20º Capitulo - Vento...

Olaaaa!!

voltei!!!
Aqui esta um novo capitulo!!!

comenta por favor!!

quero que me digam o que é que nao gostaramm....

e o que é que acham que vai acontecer xD

 

apreciem!!

 

- Telefone para ti. - diz o Din, que apareceu á porta do quarto. Já estava em casa, o Kyle tinha-me trazido.


- Não vou atender.

- É a Cat. Ela esta preocupada…

Assenti. Ela estava preocupada, merecia que eu atende-se.

 

- Rebecca? – Ouvi a voz fina e preocupada do outro lado da linha. – Tudo bem?

- Sim, sim... – Menti. - E contigo?

- Estou preocupada contigo, porque é que desapareces-te assim?

- Só não dei pelo tempo passar….

- Oh Meu Deus! O que é que se passa?

- Nada, a sério.

- A tua voz esta diferente…


- Eu estou bem.

- Tens certeza?

- Sim.

- Desculpa não ter aparecido ai, mas tem-se passado umas coisas... – Pareceu bastante mais animada ao mencionar a palavra “coisas”.

- Não faz mal…

- Consegui convites para a cerimonia de chegada da Paola Lince!

- Como é que conseguiste? – Perguntei sem grande entusiasmo.

- Contactos! Enfim, Tu vais comigo, não vais? Vai ter comida chique, gente chique, aquele monte de modelos e vamos poder ver a Paola, ela é mesmo uma diva da moda…

- Eu não vou…

- Quê? – A voz perplexa gritou do outro lado da linha. – É uma oportunidade única… Entende... é a Paola Lince!

- Não estou com cabeça…

- Como assim?

- Não me estou a sentir bem…

- Tu disses-te que estavas bem....

- Não quero que fiques preocupada.

- Eu já estou. Tu tens que ir á festa.

- Não estou para  clima de festas.

- Mas disses-te que estavas bem...

- Eu e o Ian terminamos, ok? Pronto, satisfeita? – Rugi irritada.

Ficou calada por alguns segundos. Ela sabia o quanto ele significava para mim, e provavelmente compreenderia. Não ia contar os verdadeiros motivos, mas ela ia-me sempre apoiar.


- É claro que eu não estou satisfeita. Tu és a minha melhor amiga, quase como irmã, não fico satisfeita com o teu sofrimento. Porque é que não me contas-te antes? Pensei que era alguma coisa passageira, nunca pensei… – E começou a desculpar-se pela a sua ausência durante estes dias. – Eu... Eu não sabia. Meu Deus... Imagino como Tu estás. Estou a ir para ai...

- Não! Não precisas... Olha, eu estou bem.

- Pára de repetir isso... Estou ai em meia hora – Desligou o telefone antes que eu pudesse contrariá-la.

Deixei abater a cabeça na almofada e larguei o telefone num som mudo.  Não a queria envolver nisto, quero dizer, é praticamente impossível eu fingir um sorriso. Ela nunca me vai conseguir arrancar um sorriso verdadeiro, ninguém vai.

Ao mesmo tempo, senti-me um pouquinho menos infeliz ao saber que eu tinha uma amiga tão única e que estava disposta a parar tudo o que estava a fazer para vir ter comigo e apoiar-me nesse momento tão difícil. Pessoas assim são as que dão o real sentido da vida.

 

Estava a olhar para o tecto branco quando pensei como aquilo se mudava quando apagava as luzes. O ‘Sê minha’ ainda aparecia todas as noites no tecto.

Eu tentei cobrir, tapar, pintar, mas nada resultava. Era como cobrir o sol com a peneira. A única solução era não olhar.


De repente, tive vontade de mudar de casa. Sem viver aqui, não tinha memorias, não tenha lembranças e nem tinha de eventualmente chocar com o Ian.

Encarei o meu cubo mágico em cima da escrivaninha, fora a minha única distracção nestes últimos dias. Tentei montá-lo diversas vezes gastando, com isso, horas do meu tempo. O problema é que nunca consegui resolver esse quebra-cabeças, as peças do cubo não se encaixavam e as cores teimavam em continuar baralhadas. Era frustrante.

 

Sentei-me na cama e pensei em ouvir musica, mas para isso precisava do meus phones. O pior era encontrar os phones no meio da confusão do meu quarto. Tentei procurar uns fios brancos espalhados no chão, mas era verdadeiramente um bom desafio.

Algo nas exteriores chamaram a minha atenção.

Alguns pombos que costumavam estar no terraço estavam agora  a descansar na barra das exteriores. Um sentimento caloroso inexplicável brotou no peito. Eram os animais de estimação daquele homem que morrera injustamente no dia em que comecei esta narração. No fundo, eu sentia-me como se aquele senhor bondoso e amigo dos animais estivesse ali, a trazer-me a única companhia que teve na sua vida. Os pássaros brancos e belos estavam tão perto... Tão sedutores, reluzindo ao Sol.

Abri as portas da varanda com calma para não os espantar. Não sei se os pombos tem a mania de obeservar as pessoas, mas naquele momento parcia que sim. Eles moveram-se alguns centímetros na vala metálica e olharam com curiosidade. Ou só eu que estou a ficar louca.

Alcancei com as mãos a grade, senti o frio do metal. Olhei para cima, e as nuvens continuavam cinzentas e o sol continuava escondido. Mesmo sem sol, as aves brilhavam. E esse brilho era contagiante.

 

Percebi que os carros movimentavam-se no cruzamento, lá em baixo, as pessoas andavam pela avenida e as arvores de verde estúpido balançavam ao som do vento.

Uma liberdade incomum aparecera em mim e eu, por instantes, achei que poderia voar... Entregar-me ao vento, bater as asas e sair dali. E os pássaros tão brilhantes e os pontos das pessoas que eu via lá em baixo tão sedutores, cruzamentos tão embriagantes. Coisas pequenas que se agitavam rapidamente lá em baixo. Estava hipnotizada pelo movimento, pela cor e pelo brilho que tudo aquilo transmitia.


Coloquei os pés descalços numa das barras metálicas ferrugentas e levantei o corpo, projectando-o para fora. Senti o vento bater ainda mais forte no meu rosto, mas ainda estava com os pés do lado de dentro. Soltei uma das mãos que seguravam é barra metálica e o meu corpo balançou pela falta de equilíbrio. Olhei para trás e ninguém estava a ver-me, a porta do meu quarto continuava fechada. Então pensei. Talvez não se apercebessem… Talvez não dessem conta… Dependeria de mim acabar com isto e ninguém poderia fazer nada. Sorri com satisfação.

 

Soltei a mão que restava e perdi completamente o apoio. O meu corpo tremeu e foi impulsionado para a frente enquanto tentei manter-me equilibrada. Agora estava segura apenas pelos pés que se posicionavam numa das barras intermediárias. A última barra da exterior estava a bater nas minhas coxas, qualquer desequilíbrio e eu cairia lá em baixo. Encontraria a relva e as arvores estupidamente verdes.


Estava drogada pelo movimento da avenida. Pontos que se mexiam livremente, não estavam presos a nada nem a ninguém. Seguiam as suas vidas de pontos sem se preocupar com nada, formando uma dança de movimento.  Eu não estava a pensar, literalmente estava não estava a raciocinar. Deveria sim a estar louca.

Nunca pensei na morte, não pensei que poderia cair e simplesmente desaparecer. Eu seria apenas outro ponto lá em baixo. Só que estático, imóvel, parado, morto.

Não levei em consideração a realidade. Pensava que de algum modo, iria escapar. Iria voar entre os prédios da cidade mediana, chegaria um lugar onde não houvessem cores, seria tudo com cores quentes. Nunca mais veria o estúpido verde que estragou a minha vida. Seria só a Rebecca, sozinha e banhada pela luz e os pontos? Os pontos seguiriam o seu movimento normalmente mesmo que eu me fosse, continuariam com a sua vida. Porque é assim que a vida é.



Levantei os braços levemente e senti o vento na cara e nos cabelos. Eu iria para um lugar melhor. Depois talvez ate mandasse lembranças para o Din e para a a Cat. Esse lugar teria areia, tenho a certeza. Areia, Sol, vento.

Olhei para trás mais uma vez, e pensei em alguma coisa que eu queria levar comigo. Não havia nada. Não existia nada que eu quisesse manter, nada que me fizesse falta. Seniria falta de algumas pessoas, mas sabia, por exemplo, que o Kyle cuidaria da Cat e que o Din ficaria com a Miriam. Felizes.

Sim, porque a Miriam e o Kyle não são como o outro de olhos verdes. São genuínos, não mentem, não enganam, não tem desejo de vingança.


Voltei a olhar em frente e vi o horizonte. Eram horas de eu partir. Subi um dos pés para a barra mais alta, como se estivesse a subir umas escadas. Fiz o mesmo com o outro pé. E agora a ultima barra apenas me batia na linha abaixo do joelhoVoltei a olhar para frente e tentei observar o horizonte, era a hora de partir. Subi um dos pés e firmei-o em uma grade mais alta que a anterior, como se estivesse subindo uma escada. Fiz o mesmo com o outro pé e, agora, a última barra da sacada batia apenas na linha baixa dos meus joelhos.

 

E estava na hora hora. Senti mais uma vez o vento. E vi lá em baixo os pontos. Eu iria ter com eles. Iria estar para sempre com eles. E iria ser feliz com isso.

 

Estava na hora de ir. Estava na hora de ser feliz.


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publicado por RiiBaptista às 21:48 | link do post | comentar