18º Capitulo - Desilusão

Oláaa!!

Este capitulo é dedicado á CCullen que esteve até praticamente 4h da manha á espera do capitulo!!

Obrigada querida!!!! <3

 

Bem, vamos mais ou menos no meu da historia!

este capitulo vai mudar um bocadinho as coisas...

Bem, espero que gostem e que nao fiquem desiludidos!

 

Obridada por tudo!

Enjoy!! *_*

 


Eram exactamente 4h menos 10min. Eu estava vestida com um vestido Verde claro, a condizer com os olhos do meu amor. O verde que eu tanto amava.

Decidi subir ate ao andar dele. Não aguentava mais esperar pelas 4h. E também se ele ainda não estivesse pronto eu podia esperar.

Bati á porta e pouco tempo depois, Ian abriu.

- Olá minha Sereia! – e beijou-me da forma menos platónica possível. Mordi-lhe o lábio. Adorava quando ele me chamava de Sereia.

- Olá! – disse entre os beijos! Abracei-o e reparei que estava sem camisa. Parei e olhei para ele. – Humm… eu vou esperar por ti.

E ri-me. Ian estava só com uma toalha na cintura. Deveria ter acabado de tomar banho agora mesmo.

- Sim! – e deu-me um beijo leve – Eu volto já, meu amor!

Estava a planear sentar-me no sofá, mas apercebi-me de que novas folhas estavam soltas em cima da mesa da sala. A minha curiosidade foi maior.


O miserável escritor já estava infectado pelo veneno dela. Veneno tão raivoso que lhe rasgava as entranhas e ardia sem dor. Era o infinito finito do pesar.

E a doce literatura, grande companhia nos seus dias de solidão de alma, não conseguiu, não mais, preencher o vazio indócil e neutralizar o desejo arrebatador dos lábios carnudos e venenosos outra vez.

E ele, pobre mortal mergulhou em asco e amargura, não foi mais capaz de exprimir, por meio de palavras, as sensações embriagantes que sentiu com a sua sua presença. Palavras eram insuficientes, apenas letras miúdas e insossas diante daquela que competia com o brilho da lua.

De todas as criaturas míticas que ele jamais ouvira falar, ela era a mais deslumbrante. Nocturna e venenosa Sereia.
O acre escritor estava infectado, não morrera, nem mais vivia. Estava apenas completamente amarrado ao perfume dela. Prisão que palavras eram incapazes de descrever...



Era o que estava escrito na folha de cima. Um texto tão bonito que me arrepiou profundamente. Era difícil de acreditar que alguém que se apresentava tão frio, pudesse ter tanto dom com as palavras.

Tentei não desarrumar nada, não queria que ele soubesse que eu tinha lido aquilo. Estava claro que ele valorizava demais a sua literatura que eu gostara tanto, nunca me chegara a mostrar estes textos.



Nesse momento ouvi o barulho de algo a partir. No andar de cima. Assustei-me e desequilibrai-me. Por instinto segurei-me á mesa. Alguns dos papeis caíram.
Comecei a recolher os papéis que deixara cair com um pouco de pressa, visto que Ian não demoraria muito a mudar de roupa. Tentei colocar tudo da maneira como estava antes, mas a rapidez e o desespero fizeram-me bagunçar ainda mais a mesa.


Claro que ele iria perceber que eu lera os textos. Comecei a planear uma maneira de justificar a minha curiosidade.


Estava envolvida nos meus pensamentos de como pedir desculpas a invaçao de privacidade, quando foram interrompida por uma foto de uma pessoa conhecida.

Debaixo de todos os papéis que antes estavam sobre o móvel, estavam diversas fotos e, quando eu os mexi para tentar organizar, deixei uma delas descobertas.

Cat estava com um copo na mão numa discoteca. Não estava a olhar para a câmara ,ao contrário, parecia nem saber que estava a ser fotografada. Vasculhei mais algumas fotos. Umas era eu sozinha, na estação, na paragem do autocarro, num bar, na gelataria. Outras era eu com o Din e ou com a Cat.


Enruguei as sobrancelhas em sinal de confusão. Não entendia o porque de estarmos ali, Cat, Din e eu, com amigos e desconhecidos; perto e longe de casa; cada olhada, cada expressão, cada sinal, estava tudo lá. Além da confusão, o desespero e algumas lágrimas brotaram da minha face quando percebi o pior dos detalhes: haviam datas,e aquelas eram de há meses atrás. Muito antes de conhecer o Ian.

- O que é que estas a fazer?


Virei-me para encarar a sua expressão curiosa e um pouco intrigada. Ele, parado ali, não tinha o perfil de alguém que seria capaz de me fazer mal, não parecia um assassino mentiroso. Apoiado na parede da sala moderna estava o meu Ian, aquele que me proporcionara sentimentos novos e inesquecíveis, aquele que me fizera perder o medo de aspectos corriqueiros e banais e, também, de traumas que carregava comigo. Aquele com quem eu tinha perdido a vergonha e me mostrado, aquele que eu amara de corpo e alma. Definitivamente, não se comparava a alguém que me poderia magoar... Mas as aparências enganam.

Ele ainda não percebera as imagens que eu carregava nas mãos, certamente, estava a pensar que eu só estava a ler as suas estúpidas, sim estúpidas, e românticas histórias de parar o coração.

Aliás, ele era um estúpido por completo.

Por fazer as minhas pernas tremerem, por fazer o meu peito ficar apertado quando aparece, por me fazer corar nos raros momentos em que diz coisas bonitas, por me deixar sem saber o que dizer, por me fazer sua.

E a estupidez corria por todas as suas veias e fios de cabelos perfeitos. E naquele momento, não sabia quem tinha sido mais idiota: ele ou eu… por ama-lo estupidamente e não ter abrido os olhos a tempo.


O mais inteligente a fazer ali, é claro, seria disfarçar e sair o mais rápido possível. Então depois, eu poderia ir à polícia ou, simplesmente, optar por ignorá-lo para sempre.

E um sentimento ardia imensamente como um chicote açoitando a pele, a frustração tinha um efeito muito mais letal. Agia como um veneno a correr pelas veias, furando cada parte, queimando cada célula e, quem sabe, recusando-se a chegar à cabeça, que insistia em gritar que era MENTIRA.

E eu estava iludida, talvez. Tinha sido iludida. Agora que pensava nisso, isto era impossível. Um amor como o nosso era impossível, era falso. Já não existiam amores verdadeiros, mas o Ian – estupidamente – tinha-me feito acreditar que sim. Tinha-me feito acreditar que ainda existiam casais perfeitos, feitos um para o outro. Mas isso era mentira. Ou isso, ou eu tenho um íman para este tipo de homens.

Levantei, lentamente, a mão que ainda estava a segurar uma foto minha de há 3 meses atras. A angústia despertou na face dele como um balão de água que explode para todos os lados. E eu não queria, mas reconhecia aquela expressão, era a culpa.

- Senta-te. – Disse ele atormentado, alisando a testa com uma das mãos.

- Não me quero sentar. – E, por momentos, achei que estas palavras não fossem sair da minha boca.


- Eu posso explicar se tu me ouvires.

 

 


“Eu posso explicar”, provavelmente a frase mais famosa da literatura, do cinema e das telenovelas, estava realmente a ser usada ali, na prática. Era deprimente.

Caminhei decidida em direcção à porta,  mas ele avançou mais rápido que eu e impediu a minha passagem.

- Não vais sair antes de me ouvires...

- Eu não te quero ouvir.

- Mas vais.

Pensei em gritar ou em pedir socorro, mas pensando bem, Ian já tinha morto pessoas e facilmente me imobilizava e tava-me a boca.

Era muito mais forte e tinha a faca e o queijo nas mãos.

- Ian, deixa-me ir. – Disse seriamente. O que me apeteci era dezatar aos murros e as chapadas, mas eu estava no território inimigo. Din e Cat só sentiriam a minha falta somente depois de chegarem a casa, horas mais tarde.


Ele virou-se e trancou a porta sem dizer nada. Depois de guardar as chaves no bolso, sentou-se no sofá preto e apoiou a testa com as mãos deixando os cabelos negros caírem por sobre elas.

 

Fiquei parada próxima à porta. A imagem de Ian mortificado sentado no sofá não me comovera nem um pouco. A frustração estava  a misturar-se com a fúria e o produto delas não era nada bom.

- Eu estava a seguir-te, a ti e á tua familia.

- Que bom! Não vais negar o obvio. – Tentei usar o Humor, mas a ira era bem ouvivel na minha voz. – E quando é que nos ias matar? Alias, posso saber porque é que nos estas a perseguir?

- Porque tu tens algo que me pertence.

Ri amargamente.

- Eu não tenho nada.

E era verdade. Ian era rico, muito rico. Tinha montes de carros, um andar de luxo, roupa caríssima. Eu não tinha nada em relação a ele. Uma gota no Oceano. O Din, a Cat e eu era ‘ cada um por si’ só que na nossa versão.

- Ainda não.

E fiz o Flash. Foi por isso que ele não quis que eu entregasse a encomenda do meu pai. E fez-me acreditar que era uma pessoa, fingiu sentimentos só para ter o maldito pacote.


- Tu não quiseste que eu me desdisse-se da encomenda. – pensei alto.

Ele sorriu friamente para si.

- Tu tens que a guardar com cuidado, Ree.

- Não é o que tu queres? – Foi a primeira vez que elevei o volume da voz naquela noite. – Tu não queres a maldita caixa? Não foi por isso que te aproximas-te? Então leva-a, leve a tua caixa com teu precioso tesouro, só que não penses que isso vai trazer os teus pais de volta.

Ele tremeu ao ouvir a minha última frase. Era seu ponto fraco.

Podia não parecer, mas eu conhecia o Ian como a palma da minha mão. Pelo menos pensava assim.

-  Quando eu receber a encomenda, podes descansar que eu vou envia-la a ti, se isso te fizer assim tão feliz. Seres humanos, pessoas, encontram a felicidade neste género de coisa, mas eu não esperava isso de ti.


- Cala-te.

Esta palavra desequilibrou totalmente as minhas tentativas de conter a fúria em território inimigo.

- Calo-me? Não querias a Verdade? Tu não és humano, Ian. És um assassino, um reles assassino. Sem coração e muito menos com sentimentos. - apoiei o meu corpo de costas na parede e fechei os olhos


- Eu avisei-te que não era digno de ser humano. – Respondeu entre dentes em tom moderado, estava a começar a irritar-me.

- E quando é que dizes-te que estavas a fingir sentimentos por mim para ficares com a encomenda e depois matares-me? É que acho que deixei passar essa – Fiquei impressionada como uma raiva descomunal me estava a fazer ironizar a situaçao. Não era momento para ironias, resolvi falar asério e deixar a ferida descoberta. - Era esse o plano, não era?

- Sim. Escolhi o prédio com exactidão, o apartamento certo, convinci a Miriam e o Kyle sem saberem de nada. E comecei a estudar a tua rotina, a do teu irmão, a da tu melhor amiga. Sabia quando é que receberias o pacote. E, sim, iria matar-te, depois de ter a encomenda.


Corri os dedos por entre os cabelos e decidi parar de lutar, deixei as lágrimas de ódio e dor profunda escorrerem sobre as minhas bochechas. Abri a boca mas não consegui dizer nada, apenas cerrei os dentes e deixei mais lágrimas caírem silenciosamente enquanto eu desmanchava-me solitária naquele lugar. Balancei a cabeça de um lado para o outro a tentar negar a verdade.
E depois senti. Senti uns dedos quentes a subirem o meu queixo e encarei o verde, que outrora amara. Os seus olhos brilhavam , como se alguma vez estivessem a lacrimejar.

- Por favor, não chores!

Ian estava com uma voz mansinha e calma e que se este pesadelo não estivesse a aconteceu eu iria achar super atraente e atencioso. Tive raiva de pensar assim.

Funguei. Não iria chorar ali!

 

- Eu queria-te matar! Mas Isso foi antes de te conhecer.

- Vais dizer então que gostas de mim e estas arrependido? Achas que sou burra? – Sibilei com ódio. E a mim parecia-me obvio, Ian ia tentar-me enganar, como sempre fizera.

- Essa seria a última coisa que penso de ti.

- Então porque é que insistes? – Voltei a gritar , mas Ian não se afastou.

- Porque é a verdade! Eu tinha mesmo esse plano. – Respondeu com a voz mais enérgica.

- E porquê, Ian? Porque é que estavas a colocar a minha família em risco? Para quê seguir a Cat? – Esse era o ponto que mais me maguava. Porque raio é que Ian tinha que seguir a Cat, ela nem era da minha família, éramos apenas amigas.


- Porque precisava conhecer a tua rotina, hábitos, amigos, tudo o que pudesse servir...

- E o que é que eu te fiz? – E aproximei-me. Foi ai que vi as minhas mãos. E apercebi-me que tremia imenso. – Além de ter sido idiota e ingénua, o que é que de tão mau eu posso te ter feito?


- Tu não fizes-te nada. Mas o teu pais fez.

- Lava a boca antes de falar do meu pai. – Alto e para o Baile! Agora a discuçao tinha atingido outro patamar.

- Ele matou os meus pais, ele não passava de um assassino.

- Cala-te!! – Gritei com todo o ódio.

- E ainda roubou o projecto do meu pai e teve a ousadia de deixar para a filhinha...

- Ele não fez nada disso. – Era claro que Ian estava a inventar tudo isto. Precisava de motivos para ter feito o que fez.

- Fez. – Contorceu a face em raiva ao lembrar-se de um passado que não queria esquecer.

- Tens provas? – Balancei a cabeça e encarei o tapete. Não iria discutir a inocência do meu pai morto. Eu conhecia-o, era uma boa pessoa e eu tinha a certeza de que ele não fizera nada daquilo. Ian, ao contrário, parecia ter a certeza da sua culpa. Não adiantaria discutir. Não era isso que me estava a magoar profundamente. – Então por isso é que eu virei a tua vingança, foi?


Ele pareceu ficar menos nervoso e mais culpado com o desvio do assunto. Sentou-se no chão encostando as costas á parede, paralelo a mim. Abaixou a cabeça.

- Sim.

As minhas pernas também não me conseguiram suster e cai. Cai em todos os sentidos. Literais e nao literais da palavra. A adrenalina que sentira momentos antes esvaia-se, deixando-me exausta. Sinceramente, parecera-me a mim que só agora é que assimilei a informação. Tudo! Tudo ! Tudo  que vivera com Ian era Mentira! E mais grave de tudo, ele queria-me ver morta.

E entrei num buraco negro. Fechei os olhos e reparei que respirar tornava-se uma tarefa complicada.


Eu tinhas muros, defesas e ele destruira todas, passou por elas como se fossem de papel.. O meu interno estava arruinado, o externo mal conseguia estar em pé. Não tinha mais motivos para continua a discuçao, ali sentada no chão da sala tão bem decorada.

- Eu não planeei invadir o teu apartamento quando nos conhecemos. – Disse ele aleatoriamente, depois de um silencio que pareceu 2 horas.

 


Apenas levantei um pouco a cabeça, sem olhar o verde que tanto me enfraquecera. Demorei alguns segundos para me localizar na situação. Ele não esperou que eu respondesse, apenas continuou.

- Eu sabia que haviam outras pessoas, achei que estavam atrás de mim. Pensei que só eu é que sabia que irias receber a encomenda.

Ouvi sem ter nada a responder. Nem tentei.Não sabia se conseguia e tinha medo de tentar. O que ele dizia, as desculpas, os pensamentos, os planos, nada do que ele pudesse assumir me livraria da dor que eu estava a sentir naquele momento. Eram apenas palavras, uma faísca de fogo na superfície do sol.

- Percebi a falta da luz e os passos apressados. Definitivamente nunca planei o nosso encontro naquele dia  – Suspirou demoradamente e continuou com uma voz mórbida.

– Disse-te para ficares dentro de casa porque precisava de ti viva, are que complatasses 18 anos. Mas também queria saber quem mais é que queria a caixa. A caixa era minha, foi trabalho do meu pai, é minha por direito, mas eu sempre soube que existiam outras pessoas que a queriam possuir.

E eu não sabia. Não sabia se estava a reter a informação toda. As palavras passavam por mim sem mero significado. Apenas passavam. E eu mantinha-me estática ali, a tentar reunir forças para me levantar.

- Sei que é alguém da associação. Tenho a certeza. Praticamente todas as pessoas que participaram na experiencia estão mortas ou desaparecidas.

Eu tinha conhecimento desse facto, no mínimo achei estranho, mas nunca pensei na dimensão do trama cruel e vingativo que realmente era.


- Não é coincidência. – Reflectiu e ouvi ele a bater com a cabeça levemente na parede – A caixa só poderia estar com uma das pessoas do grupo.

E continuei estática onde estava. Não sabia ao certo o que é que estava a pensar. Os meus pensamentos passavam muito depressa como um carrossel veloz na minha cabeça. Imagens, sensações e memórias giravam em redor dos meus olhos.

- Estudei cartas, diários, fotos e documentos antigos, e percebi que ela era guardada por um grupo de pessoas restrito. O teu pai e o meu dividiam a posse dela na altura. Isso é, até meus os pais morrerem num acidente suspeito. Então o teu pai, agora, era o único que sabia onde ela estava e, por motivos desconhecidos, guardou-a numa agência segura onde teve certeza de que te seria entregue aos dezoito anos.

A história parecia-me convincente até aquele ponto, mas eu, ainda assim, não acreditava que o meu pai fora capaz de matar duas pessoas e fazer parecer um acidente apenas para roubar uma maldita caixa.

- Eu pensava que só eu é que sabia disto. Pensava mesmo que eles andavam atrás de mim. Mas ao que parece, descobriram o que o teu pai te deixou.


Ele parou para poder respirar e continuar a história. Ian não tinha emoções, apenas falava tudo como se conversasse consigo mesmo. Nalguns momentos, nem sequer parecia que tinha consciência de que havia ali outra pessoa, tinha ares de quem estava imerso numa auto-reflexão.

-  Eu não queria aproximar-me de ti! Nem queria ser teu amigo. Queria apenas passar despressebido.

E mesmo a olhar para o chão senti os olhos dele a perfurarem-me a pele. A obeservar-me a mim, em absoluta destruição.


- E também não planeei a maneira como me senti quando a vi caida no chão.

Isto fez-me levantar a cabeça, e ai sim senti ódio de mim mesma.


- Parecias tão frágil, tão suave e, ao mesmo tempo, tão forte e corajosa por teres saído de casa mesmo depois de ouvires o tiro.


E senti-me estúpida. Ao ouvir estas palavras na boca de outra pessoa, soava-me á coisa mais estúpida a fazer-se naquele momento. Mas isso agora não me estava a preocupar

- Desobedeci a mim mesmo quando te levei ao hospital. E tu fazias questão de não demonstrar dor. Não queria que eu sentisse pena ou achasse que eras fraca. Foi engraçada a maneira como me contrarias-te em tudo, não querias que eu te levasse, não aceitas-te nada do que te ofereci e dispensas-te qualquer simpatia forçada. E, de longe, parecias tão comum, mas de perto eras tão diferente das outras.

- Shiu! – Pedi rapidamente. Eu simplesmente não estava a conseguir ouvir aquilo.
Ele ignorou-me completamente.

- E de repente não sabia o que é que se estava a passar comigo. Queria concretizar o meu objectivo. Eu devia matar-te e sentir-me bem com isso.


Coloquei os meus braços por cima dos joelhos e apoiei a cabeça neles, foi a maneira que encontrei de conseguir ficar com o rosto erguido. Foi ai que vi o verde vivo dos olhos do Ian.

- Eu nunca estive assim, Ree. De repente já não sentia felicidade na tua morte. Pior, sentia angustia, decepção. Raiva! Uma mistura de emoções que me deixavam sem nada.

- Pobre Ian. – Ri da minha ironia. Era incrível todas a suas mentiras. O vilão que virara a herói porque se apaixonou. Tão cliché, tão detestável…

- Eu sei o que é que estas a pensar.

 

- Não sabes, nao.

- Sei, sim. Não é difícil decifrar-te.

Não contra-argumentei. Ainda estava a juntar forças para me levantar e ir embora dali. Não sobraria nada quando ele terminasse e eu sabia que não havia mais nada a fazer.

Era o Fim!


- Não quero ser o bonzinho, não quero ser o sofredor. Não sou o herói. Sou apenas humano e miserável. Quis contar diversas vezes a verdade e tive medo. Ao contrário de ti, eu sou fraco e covarde. Tu foste a única pessoa que me fizera admitir isso para mim mesmo.

- Terminas-te? Posso ir agora? – tentei dizer seria. Agora depois do choque o choro era inevitável. Mas eu não queria desabar já. Queria primeiro chegar a casa. Não queria mostrar a parte fraca


- Não, Tu és o meu veneno.


E comecei a pensar no sentido da frase. Geralmente, seria uma coisa muito rude de se dizer a alguém, mas, para ele, parecia fazer sentido. E então veio-me á memoria o trencho que eu lera. A sereia.


- Preciso que me entendas.

- Eu Não quero entender.

- Não quero que me perdoes, isso sim seria pedir muito. – Levantou-se e aproximou-se devagar. – Quero que me compreendas.

- E porque é que queres isso? O que é que muda para ti? – Fiquei satisfeita ao perceber que já recuperara a fala, era um bom começo.

- Carrego a vingança como motivo de existência, tu sabes. A minha vida não tem outro significado. Apenas… matar-te. Mas como não quero fazer isso, apenas pesso que me entendas.


- Eu já te disse que não quero entender nada. – Levantei-me num movimento rápido, com toda a força que consegui juntar – Tu construíste este relacionamento com base em mentiras. Quem é que me diz, que quando sair pela aquela porta tu não me vais matar?


- Eu já disse que não...

- E como posso acreditar no que tu dizes? – Repliquei num tom mais elevado. – Tu és um mentiroso. Mentis-te sobre ti, sobre nós…

- Mas eu AMO-TE , isso não importa? – gritou de repente.

- Não. Não importa. – fiz uma pausa – Deixa-me ir.

Ian não disse mais nada. Tirou a chave da porta dos bolsos e girou-a dentro da fechadura. A porta abriu-se com suavidade. Ele não levantou a cabeça para me olhar uma ultima vez.


- Ah. – Disse eu antes de sair – Se tu ousas entrar no meu andar pela exterior, eu juro que chamo a policia.
- Eu não vou desistir de ti

- Estás avisado.

Virei as costas e nunca mais olhei para ele.

sinto-me: Magnifica!
música: Erase me - Kid cudi
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publicado por RiiBaptista às 03:44 | link do post