estavam á porta. Eu estava preparada e depois disso era só Festa.Os dias passaram, e eu distraia-me muito facilmente. Pensava nas hipoteses
de encomendas possíveis. Uma dessas distraçoes foi quando estávamos a jogar ás palavras.

- “Pacote, entrega, final, tempo, pai, vida”. Tens a certeza que não queres falar sobre isso?


- Sobre o quê?

As minhas tentativas de o enganar iam sempre pelo cano abaixo. Mas o Ian respeitava-me. Respeitava o meu silencio, o meu não querer falar do assunto.

- Vai ser hoje! – disse o Ian de repente, fazendo-me saltar do lugar.

- Vai ser hoje, o quê? – perguntei a medo. Sabe-se lá o que vai naquela cabecinha! xD

- A tua primeira aula de condução! – disse com muito entusiasmo – Vamos? – disse já a levantar-se.

- Mas tens a certez…

- Claro que sim! – Interrompeu-me e pegou-me na mão. Pegou no casaco e saímos.

Avistei o BMW preto dele ao longe. Estávamos no parque do prédio. E o Ian praticamente me arrastava atrás dele. A alegria dele fazia-me feliz. Era tão bom ver o Ian assim…

- Retira o pé bem devagar... – Disse calmamente. Ian estava sentado no banco do passageiro. Só entrei no carro com a garantia de que não tinha nem carros, nem pessoas num raio de 100 metros

O carro saltou.

- Eu disse devagar! – Disse a rir-se da minha falta de habilidade para o assunto.

O parque estava praticamente vazio. Não Haia problemas falhar uma vez.


- Eu retirei devagar! – Respondi enraivecida. Alem do meu namorado se estar a rir de mim, aquele carro simplesmente não me obedecia. – Foi devagar! – resmunguei dando uma pancada no volante.


Ao que me pareceu, esta situação só deu mais motivos ao Ian para se rir mais de mim.

- Calma, Ree.

- Eu estou calma!

- Não estás, não. – Disse controlando o ataque de risos.


- Acho melhor desistirmos. – Cruzei os braços. Afinal: quem é que precisava de conduzir quando se tinha auto-carros e metros por toda a cidade?


- Isso é que não. Tu és esperta Vais conseguir. - E sorriu, abriu a porta do passageiro e saiu.


- Onde é que vais? – Gritei e estiquei-me para a direita, para ver o onde é que ele ia. Fiquei um pouco assustada quando ele abriu a minha porta de repente.


- Chega-te para lá – Disse ele com um ar divertido. Sentou-se no lugar do condutor e fechou a porta. O meu primeiro instinto foi tentar passar para o assento ao lado deste, mas ele segurou na  minha mão. – O que é que estas a fazer? Ver-me conduzir não vai ajudar em nada. Há coisas que só se aprendem com a pratica, Ree.

Sentei-me no seu colo.

Seria uma situação normal, se não estivéssemos numa situação tão estranha e num espaço muito apertado. O meu coração começou a disparar, era muito contacto e foi então que eu percebi que eu não tinha tanto auto-controlo como pensei que tinha.


Ele, ao contrário, pareceu bem à vontade. Não fazia muitos movimentos, nem aproveitou a aproximação para me tocar. Lentamente, arrastou os meus cabelos para o outro lado e encostou o rosto próximo à minha cabeça.

- Aperta aquele pedal.

- Como é que queres que eu faça isso?

Era uma pergunta bem coerente, já que eu apesar de ser alta, naquele momento a minha cabeça tocava no tecto e os meus pés estavam bem longe dos pedais.

- Ok, vamos fazer diferente. – Disse com um olhar pensativo e afastou as pernas. – Senta-te bem – Disse e depois empurrou o banco para trás, de maneira a dar-me mais espaço. Sentei-me directamente no acento, agora conseguia alcançar os pedais, mas a respiração dele, estava agora mais perto do meu pescoço e isso não ajudou em nada – Consegues agora?

- Sim.

- Óptimo, agora tenta-te concentrar.

Difícil.

Aos poucos estava-me a habituar a ele ali. Mas percebi que por mais tempo que passa-se eu ia sempre sentir isto.

Uma corrente. Um fogo. Uma energia. Um amor.



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publicado por RiiBaptista às 19:38 | link do post | comentar