23º Capitulo - Confronto - 1º parte

Olaaa aqui estou eu outra vez!!

Ja nao publicava á algum tempo!

desculpem ter feito esperar!!

espero que gostem$$

 

Ele não me respondeu. Eu sabia o porquê. O pouco tempo que eu o conhecia já era suficiente para entender que ele estava a queimar em fúria. O olhar forte e fechado era a prova fatal disso. Faltava pouco para que ele explodisse com raiva, apenas bastava que eu fizesse alguma insinuação sobre o Pedro…


- Tenho uma pessoa á minha espera lá em baixo... – disse propositadamente e vi as chamas a surgirem nos seus olhos verdes.

- Não quero que andes com ele. – e os seus lábios tremeram ao pronunciar essas palavras.

Ah, essa era boa. Desde quando é que eu permitia que um homem mandasse na minha vida? Sorri ironicamente, quem é que ele pensava que era?

- Tu não me precisas de trancar aqui, eu já te Odeio.


- És Péssima com mentiras. – Sorriu e aproximou-se devagar e com os passos a fazerem um barulho forte no chão espelhado.

- Não é mentira. – Contrariei sustentando o olhar. As pessoas tendem a olhar para baixo quando mentem, talvez eu não estivesse mesmo a mentir.

- Estou a perceber… mal fez duas semanas e já estas  a sair com aquele… Pedro, não é esse o nome dele? – Perguntou e encostou-se ao lava mãos. Colocou as costas contra a pedra e apoiou as mãos também no granito. Cruzou os pés à sua frente numa posição descontraída.

Ri-me . Além de me querer matar, agora ainda exigia exclusividade.

- O que é que tu queres Ian? Se queres acabar comigo, fá-lo, não tens ninguém aqui, mas poupa-me a esses Joguinhos.


- Esse já não é o meu plano... – Respondeu , tranquilo.

- Posso ir embora, então?

Ficar com ele ali, dentro de uma casa de banho trancada não era um situação muito confortável. Ele distraia-me de todo o ódio que sentia. Por momentos, vê-lo ali encostado á pedra, de braços cruzados e com a cara mais angelical possível, quase me fazia esquecer as ultimas semanas.

Ele também parecia tentar-se controlar. Alias, ele tinha um humor muito instável, era capaz de mudar completamente em segundos . Entrara ali a ponto de explodir e, após alguns segundos de conversa, já se conseguira acalmar.

- Não.

Era eu que não conseguia estar tranquila. Se ele me queria matar, tinha que ser numa casa de banho pública?
Respirei fundo e deixei  escapar  um suspiro, fechei os olhos e repeti o processo. Era uma questão de ego agora, não iria deixar que ele conseguisse o que parecia querer: tirar-me do sério.

- Óptimo.

Encostei-me também parede oposta e fitei-o despreocupada.

- Tu não podes Fazer isto

Nem me dei ao trabalho de responder. Ele já me estava a enervar.


- Ele não é de Confiança.

Gota de água.

- E quem és tu para me falares de confiança?


- Eu não te quero magoar.

-  Tu Já me Magoas-te!

- Tu Tambem. – disse devagar, e a olhar para o chão.


- O Pedro é boa pessoa.

- Ele segurou na tua mão.

- E daí? Dá para parar de ser infantil? Nós não temos mais nada, não deixei bem claro? Nada!


- Eu só quero o Teu bem.


- Como é que Tens coragem de dizer isso? – Levantei o tom de voz sem me dar conta, a raiva estava a querer transbordar.

- Ele pode ser uma ameaça. – disse baixinho e aproximou-se.

- Tu és uma ameaça. – Corrigi quase a gritar.

- Tu mudaste-me. Dantes eu era vazio, agora não. E embora tenha tentado, já não sou o mesmo. – E ficou bem perto de mim, ainda encostada na parede, e apoiou as duas mãos do lado da minha cabeça. Inclinou-se um pouco para frente e olhou-me profundamente.
Era um verde da embriaguez. Os meus pensamentos já não faziam sentido. Rolavam na minha cabeça sem qualquer padrão. E era isso que ele queria. Transformara-me numa personagem estúpida e deprimida, chegando á insanidade.


E eu sentia falta, muita falta das sensações quentes. Daquela impressão que me queimava por dentro, aquele fogo que ardia e aquece ao mesmo tempo. E doía, como doía. Fiquei Despedaçada ao perceber que eu era tão dependente, que estava presa a essa sensação e que não poderia fugir, nem preciso dizer, arrasou-me ainda mais ao descobrir que o que ele parecia sentir e retribuir por mim não era verdade, era tudo um plano. De repente, lembrei-me de toda a dor inicial, de como eu custava a fazer com que ela fosse embora e isso me tirou daquela neblina que, devido ao seu cheiro tão próximo, se instalara em minha cabeça.

- PARA DE MENTIR! Pelo menos uma vez, para de mentir! – Bradei bem alto deixando toda a defesa desmoronar e a raiva tomar conta de tudo. – Eu odeio-te!

Se eu não o conhecesse bem, acharia que ele estava prestes a chorar. A culpa habitou  asua face juntamente com o medo, o desespero e o desgosto que talvez sentisse de si mesmo. Olhou para baixo enquanto eu berrava todos os insultos que me vieram á cabeça. Pela primeira vez, pareceu aceita-los todos de cabeça baixa, nem sequer fez menção de retrucar ou desmentir.


- E Tu és fraco, Ian! Um covarde que não consegue lidar com os desastres e resolveste tornaste num assassino! – Continuei a bater com palavras e não pude evitar as lágrimas diante de tamanha raiva que estava retida.

Percebi então que ele estava bem próximo de mim, ainda a prender-me encostada á parede com as mãos apoiadas dos lados da minha cabeça. Quando finalmente parei de descontar toda a minha fúria, ele levantou a cabeça e olhou-me magoado. Aquela era a tão incomum expressão de sofrimento. Alguém que costumava se r tao frio como o gelo, estava finalmente a mostrar as suas dores

- Não grites mais alto do que o meu coração. – Disse em voz baixa cheia de amargura e encarou o chão novamente.

Fiquei em choque fitando os seus cabelos negros que escorriam para baixo. Tão perto e, ao mesmo tempo, tão distantes. Distantes dos meus dedos, da minha afeição. Distantes daquele tempo onde me sentia como se não precisasse de mais nada. Cabelos nos quais enterrei os meus dedos, olhos que contemplei com os meus, lábios agressivos e urgentes que eu sempre quis tão perto. Estavam ali, naquele único e raro momento em que demonstravam fraqueza.

Ainda em choque por ter gritado tudo e ainda mais surpresa com a reacção, toquei, ainda sem respirar, nos seus cabelos com os dedos que consegui levantar em tão pouco espaço. Ian ergueu a cabeça.

Observou o meu corpo a tremer e com os meus olhos arregalados de surpresa. Tive a impressão de que ele queria dizer algo, algo talvez mais importante que a própria existência, mas não conseguiu. Apenas sustentou o olhar cheio de um significado que eu não conseguia decifrar. E começou a aproximar-se.

Eu percebi. Ele estava a tentar envolver-me com os olhos verdes e abertos. Quentes e fortes. E estava quase a funcionar à medida que ele chegava mais perto e seu calor me acolhia. Eu queria, inconscientemente, aquele beijo. Os enérgicos arrepios que senti diante da aproximação dele mostraram-me o quanto eu o queria aquilo, mas eu, filha do carbono e do amoníaco, era repleta de contradições e inseguranças. Portanto, não me surpreendi muito quando a minha mente ficou em estado de alerta segundos antes do encontro das nossas bocas, os meus olhos arregalaram-se como se tivessem dado conta da situação naquele momento e, no instante seguinte, senti meus dedos frios a  arrebentem a minha face.

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publicado por RiiBaptista às 03:52 | link do post | comentar