Capitulo 4 - Sonhos

Aqui está ... finalmente.

 

Espero que gostem... beijinhos

 

espero que gostem...

 

 

Abri os olhos devagar, e encarei o meu irmão que estava com o rosto mesmo acima do meu. Era um misto de raiva e preocupação.

 

- Acorda, anda lá!

 

- Que foi?

 

- Anda lá, cala-te…tens escola lembras-te!

 

- A cobra… desapareceu… - tentei explicar, mas a minha voz estava muito rouca.

 

- O quê? Ree vais perder a aula…

 

- O que será que ele fez?... ele estava preso e eu no chão de pedra…

 

Senti a mão grande e quente a tocar na minha testa.

 

- Febre… - suspirou, ouvi-o a afastar-se e logo depois a voltar. Segurou-me com uma mão atrás das costas e levantou-me depois senti um liquido nos lábio.

 

- Abre a boca… -  e colocou-me um comprido na boca, engoli-o a custo.

Pousou-me na cama.

 

- Agora dorme…

 

Segui o concelho e fechei os olhos novamente. Vi uma porta preta ao fundo. Á medida que andava para a alcançar, ela ia-se afastando, a fugir de mim. Não consegui alcançá-la. Fiquei a correr horas sem fim. Não estava cansada, mas farta de correr atrás de algo que não conseguia apanhar. Pessoas conhecidas passavam como borrões à minha volta, mas eu não parava quando as via, tinha que continuar atrás do meu objectivo vital. Não conseguia, nem queria parar, sabia que nunca iria conseguir mas tentaria sempre.

Ouvi o meu telemóvel a tocar. Abri os olhos. Estava totalmente encharcada de suor. Levantei o pescoço e vi o telemóvel a tocar em cima da secretaria. Sentei-me na cama, inspirei e levantei-me. Tive um choque quando os meus pés tocaram o chão frio. Caminhei e ia me agarrando ás coisas para não cair. Chegai ao telemóvel…

 

- Estou?

 

- Ree? – ouvi a Cat do outro lado da linha.

 

- Olá Cat.

 

- Rebecca a tua voz está péssima. Não a reconhecia. O que é que se passou? Porque é que não vieste? – Perguntou com uma voz preocupada.

 

-O quê? – só acordei quando me virei e olhei para o relógio roxo da parede do meu quarto. – Porra!

 

- Perdes-te outra prova Ree. Não podes continuar assim.

 

- Porque é que não me acordas-te? – perguntei indignada. Como é que ela tinha saído de casa sem mim?

 

- Eu não passei ai a noite. Fiquei em casa da Inês… Mas o Din não te acordou?

 

Depois lembrai-me…de algumas coisas.

 

- Acho que sim, penso que estive com febre ou assim…

 

- Mas estás melhor?

 

- Estou. Olha podes vir cá á hora de almoço, para me deixares os apontamentos de hoje?

 

- Claro. Então... até logo. – Concluiu animada antes de desligar.

 

Mandei o telemóvel para cima da cama e abri a janela do meu quarto. Cidade movimentada…

 

Tomei banho e vesti-me. Fui até á cozinha. Comi uma pêra e bebi um iogurte. Quando ia a abri o frigorífico, vi um papel do Din:

 

Desculpa ter-me ido embora…

Mas tinha que fazer. O que é que se passou para ficares assim daquele estado? Estiveste a beber?

Bem, esquece… depois falamos.

 

Beijinhos e cuida-te … Toma mais um comprimido se te sentires mal.

 

Din

 

Tinha que aproveitar a manhã, não podia ficar ali parada sem fazer nada. Como o meu quarto estava desarrumado, fui arrumar.

 

Comecei por uma ponta e acabei noutra… As coisas simplesmente estavam no chão e amontoadas… Desde roupa interior em cima do armário a casacos amontoados entre a cama e a mesinha de cabeceira. O caos autentico. Espero que o Ian não tenha visto as cuecas que estavam no candeeiro…

 

Era meio-dia quando ouvi as chaves da Cat a entrarem na fechadura…

 

- Então? A faltar ás aulas… Rebelde. – Disse ela em tom sério/ irónico

- Não sou como outras, vai para ver os gajos que estam na sala de aula… – Ataquei. Se ouve-se coisa que a levava a ir ás aulas eram as vistas… A Cat pegou numa revista, sentou-se no sofá branco de pele da sala, e começou a ler…

- BOMBA – gritava sempre isto quando tinha uma novidade…

 

-Que se passa? Quem é a nova namorada do Justin Biber?

 

- Não é isso. Paola Lince … sabias que ela vem à cidade? – Paola Lince era uma estilista super conceituada. E a Cat era a sua fã nº1 é claro.

- Fazer o quê? – Imaginei o que diabos uma celebridade faria naquela cidade. Não era um lugar pequeno, mas também não era grande. Não tinha o que fazer aqui, o máximo de atracção que tínhamos era o cinema e o shopping.

- Vem num evento desses de gente rica. Se eu a vir na rua, peço um autógrafo. – Parou de falar da tal Paola e olhou-me. – Outra coisa. Porque é que faltas-te marota?

Tive que narrar com detalhes tudo o que acontecera à noite. Eu tinha sorte por ter uma amiga que me entendia e em quem eu poderia confiar. Contei-lhe tudo o que fizemos e falamos e também contei, principalmente, os motivos que atrapalharam o meu sono e que me fizeram faltar.

- Estás-me a dizer que vocês comeram gelado da mesma taça?

- Sim. – Não acho isso lá grande coisa.

- Isso é praticamente um pedido de namoro!

- É mesmo – Respondi com ironia. A Cat, à vezes, conseguia ser tão exagerada quanto Din. Apesar de serem completamente contrários, tinham esse ponto em comum.

Ficamos um bocado em silencio, a Cat ainda não tinha digido a imformaçao.

 

- Achas que ele matou alguém? - perguntou retomando ao assunto do Ian.

- Não sei... Mas há essa opção.

- Pode também ser um criminoso fugitivo. – sugeriu receosa. Ri-me.

- Cala-te. Se ele fosse um fugitivo, seria procurado pela polícia e não por um retardado mental que só percebe que invadiu o apartamento errado depois de matar uma pessoa.

- Então porque é que andam atrás dele?

- Sei lá, ele pode ter denunciado algum crime ou pode ter sido testemunha. – Eu queria acreditar que ele não era um delinquente.

- Ele pode ser traficante. – e claro, a Cat não me ajudava.

- Cala-te . Achas?! Não sejas parva.


- Ele deve ter-te dito muita coisa... para tu o defenderes assim… E o apartamento dele? Como é que ele o pagou?

 

- Herança dos pais, foi o que ele disse. –

 

- Pois, mas ele pode ter mentido. Talvez tenha ganho o dinheiro a vender órgão de miúdas no mercado negro. – Que exagero, acho que não pagam assim tanto por um rim.

 

O mais estranho é que mesmo a acreditar que ele tinha feito alguma coisa, , não fiquei com medo dele. Era uma coisa inexplicável, não tinha medo e pronto. Pelo contrario, com ele sentia-me segura. E aunica coisa que eu temia era o facto dele estar em perigo.


A Cat percebeu que eu não queria pensar que ele poderia ser, na verdade, um traficante de órgãos humanos e tentou mudar de assunto para descontrair.

- E então, como é...?

- Como é o quê?

- Tu sabes... – Piscou-me o olho. Não quis imaginar que significado sórdido essa frase teria.

- Não sei.

- Sabes sim. Quero dizer, de certeza que já o viste de costas...

E entendi o que ela quis dizer e fez-me corar. Tudo bem, talvez eu já tenha reparado nesse detalhe, quero dizer, sem querer, é claro.

- Como é a... – e procurou palavras apropriadas para usar – A visão traseira do Ian?

- Cat, sua desavergonhada! – Gritei. Era mesmo a Cat. Que miúda…

 


- Que foi? É natural olhar para isso num rapaz, ainda mais se ele for tudo o que tu dizes! Aliás, também deves ter reparado na parte da frente...

- Cat! – Arregalei os olhos. Não a deixei completar a frase, sou tímida demais para comentar esse tipo de coisas.

- Falas como se já não tivesses reparado nisso. – Disse casualmente enquanto folheava outra revista, desta vez, sobre estilos de cabelos.

 

Chamei-a para a mesa. Queria pôr um ponto final naquela conversa tarada… Mas era verdade. Eu já reparei na parte traseira e frontal. E tenho uma opinião muito interessante. Mas não queria dizer isso a Cat.


- Achas que ele vem hoje? – Perguntou esperançosa. Eu sabia o que ela queria. Saída de casais. Ela e o novo namorado - o Tiago – eu e o Ian, e a Inês e o Jorge. Para ela era perfeito…

Para mim já não era…

 

Ainda não sei bem os sentimentos que tenho por ele. É confuso… esquisito. Parece que foi premeditado, para que acontece-se tudo assim.

Era diferente: estranho. O Ian transmitia-me perigo e confiança. Um misto de emoções. Que eu, ainda não consegui decifrar.

 

Comemos… E depois ela saiu, foi para as aulas de dança.

Não queria estar ali a apanhar uma seca. Não tinha ninguém para me fazer companhia. Então telefonei para a Inês, na esperança de fazer alguma coisa divertida.

 

- Oi linda. – Saudei com uma voz festiva…

 

- Então?? Como é que está a desaparecida?

 

- Melhor… olha onde é que estás? Tens aulas agora de tarde?

 

- Não, e estou com o Jorge no shopping. Vem cá ter… Consegues com o pé engessado?

 

- Sim, claro. Vou apanhar um táxi, dá-me 10 minutos. Beijinhos

 

- Xau, ficamos á espera… - E desligou

 

Como já estava vestida, chamei o táxi e fui. Eles estavam á minha espera. O Jorge é um rapaz 5 estrelas, pelo menos comigo. E parece gostar da Inês… e claro, a Inês esta totalmente apaixonada por ele.

 

Foi muito divertido. Já não me ria assim a algum tempo… Depois vim de táxi para casa.

 

Subi, mas fui pelo elevador, é claro. Abri a porta normalmeente. Pareciame tudo normal, sempre na mesma.

 

Abri a porta. E por momentos pensei que fosse mentira… Os meus olhos abriram-se mais. Não era mentira. Sustive um grito.

Era o que eu estava a ver…

Impossível… ainda não estava a acreditar no que me estava a acontecer.




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publicado por RiiBaptista às 22:54 | link do post | comentar