Sábado, 14.08.10

15º Capitulo - Conexões...

Olá!! Tudo bem???

deixo vos aqui mais um capitulo...

sei que nao esta grande coisa mas é o que se arranja... --'

 

Desdo inicio do dia que eu tinha um pensamento.

‘Ir falar com o avo do Ian’

Era uma coisa de que necessitava, e que me ajudaria a lidar melhor com a situação. Queria esclarecer algumas coisas.

Claro que sabia que o Sr.Freedi ( o avo do Ian) podia não gostar de mim e ir contar ao neto a minha acção. E ai, provavelmente, o Ian ficaria chateado por eu me meter na vida dele…

Mas sinceramente, eu estava ruída por dentro. Queria conhecer o homem que perdeu o filho, e que tem os netos atrás dos assassinos.

Pensava nisto quando cheguei a casa. A Cat estava estendida no sofá, e…. Não, de certeza que estava a ver mal. Ela estava a comer chocolate?!

UAU! Milagre! A Cat é daquelas raparigas que é magrinha e não come quase nada… e vê-la a comer chocolate.

Isso só significava uma coisa: Ela não estava bem!!!

- Que se passa?

- Nada – respondeu ela dando uma nova dentada na tablete.

- Nada… - repeti – Nunca te vi comer chocolate assim, desde…. Bem, desde nunca!

- Já não posso comer chocolate, é?

- Não, não é isso… Mas - e sentei-me ao pé dela – a sério Cat, o que é que se passa?

- É o Kyle… - disse aborrecida.

- O que é que tem o Kyle?

- Eu… eu… - ela debatia-se com as palavras, como se quisesse arranjar uma desculpa, mas por fim disse – Eu sonhei com o Kyle! – disse ela de repente e levantando-se – Estás feliz? Pronto já disse: Sonhei com o Kyle! E depois? Qual é o problema? – e disparou tudo.

Ah! Entao era isso…

- Tem calma… Explica-me o sonho…

- Ok! – agora estava mais calma – Então, estávamos numa espécie de praia, não sei. E eu estava-o a beijar – isto fez-me lembrar qualquer coisa – e depois tu apareceste, e … só me lembro da agua… - ela parecia confusa – Foi tão estanho!

E olhou para mim como se eu tivesse a solução.

Mas eu não tinha a solução. Mas sabia que aquele sonho não tinha sido inventado, mas era sim uma memória. Uma memoria de uma das muitas noites de loucura da Cat. Mas esta era com o Kyle e ela estava preocupada. Estava a dar demasiado interesse a meu ver. Talvez porque tivesse ali a nascer alguma coisa…

- Resumindo: Sonhaste com o Kyle?

- Sim. Foi isso – disse ela derrotada.

- Não fiques assim – e abracei-a – Afinal já deves ter sonhado com mais rapazes, não? Isso não é nada.

- Sim já sonhei!!! Mas assim desta maneira NÃO! Isto foi muito intenso, percebes??

- Claro que sim querida! Olha eu tenho de ir falar com a Miriam, ficas bem?

- Sim, sim vai! A sério eu estou bem – e continuo-o a comer o chocolate.

Sai de casa e telefonei a Miriam, combinamos num café.

- Olá querida! – disse-me ela quando chegou ao pé de mim…

- Olá .. tudo bem?

- Sim e contigo?

- Tambem…

Ela sentou-se e pediu ao empregado um batido de morango.

- Entao… o que querias pedir?

- Tu sabes que eu ando preocupada com o teu irmão e…

- Queres ir falar com o meu avó, não é?

O que? Como é que ela sabe?

- Como é que sabias?

- Já suspeitava… se queres saber: era o que eu fazia no teu lugar…

A Miriam é realmente impecável …

- É que… eu não me quero meter na vida dele.. mas queria falar com o vosso avó para saber mais dessa historia…

- Sim, claro, eu percebo. O meu irmão também não me conta muito… Tu sabes como ele é protector…

- Exacto! Ele não me conta nada e eu também temo por ele e por ti tambem querida

- Tu é que és! – e sorriu-me. Não sei se era impressão minha ou a Miriam nunca teve muitas amigas. Talvez fosse como o Ian, insulada, dada ao rancor e á vingança. E agora vê-la aqui a sorrir comigo e a namorar com o meu irmão é… estranho? Não. É simplesmente lindo, maravilhoso.

Já que eu ia falar com o avo dela. E ela também o queria visitar. Fomos as duas juntas.

E, alguém tinha-me de levar. Não sabia muito bem onde é que ele morava…

Miriam e eu fomos a falar a viagem inteira. Não demorou mais de 1h sempre com a Miriam ao volante, mas mesmo assim, ria-se, falava, comentava…

Falamos do Din e do Ian. Das manias deles, dos problemas pessoais e da maneira de ser.

Ambas conhecíamos muito bem aqueles dois… Por isso não foi difícil falarmos deles.

Quando chegamos, eu estava anciosa, a Miriam parecia descontraída. Talves fosse de família, já o Ian quando quer parece muito descontraído. Ou talvez fosse só por ir vesitar o avo, afinal já tinha feito aquilo montes de vezes, não? Tinha de estar descontraída!

Chegamos a uma casa grande e rústica. Situava-se no meio de um monte. Era uma casa do campo, só que de gente rica. Era grande e lindíssima e a meu ver era mais uma quinta do que uma simples casa. Tinha um jardim/quintal enorme e com um imenso relvado lindo e verde vivo.

Miriam tocou á campainha e pouco tempo depois um senhor veio abrir a porta.

- Olá menina Miriam. – Cumprimentou o senhor, que pelos vistos era empregado. Olhou muito serio para mim e a Miriam acrescentou:

- É uma amiga. É a Rebecca.

O empregado ficou mais aliviado.

- Bem-vinda menina Rebecca

- Obrigada!

- Entrai por favor – disse e encaminhou-nos para uma sala de estar.

Lá estava um senhor de uma idade avançada que rapidamente se levantou quando nos avistou.

- Avo! – disse a Miriam e correu para o abraçar.

- Com esta minha querida?

- Muito bem, obrigada e você?

- Tambem… então quem é essa menina?

- Esta é a Rebecca! Rebecca este é o Avo Freddi. Avo Freddi esta é a Rebecca.

- Prazer! – e sorri-lhe. O senhor parecia ser muito amigável

- Entao? A que se deve a honra desta visita?

- Não diga nada ao Ian, por favor – começou a Miriam, e o senhor assentiu. Pareceu perceber. – A Rebecca namora com o Ian e como eu não consigo ‘explicar’ muito bem e tu sabes como é o Ian, ela quis vir saber mais…

- Humm já estou a perceber! O Ian nunca esclarece muito bem , não é Rebecca? Ainda bem que a trouxeste aqui Miriam… Rebecca não queres vir ali ao meu escritório para falarmos melhor?

- Bem, se quiser … - comecei. Até me dava mais jeito, não queria fazer tanta questão á frente de Miriam

- Façam isso que eu vou ver ali umas coisas… - disse a Miriam.

Miriam ausentou e nós fomos para o Escritório.

O Sr.Freddi mandou-me sentar e começou o nosso dialogo. Depois de alguns esclarecimentos, ele fez-me uma pergunta no mínimo bizarra:

- Para que é que vivemos, Rebecca?

- Não sei – era uma pergunta que me assombrara vezes sem conta. Nunca soubera a resposta.


- Eu digo-te : Ninguém sabe. Como é que o Ian pode saber?

Tudo o que ele tinha dito até agora era algo sempre muito sábio. E talvez a chave tivesse ai. Se soubéssemos o para quê da vida, talvez não tivéssemos tantos conflitos entre humanos.

- O rapaz esta movido pelo ódio, pela ira. Ninguem o pode culpar.


- O senhor está a dizer que ele é assim porque quer?

- Não, eu estou a dizer que ele esta cego pela vingança. Ele só quer vingar a  morte dos pais…

- E como posso convencê-lo do contrário?

- Não sei. Mas eu acho que já estas a conseguir… para ele parar por uns tempos… se calhar a única solução é o amor.


esta teoria batia certo com a minha. Amor substitui o ódio. Só esspero é que haja amor sufeciente…


- Eu poderia tratar melhor da situação se eu percebesse melhor…

- O que é que não percebes?


- Quer dizer, a Miriam sofreu o mesmo que ele e não se tornou numa assassina. Quando conheci o Ian ele era totalmente obscuro, mas a Miriam não.


- Estás a fazer comparações?

- Naturalmente.

A mim parecia-me obvio. Eles tinham passado pelo mesmo… e tinham reagido de maneiras tão diferentes. Porquê?


- Supõe que tens isto. – O velho pegou uma caneta que tinha em cima da secretaria. – Se tu a perdesses… O que é que fazias?


- Hum... Compraria uma nova?

- Exacto.

- Mas o que isso tem a v...?

- Eu posso perdê-la e ficar o dia todo a procura-la, alguém pode perdê-la e ficar tranquilo e  pensar “eu nem sequer precisava de uma caneta”, outra pessoa pode enlouquecer se perdê-la porque, no fim das contas, era uma caneta de estimação... Existem milhares de possibilidades, Rebecca. O facto é que somos diferentes. Reagimos ás situações de maneiras diferentes.

Visto desta maneira, era compreensível. Eles são diferentes e tem personalidades diferentes, logo, tem maneiras de reagir diferentes.

Achei que já tinha esclarecido por hora, as minhas duvidas. Levantei-me devagar. O homem percebeu e também se levantou.

Estava-me a olhar de uma maneira muito concentrada.


- Bom, acho que a Miriam já deve quer ir se embora…

- Sim, sim claro!. – Balançou como quando o Ian queria afastar alguns pensamentos. – Mas Rebecca, - Chamou-me e então virei-me e olhei-o – Tem muito cuidado com ele.

- Porquê? – Franzi o sobrolho e imaginei o que ele queria dizer com o ‘muito cuidado’.

- Porque eu conheço-o e o Ian pode por vezes ser violento, devido ao ódio percebes?


- O quê? O senhor acha que ele me vai magoar ou algo assim? –  Perguntei surpreendida. Como se o Ian fosse capaz disso…

Provavelmente o avo não compreendia o nosso sentimento.


- Eu podia dizer-te que estou errado e não te preocupar, mas é meu dever avisar-te.

- Porque é que me está a assustar? – perguntei surpresa.


- Segue-me. – Disse bastante sério. Tao sério que me meteu um bocado de receio.


Haviam várias medalhas, troféus, diplomas, acessórios que pareciam comuns, mas que deveriam guardar algum valor sentimental ou histórico e fotografias. Dezenas delas em porta-retratos ou quadro pregados na parede. Fotos de times de futebol, de campeonatos de golfe, de formaturas, de familiares todas dispostas com cuidado excessivo.

Sr. Freddi levantou a mão enrugada e tocou numa das fotografias que estava em cima da madeira lustrada, segurou-a com cuidado e entregou-ma.

Observei uma foto antiga na qual havia um grupo de15 pessoas adultas, alguns em pé atrás e outros sentados á frente. Mulheres e homens vestidos formalmente e com um sorriso triunfante no rosto.

Não entendi exactamente porquê é que o avô do Ian me estava a mostrar esta fotografia como se fosse a chave de todo o problema, o motivo do meu perigo.

- Alguma destas pessoas te é familiar, Rebecca?

Estranhei a pergunta. Mas reparei melhor na foto e examinei cada rosto.


- Este aqui – apontou com o dedo enrugado para um rapaz bonito em pé, no centro do grupo - é meu filho.

E ao lado, muitos anos mais novo e com um ar mais saudável conheci um homem

- Este aqui – e desta vez fui eu quem apontei – é meu pai.

 

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Terça-feira, 10.08.10

14º Capitulo - Um fogo, um amor

Consegui finalmente acabar o capitulo...

Obrigada pela compreençao!
Espero que gostem :)

 

 

- Senta-te. – Disse o Ian calmamente enquanto me deitava no sofá.


Tinha que fazer muito esforço para não vomitar. Naquele momento, parecia que todo o jantar queria sair disparado pela boca.
O meu pai estava morto há 5 anos. Há 5 longos e duros anos. Isto seria no mínimo uma brincadeira de mau gosto.


Não fazia ele querer do nada deixar-me uma encomenda. E porque é que só a podia receber aos 18 anos? E melhor, porque é que a encomenda não foi para o Din? É mais velho e mais responsável. E porque me deixara uma encomenda para os meus 18 anos? Será que previa a sua própria morte? Quem é que previa a sua própria morte?


Tentei concentrar-me noutra coisa. Mas não consegui. O jantar continuava ás voltas no estômago.


Deitei-me com cautela no sofá da sala e percebi os movimentos rápidos do Sam para buscar um copo d’água ou retirar a minha franja da frente do meu rosto. Pude sentir o seu olhar preocupado a analisar-me, como se fizesse um raio-x para tentar descobrir o que é que eu tinha.
O que é que eu tinha?



- Está tudo bem. – Disse alisando os meus cabelos. Tenho a certeza que ele estava a perceber o meu ponto de vista.


Quando finalmente consegui focar a visão, reparei na Cat a ler atenciosamente a carta.


- O que é que achas que é ? – perguntou-me com um tom serio. A Cat só estava serias nos momentos mesmo importantes.

- Não faço ideia… - constatei em voz baixa…

- E… lamento informar-te, mas só poderás saber daqui a 4 meses… - disse o Ian em voz baixa. É verdade, só fazia anos daqui a 4 meses.

Tinha que estar á espera 4 e longos, tururantes meses. Onde muito podia acontecer…


- Vamos mudar de assunto. Cat arruma isso. – Disse o Ian e ela obedeceu. Arrumou a carta dentro de uma gaveta e sentou-se novamente no chão – Ainda estás tonta? – Disse ele ajoelhando-se ao meu lado e aproximou-se de mim.


- Eu estou bem.

- Não, não estás. – E lançou-me um olhar de preocupação que eu não gostava… Esse olhar diminuía o verde claro dos olhos, tornando-os mais melancólicos e escuros. – Mas vais ficar…

- Era melhor ires para o quarto com ela, Ian – disse a Cat, pondo a mão no ombro do Ian.

- Sim, é melhor – concordou – Precisas de descansar, querida.

Pegou-me cuidadosamente ao colo e levou-me para o quarto. Lá deitou-me na cama e deitou-se ao pé de mim.

- Eu só que... Não entendo.

- O que é que nao entendes? – Disse enquanto beijava os meus cabelos.


- Por que eu? O que é que eu posso receber de tão importante? É que eu não quero receber nada. Podem ficar com isso …

- Não sabes o que é …. – Ele tinha razão.

- Não é nada que valha a segurança da minha família e amigos. – Sim, porque eu tinha a certeza que o assalto á uns tempos, tinha sido por causa desta encomenda – Eu entregarei isso a quem o quiser,...

- Não pode fazer isso… – Disse enquanto virou a minha cintura e colocou-me em cima dele.


- Claro que posso. Eu não quero esta herança.

- Se eu teu pai te deixou isto para os teus 18 anos, quer dizer que achou que tinha responsabilidade e maturidade para guardar isso com sabedoria, pensa nisso.

- Ai esta outra questão… Porque eu? e não o Din? Ele é mais velho e mais responsável…

- Talvez ele acha-se que tu irias lidar melhor com o assunto do que o Din, não sei.


Olhei para baixo e vi o seu rosto dolorosamente bonito. Era incrível como eu odiava quando ele estava certo. Apesar desse pacote que o meu pai me deixou ser, na maior probabilidade, o objecto que nos está a colocar em perigo, era algo que ele me deixara por alguma razão. Eu não poderia simplesmente entregar essa coisa a um estranho. Quero dizer, entregaria o saque ao ladrão? Claro que não, isso era uma estupidez. Mas, e para proteger a minha família? Faria-o?


Fiquei a pensar nisto montes de tempo, e o Ian deu-me o espaço e a paz que eu precisava.

Algum tempo depois, o cansaço venceu-me e já nem as festas do Ian na minha cabeça faziam-me estar acoradada.

*



De manha acordei com o Ian a mexer-me no cabelo, e percebi que ele tinha lá passado a noite. Era por isto que ele era tão importante. Ele estava sempre lá quando era preciso…

Á tarde encontrei o Din, e mostrei-lhe a carta. Ele ficou tão apreensivo como eu.

- Sabes o que poderá ser? – Perguntei eu a medo. Será que ele leva a mal do pai ter confiado nele e não em mim?

- Não sei linda… Mas não te preocupes.

- Como não fico preocupada?! Vou receber não sei o quê do nosso pai, que morreu á 5 anos… e tu dizes-me para não me preocupar?!

O meu tom de voz estava agora mais elevado. O Din também elevou a voz, para não ficar em desvantagem.

- Ree! Não fazemos ideia do que seja isto! Só temos de esperar. Arrumas esta merda e daqui a  meses falamos! Esta bem?

Detestava quando o Din gritava assim comigo.  Mas as coisas ficaram por aqui.

 

As coisas na faculdade estavam a andar bem. Alem das minhas notas terem estabilizado, os exames finais estavam á porta. Eu estava preparada e depois disso era só Festa.Os dias passaram, e eu distraia-me muito facilmente. Pensava nas hipoteses
de encomendas possíveis. Uma dessas distraçoes foi quando estávamos a jogar ás palavras.

- “Pacote, entrega, final, tempo, pai, vida”. Tens a certeza que não queres falar sobre isso?


- Sobre o quê?

As minhas tentativas de o enganar iam sempre pelo cano abaixo. Mas o Ian respeitava-me. Respeitava o meu silencio, o meu não querer falar do assunto.

- Vai ser hoje! – disse o Ian de repente, fazendo-me saltar do lugar.

- Vai ser hoje, o quê? – perguntei a medo. Sabe-se lá o que vai naquela cabecinha! xD

- A tua primeira aula de condução! – disse com muito entusiasmo – Vamos? – disse já a levantar-se.

- Mas tens a certez…

- Claro que sim! – Interrompeu-me e pegou-me na mão. Pegou no casaco e saímos.

Avistei o BMW preto dele ao longe. Estávamos no parque do prédio. E o Ian praticamente me arrastava atrás dele. A alegria dele fazia-me feliz. Era tão bom ver o Ian assim…

- Retira o pé bem devagar... – Disse calmamente. Ian estava sentado no banco do passageiro. Só entrei no carro com a garantia de que não tinha nem carros, nem pessoas num raio de 100 metros

O carro saltou.

- Eu disse devagar! – Disse a rir-se da minha falta de habilidade para o assunto.

O parque estava praticamente vazio. Não Haia problemas falhar uma vez.


- Eu retirei devagar! – Respondi enraivecida. Alem do meu namorado se estar a rir de mim, aquele carro simplesmente não me obedecia. – Foi devagar! – resmunguei dando uma pancada no volante.


Ao que me pareceu, esta situação só deu mais motivos ao Ian para se rir mais de mim.

- Calma, Ree.

- Eu estou calma!

- Não estás, não. – Disse controlando o ataque de risos.


- Acho melhor desistirmos. – Cruzei os braços. Afinal: quem é que precisava de conduzir quando se tinha auto-carros e metros por toda a cidade?


- Isso é que não. Tu és esperta Vais conseguir. - E sorriu, abriu a porta do passageiro e saiu.


- Onde é que vais? – Gritei e estiquei-me para a direita, para ver o onde é que ele ia. Fiquei um pouco assustada quando ele abriu a minha porta de repente.


- Chega-te para lá – Disse ele com um ar divertido. Sentou-se no lugar do condutor e fechou a porta. O meu primeiro instinto foi tentar passar para o assento ao lado deste, mas ele segurou na  minha mão. – O que é que estas a fazer? Ver-me conduzir não vai ajudar em nada. Há coisas que só se aprendem com a pratica, Ree.

Sentei-me no seu colo.

Seria uma situação normal, se não estivéssemos numa situação tão estranha e num espaço muito apertado. O meu coração começou a disparar, era muito contacto e foi então que eu percebi que eu não tinha tanto auto-controlo como pensei que tinha.


Ele, ao contrário, pareceu bem à vontade. Não fazia muitos movimentos, nem aproveitou a aproximação para me tocar. Lentamente, arrastou os meus cabelos para o outro lado e encostou o rosto próximo à minha cabeça.

- Aperta aquele pedal.

- Como é que queres que eu faça isso?

Era uma pergunta bem coerente, já que eu apesar de ser alta, naquele momento a minha cabeça tocava no tecto e os meus pés estavam bem longe dos pedais.

- Ok, vamos fazer diferente. – Disse com um olhar pensativo e afastou as pernas. – Senta-te bem – Disse e depois empurrou o banco para trás, de maneira a dar-me mais espaço. Sentei-me directamente no acento, agora conseguia alcançar os pedais, mas a respiração dele, estava agora mais perto do meu pescoço e isso não ajudou em nada – Consegues agora?

- Sim.

- Óptimo, agora tenta-te concentrar.

Difícil.

Aos poucos estava-me a habituar a ele ali. Mas percebi que por mais tempo que passa-se eu ia sempre sentir isto.

Uma corrente. Um fogo. Uma energia. Um amor.



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Sexta-feira, 06.08.10

13º Capitulo - Cartas na mesa - 2º Parte

Aqui está outro capitulo *_*

Nao esta nada de jeito... mas comentem...

mesmo quem nao custuma...

só para eu saber se a fic vos esta a agradar ou nao...

E sejam sinceros!!!

 

...

 

- Tu não entendes, pois não? Tu NÃO tens de ser nada, Tu já és.

E ele sorriu emocionado. Ambos queríamos avançar e tornar ‘oficial’ este namoro, mas ambos tínhamos medo. O futuro para nós era demasiado obscuro para que uma incerteza não surgisse. Preferia encarar isso com paixão e simplicidade.

- Tu és tudo o que eu quero, porque tu és tu o que eu nao sou…– E sorriu com tristeza, abraçando-me mais. – Sê minha.

Balancei a cabeça carinhosamente no seu peito forte. Não precisei de dizer nada para aceitar o pedido. Eu era dele. Ele sabia-o.
Não dissemos nada pelo resto daquela noite fria e chuvosa. Era difícil triturar todos estes desafios ao mesmo tempo, mas isso não significava que, alguma vez, eu pensasse na desistência. Depois de ficarmos mais um tempo ali, juntos, no sofá ele levantou-se e eu acompanhei-o até a porta. Deu-me um beijo leve de despedida e subiu as escadas, ainda pensativo.

Eu tinha a certeza que também não era fácil para ele. Quer dizer, saber que me ponha a vida em risco não era uma coisa nada leve.

Agora que estava a pensar… Devíamos mas era ir falar com o avó dele, para saber mais sobre o tal ‘projecto desaparecido’, talvez ele soube-se de alguma coisa…


Tranquei a porta ainda a pensar nisto. De certa forma , eu estava feliz. A nossa conversa deu para esclarecer algumas coisas, o que era bom. Ele não me pediu em namoro, porque estava com medo de que isso me prejudica-se. E, o principal, é que ele não pensou nisso de maneira física – como eu, estupidamente, tinha feito.


Entrei no meu quarto já com um pouco de sono, tinha sido um dia um pouco cansativo demais.

Vesti uma camisola larga e deitei-me. Quando apaguei as luzes é que vi.


Por cima de mim, no tecto, estava escrito a um amarelo brilhante – aquelas tintas que brilham no escuro – ‘Sê minha’ e um coração maravilhoso. A letra era perfeita, e o coração minuciosamente bem desenhado. Os meus olhos brilharam com a mensagem. Comecei a pensar quando é que ele tinha feito isto. Provavelmente entrou pelas escadas exteriores, sem que quem estivesse em casa se apercebesse.

Estava em paz comigo mesma. Finalmente tinha encontrado alguém que me ama-se de verdade. Ele não estava a passar tempo comigo, estava sim, a viver a vida comigo.

Dormi e de certeza que sonhei com o Ian. <3



No outro dia lá fui eu.

Fui de auto-carro ao hospital e fiz os tais exames, e estava tudo bem. Agora já podia fazer o peso necessário no pé ou seja, estava livre.


Foi muito reconfortante poder andar de novo normalmente, apesar de alguns tropeços no início, até foi facil. Para treinar mais um pouco, fui ter com a Cat á biblioteca.

Quando cheguei, começou-me a o pisar o meu pé. Com a desculpa de o estar a ‘inaugurar’. Só a Cat!


Ficamos a falar durante montes de tempo. Perdia sempre a noção do tempo quando estava a falar com a CatEla percebeu que eu estava feliz e então,  contei-lhe partes da conversa que tivera com o Ian na noite passada.


- Entao vocês namoram! – constatou ela com animação.

- Não é bem assim... – Respondi seria. Ela não sabia da parte dos assassinatos e isso.


- Na minha terra, “Sê minha” significa namoro.

Não fiz objecção, porque se tal acontecesse ela poderia desconfiar de que eu escondia factos. Factos esses que se chegassem ao Din, não era bom sinal.

Estivermos pouco tempo mais na biblioteca. Fomos depois para um café.

Quando dei por mim já era noite.

- Vais agora para casa? – perguntei á Cat.

- Nã, fiquei agora com o turno da noite na loja…

- Não me disses-te nada porque? Queres que eu vá contigo?

- Não, não! Quero que vás para casa, hoje o Din acho que vai lá estar… e pergunta-lhe como vão as coisas com a Miriam. – e olhou-me com um olhar malicioso.

- Tá! Eu pergunto!

E fui-me embora.

Lembrai-me do compromisso do Ian com a May, por isso passei pelo supermercado para fazer tempo. Comprei gelado de cereja – tal como o Ian gosta - e cervejas. Não sei o que é que acontece, mas sempre que eu compro 25 cervejas, no outro dia já só lá estam 10. Eu bebo, é certo, mas só eu é que as compro…
Entrei no apartamento e encontrei  o Din e a Miriam relativamente íntimos no sofá a verem televisão.

Aclarei a garganta para chamar a atenção. A Miriam saiu logo de cima do Din e ambos olharam para mim...

 

- Humm… Olá! – disse eu.

- Olá Ree, como estás?

- Bem, obrigada… E não se…humm… interronpam por minha causa… vou só por isto na cozinha e vou para o quarto.

- Não, não vale a pena – apressou-se o Din – Parece que alguém já sabe das novidades… - e sorriu para a Miriam, que lhe sorriu de volta.

- Não!!! A sério?

Que fixe! A irmã do meu ‘namorado’, namorava  com o meu irmão…

Eles faziam mesmo um par jeitoso.

- Pois… parece que sim. – confirmou a Miriam.

- Que bom! Felicidades! – e abracei a Miriam que já estava em pé – Bom, agora vou arrumar isto e vou mesmo para o quarto…

- Fica aqui… não incomodas – disse o Din. Agora parecia que o sorriso nunca abandonava a cara daqueles dois.

- Sabes Din. Eu estudo! Eu quero ser jornalista! Para isso tenho de estudar! – Disse, como se estivesse a explicar a minha vida a uma criança. – E … tenta não beber as cervejas todas, esta bem? E nem penses tocar no gelado… -  e fiz cara de assassina. O gelado e para mais tarde, para mim e para o Ian.

Fiz um hambúrguer e levei-o para o quarto com uma cerveja e batatas fritas. Estava mesmo com fome…

Comi o meu manjar e depois fui estudar.

Já eram 10h da noite e já tinha estudado 2horas… estava farta de tanta letra…

A reunião do Ian estava mesmo a demorar…

Eu confio nele… só não confio é nela…

Fui para o pc. Estava deitada na cama a ver a minha caixa de e-mails quando ouso um bater na porta suave.

- Posso? – perguntou-me uma voz conhecida. Olhei para ele, tinha nas mãos o gelado e duas colheres.

- Alguem que me conhece muito bem comprou este gelado que eu adoro. E decidi partilha-lo com quem mais adoro…

- A sério?! E quem é ela? – Disse levantando-me e abracei-o. Ele pousou o gelado e as colheres na cama.

- É uma rapariga muito bonita – e colocou-me as mãos na cintura fazendo-me estremecer – e que tem um estilo que eu adoro… - e tocou na minha saia, que era abaixo do joelho. – Tem um cabelo espectacular – tocou-me no cabelo – e uns lábios lindos…

E beijou-me! Amei aquele beijo. Ele tinha uma mão na minha cabeça e outra nas minhas costas. Eu tinha o braço direito a rodear-lhe o pescoço – para estar mais próximo de mim, como se fosse possível – e o outro braço na cintura dele.

O beijo começou suave, mas rapidamente se tornou ofegante e forte. Ficamos ali a beijarmo-nos, quando fomos interrompidos.

- O que é que estão a fazer? – perguntou o Din com a voz inexpressiva. Porra!

A Miriam estava atrás com um sorriso malicioso. Pôs a mão no ombro do Din.

- Deixa lá.

- É melhor… - disse o Din. E reparei que ele agora também sorria. Olhei de solagio para o Ian, e ele estava super descontraído…

- A Cat já chegou e nós vamos dar uma volta, e Ree, vê lá onde tinhas a mão … - Disse o Din quando se virou e fechou a porta. O Ian soltou um risinho.

Juro que a minha mão estava na cintura dele, o Din deve ter problemas de visão. Recompusemo-nos e decidimos ir comer o gelado para a sala.

A Cat estava no chão, como era mania dela e eu e o Ian sentamo-nos no sofá.

- Queres gelado? – Perguntei-lhe….

- Claro que não! Isso é uma fonte enorme de gordura…

Pus-lhe gelado numa taça e dei-a para a mão.

- Come o gelado e cala-te! – devia gostar mesmo do gelado, ou então não resistiu, porque começou logo a come-lo.

- Bem…Como é que correu o trabalho? – perguntei á Cat para cortar o silencio do filme.

- Nada de especial… Mas sabes quem é que apareceu lá? – E olhou-me.

- Quem?

- O Pedro – Senti o Ian a ficar tenso e abracei-o mais. – Já não é a primeira vez, sabes.

- E … porque é que ele foi lá?

- Como se não soubesses!  Está sempre a perguntar por ti … - suspirou em tom de inveja.


- Como é que é? – Agora o Ian estava irritado e parou de olhar para a Tv para dar atenção á Cat.


- ‘Quando é que a Ree tem folga?’, ‘ A Ree tem namorado?’, ‘ Qual é a comida preferida da Ree?’, ‘ O que é que eu vou dar á Ree?’ quase um louco. – e comeu outra colherada do gelado

Ian cruzou os braços e olhou para mim com um olhar de quem diz Eu avisei-te!


- Eu não sei o que eu fiz... Eu... Não tive culpa. – Disse finalmente. Não tenho culpa de agora um ex meu lembrar-se de mim do nada e ficar assim obcecado.


- Vamos mudar de assunto? – Perguntou o Ian a mexer nos meus cabelos.

- Por favor… – Respondeu a Cat enquanto enfiava a colher no gelado como se estivesse a esfaquear alguém.


- Ree, eu estive a pensar... – Disse mais animado. – Sabes do que é que tu precisas?


Reflecti na pergunta durante algum tempo. Tinha muita coisa do qual precisava.

- Diz

- Aprender a conduzir.

Nenhuma delas envolvia isso.

Cat não pôde conter o riso alto e irônico.

- Não estás a falar a sério, pois não?. – Disse com humor.

- Estou sim.

- Quem é que me vai ensinar? – Sim, porque eu ainda tenho 17 anos, não 18.

- Estou a pensar em comprar um carro, por isso eu posso-te ensinar. Iria ser interessante.
- Um carro? – Perguntou a Cat.

- Sim. – Respondeu a sorrir e dando de ombros.

- Tu vais precisar de um trator! – E riu novamente.

- Não digas isso, não pode ser tão mau assim!


- “Não pode ser tão mau assim?” – Parou de rir e, de repente, ficou séria. – Uma tempestade ‘não pode ser tão mau assim!’, o apocalipse ‘não pode ser tão mau assim!’, extra-terrestres malignos e superdesenvolvidos que se apoderam da terra e transformam os humanos em escravos ‘não pode ser tão mau assim!’. A Rebecca a conduzir? Pode ser tão mau assim! Ela não tem qualquer coordenação motora!


- Isso é mentira. – Apressei-me a reclamar. Eu posso não ter muito controlo sobre mim, mas sobre um carro posso, ou não.


- Ela vai ter um bom professor. – Sorriu e piscou-me o olho.

 

Neste momento a campainha da porta fez-se soar por toda a casa.
Quando abri a porta vi um homem. Um homem de fato e bastante simpático estava á minha porta a pedir para eu assinar o comprovativo de que eu tinha recebido aquela carta.

Era estranho tanto aparato por causa de uma carta, mas assinei devido á curiosidade que fluía em mim.

Abri a carta atabalhoadamente…
Num papel branco e luxuoso era legível:


Prezada Sr. Rebecca Grizzo
É de nosso conhecimento de que o seu aniversário de dezoito anos ocorrerá em alguns meses, portanto, é de nosso dever informar que uma encomenda foi guardada em seu nome com a incumbência de lhe ser entregue na data em que a Sr. chegará à maioridade. O nosso contratante, Sr. Daniel Grizzo, já lidou com todas as despesas incluídas no nosso serviço. Estamos avisando com antecedência para que a Sr  possa se encarregar de possível transporte ou disponibilidade para buscar a encomenda no nosso endereço do rodapé no requerido dia. Cabe lembrar que a encomenda só poderá ser entregue nas próprias mãos de Rebecca Grizzo visto à apresentação de documento.
Honradamente,
Sr. Rogério Garcia, chefe do departamento de informação.



Senti tudo a desaparecer á minha volta, estava muito tonta.


- O que aconteceu? – Perguntou o Ian, quando me apoiou com os braços.

Não conseguia respirar.


- O meu pai deixou-me uma encomenda.

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Quinta-feira, 05.08.10

aviso!

A minha fic agora vai começar a ficar melhor :)

e eu estive a pensar e acho que vou criar um blog só para ela...

já que este blog é o meu pessoal!

 

Quando eu tiver alguma coisa em concreto eu digo!

 

Agora a fic sai todas as segundas e sextas...

 

eu aviso se houver alguma alteraçao

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publicado por RiiBaptista às 01:15 | link do post | comentar | ver comentários (9)

13º Capitulo - Cartas na mesa - 1º Parte

Eu sei que já nao escrevo a algum tempo...

Mas eu queria avançar com a historia ... e

Agora vou começar a publicar todas as sextas e segundas!!!

 

Beijinhos meus amores....

 

e eu sei que é pequenino... mas sexta á mais e maior !!! xD

 

Gostem !

 

Eu ri-me também. Eu gostava de o picar no assunto do Pedro. Adorava ver o Ian com ciúmes.


- Amanhã vou chegar um bocadinho mais tarde. – Informou.

- Ãh? Porquê?!

- Porque vou ter uma reunião com a May á tarde. – Disse despreocupado. Aquela May! Nunca foi á bola com ela. Era ela que tratava da publicação dos livros do Ian e isso…

Olhei para o Ian com uma cara de admiração. Ele ia ter uma ‘reunião com a Mayizinha’ em vez de estar comigo?!

Ele revirou os olhos e sorriu. Percebeu os meus ciúmes.

- Não tenho nada com a May. – Defendeu-se.

- Ela passa a vida a ter ‘reunioezinhas’ – e fiz o sinal de aspas com as mãos – com o MEU namorado!

- Ela não me deu bombons de amora.

- Sorte a dela. – Sorri ameaçadoramente.

- Hum, que perigosa.

E beijou-me. Comecei a pensar na nossa relação e distrai-me um bocadinho do beijo

- Qual é o problema?

- Não é nada.

- Vamos ter sempre esta conversa? Tu esqueceste que estás aqui, eu pergunto o que é que se passa e tu dizes que não se passa nada.


- Sinceridade... Achas que esta relação tem futuro?


- Então é isso. – Ele chegou ao assunto rapidamente.


Era mesmo isso. Eu queria saber, afinal, se a nossa relação iria durar ou não. Se era uma coisa séria para ele…

Começou a falar com calma.

- Tu sabes que esta não era a minha vida. Eu a esta hora devia estar… bem, tu sabes. E eu deixei isso por tua causa. E não fazia isso por qualquer uma, aliás nunca fiz.


Olhei-o nos olhos e reparei nos seus olhos verdes que pareciam muito mais claros e calmos do que anteriormente. Eu sabia que era verdade e estava feliz por o saber, ele continuava a investigar, mas era só para prevenir. A ideia de matar estava posta de lado, por enquanto.

- Mas eu não posso ter nada mais serio contigo… - e retirou-me uma madeixa de cabelo da frente da minha cara – Se a associação descobre que eu tenho uma relação contigo… é capaz … - e ai estranhamente, estremeceu – É muito perigoso para ti…


- Estás a tentar dizer que não devemos…? – perguntei confusa….


- Não. Apesar deste meu erro de te envolver demasiado no perigo, eu neste momento, amo esse erro – e apertou-me mais contra si – Tambem sou demasiado egoísta. – disse já a rir.

- Estas sempre a dizer que é um erro teu. Como se fosses um ‘mostro’ - e esta ultima palavra disse-a com repugnância. Achava tudo do Ian, menos ele ser um mostro.

Suspirou fundo e disse:

- Mas talvez seja, Ree. Eu não sou um peseodo-assassino do cinema… Eu mato, Ree! E mato a sério… O inferno está-me destinado…


- Precisas mesmo de ler uns livros de auto estima…

Ele riu.


- Tu nem te importas, pois não?


- Não… Quer dizer, antes estava, mas agora já não. Já não sinto medo… e acerca do que tu fizeste… está feito, e não se pode voltar atrás. Só te perguntei para ter a certeza que isto não era uma brincadeira…


E riu-se mais uma vez. Eu sinceramente não estava a ver onde é que estava a piada, mas pronto!

- Não é a brincar…


- Como é que sabes? Quer dizer… as relações humana nunca foram fáceis… Quantos casamesntos lindos e perfeitos terminaram num divorcio? Quantas ‘amigas para sempre tive que nem duraram 2 anos

 

- Tu tens uma visão muito pessimista da realidade…


- Olha m’este!  Passas-te agora para o lado hippie foi? – E encostei a minha cara mais á dele, de forma a que os nossos narizes se tocassem. Conseguia sentir a respiração dele… – Tudo bem que eu sou meia ‘hippie’ … Mas tenho os pés assentes na terra…Não é tudo paz e amor, as relações desmoronam-se … é normal…!


- Não te posso prometer que seja para sempre, Ree. Mas neste momento eu quer que seja. Porque, sinceramente, nunca quis tanto alguém, como te quero a ti.


- “Que seja infinito enquanto dura”.

- O quê?

- Vinicius de Moraes. – Afirmei em voz baixa e a olhar para baixo. Eu podia já começar a pensar no fim. Mas… de que servia? Ele ia demorar mais por eu me preocupar mais com ele? Não.

Eu podia começar a pensar nisso… Mas não quero!


- Não quero que fiques triste. – Disse quando percebeu a minha reaçao – O que eu quero dizer é que se ficarmos-nos a perguntar se será para sempre, o nosso para sempre esgostasse. Talvez dure, talvez não. Mas eu quero que dure...


- Carpe Diem, aproveita o dia. Eu entendi.

- Talvez no meu caso, a noite. – Pois, já que ele só me vinha visitar á noite – Mas não penses que estou a fugir das minhas responsabilidades contigo. Não estou a usar isto como desculpa para fugir a um compromisso.

- Eu sei.

- Só quero deixar claro que a minha maior vontade seria ter sempre, a vida toda, mas, nas circunstâncias actuais, é impossível. É demasiado perigoso.


- Eu não me importo.

- Agora.

- Como é que sabes?


- Porque eu sei as limitações do nosso relacionamento

 

- Mas eu sei que vais-te fartar, um dia.


- Não vou, não...

- Vais sim, Ree. Não entendes?

- Estás a falar de sexo?


Foi a primeira coisa que me ocorreu. É claro que ao ritmo a que andávamos, um dia ia acontecer. Eu queria que assim fosse.

O Ian foi o namorado  mais marcante até agora. Queria perder a virgindade com ele.

Com ele sentia-me segura. E apesar da diferença de 5 anos de idade, com ele não sentia-me abusada nem nada disso.


- O sexo não é o mais importante.

Não é o mais importante, como ele disse. O que implica que é importante… mas não muito. Mas é.  xD


E depois deste pensamento, senti-me uma idiota. Senti-me uma idiota por ter ido para o lado carnal, por ter pensado no prazer físico e não no psicológico.


- Entao…? – disse ainda um pouco corada.

- Tu vais-te cansar… Quer dizer… Não podes andar comigo na rua, porque alguém me pode associar a ti e ficas a correr perigo… logo, não podemos casar nem ter bens, como uma casa, carros juntos. Não podemos vir a ter filhos… porque a vida dele ficaria em grande perigo. Não podemos…

- PÁRA! – Gritei e interrompi-o – Não quero saber nada disso!! Desde que estejamos juntos, não me interessa mais nada!

Mesmo que ele significasse o perigo, eu não o iria deixar.


Eu percebi que não o convencera. Era um bocadinho cabeça rija.


- Eu sei que um dia destes tu vais-te perguntar: Porque que é que eu namoro com um rapaz que é um assassino, e que eu corro o risco de ser assassinada por causa dele?

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Sábado, 24.07.10

12ºCapitulo - Resaca xD - Parte 2

Gostem :P

 

 

Decidi telefonar á Cat…

Á 3º vez ela decidiu atender. Ouvi a voz rouca e quase adormecida do outro lado da linha!

- Ree, não achas que devias esperar que amanheça, para telefonares a um domingo?

- Já amanheceu!

- O verbo “amanhecer” implica que o dia só começa depois das onze. E devia ter um tempo extra pela festa de ontem!

- Bom dia, mal humorada! – Disse eu tentado reunir toda a animalao possível numa só frase.


- Bom dia... – Disse ainda com um voz estremunhada – Conta-me o que aconteceu ontem enquanto eu lavo a cara para tentar manter meus olhos abertos…

- Não á nada para contar…

- Não me enganes! Lembro-me perfeitamente do vos ver a ir conversar para trás de uma pedra grande. Agora parece que essa pedra está no lugar da minha cabeça, céus! O que é que se passou comigo?

- Não devias ter bebido.

- Ele disse-me que era quase sem álcool.

- Quase sem álcool? Tu estavas mais delirante do que a Tia Matilde em dia de casamento!

 

Ri-me com a memoria. Mas isso despertou-me uma dor intensa, uma pontada no peito. Por mais que esconde-se, a morte dos meus pais [e o saber que pode ter sido intencional] iria continuar comigo, para toda a minha vida.

- Por favor, diz-me que eu não fiz nada estúpido.

- Acho que não. – Eu não iria falar do Kyle. Deixaria essa bomba explodir bem longe das minhas mãos ou, provavelmente, nem explodiria.

- Ainda bem. Mas…- ela fez uma pausa, provavelmente para olhar em redor - Onde é que eu estou?

- Era por isso que eu estava a ligar. Não resconheces a casa?

- Nã! Já aqui estive?

- Já Cat! É a casa do Ian e do Kyle, e da Miriam…

- Humm… - a informação ainda não lhe tinha chegado ao cérebro… - O QUE? – Gritou!

‘Agora é que a informação chegou-lhe ao cérebro’ pensei para mim mesma.



- Sim… o Kyle teve a gentileza de te deixar em casa dele… já que é mesmo em cima da nossa…- expliquei com calma.

- Ah já estou a perceber - disse maliciosamente – Estás com o Ian?

Ignorei-a.

- Olha Cat! Não acho que os transplantes de fígado sejam baratos, sabes?


- Vou parar de beber, assério – Quantas vezes é que ela prometeu isto afinal? -  É que o Thiago deu-me a bebida a sorrir e… OMG! Estava lindo a sorrir! Não tive como não aceitar…

- E o Kyle, Cat? – queria saber quais eram os pensamentos dela acerca do Kyle.

- O Kyle também é um pão! … Mas acho que não me dá muita bola. – Lamentou-se… Ela não tem mesmo noção da coisas -.-

- Entao…

- Vou deixar de beber, Prometo!

- Óptimo...

- E então? Como é que ele é?

Corei. Tinha de falar baixo. Afinal o Ian estava mesmo ao pé de mim. Levantei-me e foi para ao pé da janela. Fiquei de pé, ao ver os carros a passar.


- Bonito e divertido, como percebeste.

- Não quis dizer isso, sua doida – disse ela divertida, finalmente ela estava a acordar! – Como é que foi o beijo?


- Tu viste?

- Ah!! Então houve mesmo um beijo! – Disse quase a gritar e orgulhosa de si mesma. Eu geralmente não cairia nesta antiga piadinha de palavras, mas estava distraída a olhar para a rua. – Ele parece ser bem bom nisso!

- Ei! Mal saiu o Sol e já estás acesa !? – repreendi -  Não vou falar disso.

- Cortas sempre a diversão!

- Fazes sempre perguntas indiscretas!

- Estás apaixonada, por isso é que não queres falar.


- O quê? – Esganicei por completo. Aquela palavra não me trazia mesmo boas lembranças. Era uma palavra que me parecia ser muito passageira e, eu queria que aquele sentimento durasse para sempre.


- Não queres contar os pormenores, porque gostas dele – Riu-se – Confessa!


- Não estou apaixonada. Eu só sinto que, pela primeira vez, encontrei alguém que me completa e que me compreende. Que principalmente me aceita e me quer como. Sem contar o fato de que só ele consegue ser tão frio e tão quente ao mesmo tempo de uma maneira tão... Tão...

- Definitivamente apaixonada. -E desligou deixando-me sem defesa possível. Poisei o telemóvel na mesa da cozinha e fui buscar uma maça. Dei a 1º dentada e olhei para o Ian. Reparava-se que era um sono superficial, que mal um barulho maior ele acordava logo. Não tinha sono, por isso decidi ir para a janela.

Ver os carros a passar trazia-me paz. Sabia que no lucal estava um stress e um barulho infernal. Mas ali em casa, eu não ouvia nada. E isso deixava-me feliz.

Senti umas mãos na cintura e um beijo no pescoço.

- Bom dia meu bem! – Saudou-me o meu bem mais precioso

---

Alguns dias passaram e eu estava cada vez mais poxima de saber o que é que estava a sentir. Talvez seja cedo demais para afirmar uma alguma coisa, mas eu sentia o ar a sair com dificuldade sempre que ele estava por perto. Era como se eu estivesse presa em uma bolha de um sentimento desconhecido, não conseguia encontrar saída e aquela nova bolha era o meu novo lar.

Ele frequentava a minha casa á noite. Ás vezes juntava-se lá com o Din, a Miriam, O Kyle e a Cat. Jantávamos e jogamos playstation como autênticos adolescentes. O Ian e o Kyle continuavam a ver se descobriam alguma coisa sobre a tal associação, mas ainda nada. Eu agora tinha menos medo. Passava os dias na faculdade com os meus amigos e com a Cat, e á noite estava sempre com o Ian. Penso que ele até fazia isso para eu ter menos medo, não sei. A verdade é que eu gostava de viver assim.


- Já te podes aproveitar de mim – disse eu quando tirei a camisola que estava enchercada. Estava a chover a potes nesse dia.


- És sempre tu que começas – E soltou um risinho – Tu não resiste!


- Humilde tu! – Sorri de volta – Então vamos para com isto…

- Eu deixo tu aproveitares-te de mim – Riu e abraçou-me, deitando-me (como já é habito) em cima dele. – Eu achei que ela tinha morrido. – Apontou para uma senhora da televisão.

- Tinha, a Maria empurrou-a para uma lagoa e foi comida por um crocodilo. Mas fizeram-lhe um transplante de cérebro e está de volta.

- Criativo.

- O mais bizarro é que já vi… A Cat diz que é possível.


- Ela é meia doida, não é? – Disse, mas com muito divertimento.

Ultimamente eles tem se dado bem. Embora a Cat esteja se sempre a atirar-se a ele [e eu já lhe avisei] a relação está estável.

- É… pode dizer que sim.

- Eu acho que o Kyle anda meio apanhadinho!

- Asério?

- Sim, ele antes era tão profissional e frio. Era mais… como posso dizer… menos social, talvez?!

- Sim… - refleti na relação deles o dois. A Cat já me tinha dito qualquer coisa, mas acho que para ela ainda não é um sentimento muito grande.


- Queres que eu te leve amanha á noite?

- O quê? Onde? – Perguntei-me se tinha alguma coisa combinada.

- Ao exame ao pé . – Sim, porque essa questão ainda não andava arrumada. Ainda nem se quer conseguia subir escadas… e tinha de por um gele que me deixava o pé dormente e sem tacto. Horrivel!

- Ah.

- Até parece que não estás ansiosa de voltar ao normal.

- E estou, por isso mesmo é que vou á tarde.

- Porque é que não queres que te leve? – Eu não queria que ele pensasse que eu não queria que ele me levasse...

- Não é isso, é que quero poder testar umas coisas.

- Tipo o quê? – E sorriu maliciosamente.

- Tipo voltar a subir pelas escadas.

- Hum. Tu devias para com essas maluquices

- Tu não gostas de entrar aqui pela janela? Eu gosto de subir e descer pelas escadas.

- Odeio quando me deixas sem saber o que responder.


- Tu também me fazes isso.

E era verdade. Ele tinha esse poder de me deixar sem palavrinhas na boca.


- Quem é que te vai levar?

- Aonde?

- Ao hospital.

- Vou de auto-carro. – Ele abriu a boca para fazer uma objecção, mas eu curtir logo. – Tenho ido de auto-carro à tarde para estudar com a Rebecca todos os dias, não vai haver problema. Mas porque perguntas?

- Achei que o outro te fosse levar.


- Ah! Vai sim. E, no caminho, vamos fugir para casar no México. – Reclamei.

O ‘outro’ era o Pedro. Estava com uma crise de ciúmes fora do comum desde o dia que descobriu que o Pedro às vezes, vinha-nos visitar e trouxera uma caixa de bombons de amora com ele. Eu gostava dele, e também gostei do chocolate. :P

Mas afinal, que rações tinha ele para ter ciúmes? Não que eu não estivesse a gostar, claro. Se ele passasse dos limites eu, certamente, iria colocar um fim nisso. Mas ele só fazia aquela cara de quem estava emburrado, é uma fofura. Ri ao pensar nisso.

- O quê? Não foi engraçado. - Disse quando eu me apertei mais ao seu corpo quente no sofá. Definitivamente precisávamos de um sofá maior.

- Não era para ter graça, eu a falar a sério.

- Ah, então tu vais ser a Sr. Delli ? – E cheirou os meus cabelos, o que [e ele sabia] me deixou arrepiada.


- Não, vou manter o meu nome. – Sorri. O apelido do Pedro era um bocado estranho.


- Tu sabes que eu não vou deixar isso acontecer.

- O quê? Preferes que eu troque de nome? E encarei-o.


- Estou a falar do casamento, sua doida

- Vais-me raptar, é? – E olhei para ele com um ar convencido.


- Se for preciso. – Deus de ombro e Riu.

sinto-me: :)
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Quinta-feira, 22.07.10

12ºCapitulo - Resaca xD

Nao está nada de especial...

Mas... se quiserem leiam, se nao quiserem  nao leiam!

Para quem vai ler! Divirtam-se!

 

Quando chegamos a casa o Din e a Miriam ainda não tinham chegado. Estavamos sozinhos.

 

Abri a porta e sentei-me no sofá. Estava a começar o D.House e decidi ver.

Fui buscar um iogurte para comer.

 

-Queres comer alguma coisa?

 

- Não me apetece! Agora anda para aqui! – disse o Ian a sorrir.

 

Fui para o sofá. Ele estava a deitado de lado, e eu fui me deitar também.

Ele encaixou-me a cabeça debaixo do queixo dele.

 

- Confortável? – e assenti com a cabeça.

 

O meu telefone tinha que interromper o momento.

Imma be, Imma be … os black eyes peas ouviram-se pela sala toda.

Suspirei e estiquei o braço para chegar a ele …

 

- Estou?

 

‘Estou Ree?’

 

- Olha quem é ele… Tudo bem? - Era um ex namorado meu…. O Pedro! É super divertido e continuamos amigos depois de acabarmos… muito amigos até!

Percebi que o Ian, por mais que quisesse disfarçar, estava a ouvir a conversa com toda a atenção.

 

‘ Sim e Contigo?’ ele tinha mesmo uma voz espetacular :D

 

- Tambem! Aliás estou sempre bem!

 

‘ Humm! Ainda bem querida! Olha tens planos para hoje á noite?

É que eu tenho hoje a minha casa vazia e…’

 

Pronto… eu já sabia. Isto no Pedro é frequente, embora eu recose sempre.

Ainda sou virgem, e esse foi um dos motivos para acabar com o Pedro.

 

- Hummm! Já estou a perceber… Mas… Pedro eu continuou…

 

‘ Ah! Ok! Continuas virgem… ok, ok! Nao te preocupes querida! Eu compreendo…’

 

- És um rapaz impecável! Ficas bem?

 

‘Claro miúda! Cuida-te! Beijnhos!’

 

- Beijinhos!

 

E desliguei…

Olhei para o Ian e…

- Estás com ciúmes?

Ele estava com uma cara… Meu deus. Como se quizesse apertar o pescoço a alguém!

- O quê? De quem?

 

Ele não me enganava :D ele estava ruidinho de ciúmes.


- Que giro! Estás com ciúmes… - e piquei-o mais…


Sentei-me novamente no sofá. Mas agora o Ian já não estava deitado.Estava praticamente sentado a olhar para mim.


- Como se tivesse motivos... – Respondeu com aquelo sorriso sarcástico, que eu odeio, ou talvez ame! Não sei… é tipo amor/ódio.

- O quê? Estás a dizer que eu não era capaz de ir para a cama com ele? – Detesto quando me controlam desta maneira. Se eu quizer, eu faço e pronto!


- Não é que não tinhas coragem! Mas tu não queres…- E piscou-me o olho.


O meu problema é que não o queria admitir. Não a ele. Sim é verdade. Eu não quero mais ninguém, sem ser o Ian. E tenho medo. Tenho medo que ele se aperceba disso, e mude.

 

- Mas…

 

. Sim? Perguntei curiosa… Ele pegou-me na cintura e deitou-me, colocando-me praticamente em cima dele.

 

- Tu já foste para a cama com ele? – perguntou a medo…

 

UAU! Estava mesmo com ciúmes … Eu gosto disso.

Tinhamos que falar nisto. O Ian provavelmente já não é virgem. Claro que não é. Quero dizer… ele tem 22 anos e é homem.

 

Eu, não é que não tive oportunidade, porque tive muitas… Só que nunca quis. Quero fazer isso com a pessoa certa.

 

- Não…

 

De repente, senti algo que talvez sentira poucas vezes antes. Estavamos ali sozinhos, a olharmo-nos nos olhos, depois duma noite em que choramos, rimos e amamos.Nao me consegui conter.
Peguei na camisa dele pelo colarinho e beijei-o. Ele correspondeu ferozmente ao meu estímulo e pegou na minha cintura e encostou-me ao outro lado do sofá, ficando ele por cima. As minhas mãos percorreram-lhe a nuca, e agarraram os seus cabelos. Ele estava apoiado com as mãos no sofá, e percebi que ele fazia isto para não perder o controlo.


Definitivamente tudo nele me atraia. Até a maneira de ele andar. O aspecto perigoso dele, mas que eu considero seguro.O olhar forte e implacável, mas que eu considero terno e sedutor…


O meu corpo estava acorresponder perigosamente ao corpo do Ian, por exemplo, as pernas fraquejarem? Quero dizer, que raio é isso? Podia pensar que seriam as hormonas, mas o meu coração por vezes parcia bater tanto que poderia saltar a qualquer momento. Decididamente não era só o físico.

Explorava e saboreava a boca dele, quando ouvi o som de uma chave a entrar na fechadura. A maçaneta rodou. Sentei-me logo e tentei-me recompor. O mesmo aconteceu com o Ian, mas tarde demais

- O que é que se esta a passar? – e surpreendentemente o Din não estava a gritar. Alias, estava camo e sereno, como se já estivesse á espera do que tinha visto.


- Nada… - respondi apressadamente.

 

- Pois, tabem – respondeu pouco convencido, e foi para o quarto.

Fechou a porta mas abriu-a outra vez. Virou-se para o Ian e disse:

 

- Ele é minha irmã, ok?! Cuidadinho com o que fazes. E fechou outra vez a porta.

 

Ian virou-se para mim – Tu aproveitaste-te de mim! – acusou-me com um sorrisinho de humor negro.

 

- Processa-me! e arqueai a sobrancelha. Beijo-o. Desta vez foi menos ofegante, mas não menos bom. Mordi-lhe o lábio. Ele geme-o e olhou para mim supresso mas ao mesmo tempo deliciado.

 

- Não te resisto, não tenho culpa! Defendime!


----

 



O domingo esta nublado. Parecia que ia chover. Mas apesar do clima estar fanhoso, no meu mundo estava um dia radiante cheio de sol.

Tinha o meu amor comigo, literalmente.

Tinha-mos adormecido no sofá juntos. A televisão ainda estava ligada. Senti o peso do braço do Ian a rodear-me a barriga. O que me faz acelerar a respiração.

Por falar em respiração… sentia a dele no meu pescoço. Era calma e serena. Sexy acima de tudo.


Levantei-me com o barulho do despertador do telemóvel, mas a verdade é que estive acordada desda hora em que os pássaros começaram a cantar.

O Ian nem tinha acordado com os pássaros, nem com o telemóvel [embora eu nem o deixasse tocar mais de 2 segundos], apesar de se ter mexido.

 

É claro que eu não esquecera que eu tinha problemas e, aliás, muitos. Um deles o facto de ter um namorado vingativo. E vi uma faceta dele na noite anterior que não gostei. Quando ele ameaçou aquele tal thiago, aquele olhar feroz… Não gostei de o ver assim…Mas de que valia eu estar a pensar nisso?! Nada.

‘Que se lixe!’ pensei. Tinha que pensar no bom da situação.


Uma delas é claro, foram as palavras que ele me disse antes e depois do nosso beijo. Aquelas palavras ficariam para sempre marcadas na minha alma. Ai senti que ele estava a ser ele mesmo. Que me estava a desvendar o seu mais intimo. Estava a confiar em mim. Estava a abrir-se para este sentimento estranho que nos une.

A questão é que quando ele conversa comigo está sempre com aquele humor divertido e brincalhão ou, quando fala de coisas desagradáveis como de crimes que cometera ou da morte dos pais, parece simplesmente vazio, mas naquele momento não.


E, de repente, senti-me cheia por um sentimento embriagante, como a última gota de orvalho sob o sol do meio dia, como a última estrela que brilha num céu nublado, esperança. Eu não sabia como, mas simplesmente carregava comigo a fé de que conseguiria mudar as coisas, conseguiria ultrapassar todos os problemas e, no final, não haveria mais obstáculos.

Tinha uma mensagem no meu telemovel…

 

Ree,

Trouxe a Cat para minha casa…

Eu de manha tenho de ir a um sitio e não vou lá estar…

Por isso telefona-lhe quando acordares para ela não se assustar…

Beijos,

Kyle

sinto-me: Bem!!!!
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Quinta-feira, 15.07.10

11º Capitulo - 2º Parte - Surpresas

Aqui esta ! E se nao gostarem desta porcaria, nem se deem ao trabalho de comentar! Eu percebo!


Cat e Kyle estavam na areia a agarrarem-se como se estivessem literalmente colados. Ele já estava sem a camisa e ela com a saia toda levantada. Um lapso de bom senso no covil das cobras. Aquela cena fez o meu estômago dar uma reviravolta. Eu esperava que acontecesse alguma coisa entre eles, mas tão cedo? E, meu Deus, a coisa estava mesmo a pegar fogo.

Eles estavam cada vez mais juntos. Beijavam-se com ferocidade e muito rapidamente. O Kyle ia para tirar o vestido dela quando decidi interromper. Não queria que eles fizessem isso, aqui: Na praia e com uma varanda cheia de gente a 10 metros de distancia.

 


- Ei! – Disse alto. – O que é que estam a fazer?

O Kyle congelou na hora e tirou as mãos da minha amiga, mas ela continuou a esticar as  suas mãos na direção do pescoço dele como se não me estivesse a ver.

- Ree! – Ele arregalou muito os olhos e começou a vestir a camisa. – Não é isso que estás a pensar!

- Perdes-te alguma coisa na garganta dela?

- Não.

- Então é exactamente o que eu estou a pensar! Não tens vergonha?

Ele afastou-se dela rapidamente, ela parou de lutar e deitou-se na areia com o rosto virado para o outro lado.

- Ela está bêbada, Kyle! Não devias aproveitar isso para…



- O quê? Não! – levantou-se, andou para mim e começou a agitar os braços desesperado. – Tu não entendes! Ela estava aqui sozinha e quando vim ver o que tinha acontecido ela começou a agarrar-me,  juro!

Eu não duvidei dele. Tudo bem que era um ‘bacano’ e estava sempre na maior, mas nunca o derrespeitou-me, nem a mim, nem á Cat. Não o poderia acusar de embebedá-la para tirar vantagem da sua fragilidade momentânea.
Andei mais alguns passos na areia onde vi o que o copo da Cat estivera a segurar . Kyle aproximou o nariz do recipiente.

- Eu não sabia que ela estava bêbada. – Falou com um poço de tristeza.


- Ela disse-me que a bebida dela não tinha álcool ! Porque é que ela me mentiria?

- Ree... – E usou um tom pesado. – A Cat disse-te quem é que lhe tinha dado a bebida?

 

- Não… mas provavelmente o Thiago… Não sei!

 

O Thiago… o mais recente ‘interessado’ na Cat.

Esperem um segundo!


- Está-me a dizer que achas que ele fez isto de propósito ??


- Bem, tenho certeza que ela não nos mentiria sobre isto. – Kyle  deu de ombros.

O meu sangue ferveu em fúria. Eu não poderia acreditar que alguém tivera a coragem de embebedar a Cat  para fazer não gosto nem de imaginar o quê com ela.

- Dá-lhe um banho!

- Quê?

- Molha a cabeça dela com água fria, talvez ela melhore. –Nesse momento ainda ouvia a Cat a dizer coisas sem nexo na areia.


- Ela vai me matar se eu lhe molhar o cabelo! – Tentou convencer-me de que não seria uma boa idéia.

- Ela vai te matar se souber que TU a deixas-te neste estado.

E eu tinha a certeza que ela iria flipar quando soubesse o que tinha feito nos momentos em que estava fora de si.

Kyle aproximou-se dela com todo o cuidado. Ele era exactamente como o Ian: não sabia controlar muito a sua força… Mas fez o esforço.



Eu tentei, mas não me controlei. Saí de trás de todas aquelas pedras e avistei o tal Thiago. Um rapaz alto e do tipo atlético que estava a conversar animadamente com outros rapazes da faculdade, á volta de uma mesa. Não sei de que tipo de jogo estavam a jogar, mas havia cartas, várias raparigas com bikinis á volta, bebida e tabaco. Era uma vergonha usar esta praia como casino.


- O que é que estavas a pensar quando embebedaste a Cat? Idiota! – Gritei enquando me aproximava. Ele levantou-se e os amiguinhos começaram a rir-se.

- Quem és tu? – perguntou quase a desequilibrar-se. Não estava muito sóbrio. – A mae dela, é? – e os outros riram.

- Não, mas já percebi a tua idade mental e talvez deva perguntar se a tua mãe sabe que tu estás fora de casa,

 

Ouvi mais pessoas a rir.

- Porque é que não vais chatear outro imbecil ??


- Não dá. Nessa festa, só tu é que te encaixas nessa categoria. – E dei um sorriso falso e foi aí que ele ficou irritado e resolveu partir para a violencia.

Recuei alguns passos. Ele pegou numa garrafa vazia que estava na mesa e começou a avançar.

- Encosta um dedo nela e estás morto. – ameaçou uma voz vinda do meu lado. Uma voz inconfundível.

- Humm. Ela tem guarda-costas! – Disse bastante alto. A verdade é que o Ian estava sozinho, e o tal Thiago tinha metade da faculdade do lado dele.


Ian agarrou numa base de madeira que estava enterrada na areia. Ela ainda tinha alguns enfeitos com tema praia e era feita de uma madeira muito resistente e moldada em forma cilíndrica com uns oito centímetros de diâmetro. Retirou-a da areia com facilidade e, usando só as mãos, partiu-a ao meio.

Eu fiquei de boca aberta. Tudo bem que ele tinha músculos salientes e tinha uma aparência bem forte, mas aquilo passou dos limites. Parecia um daqueles mestres japoneses que partem tijolos com a testa.

E … o olhar estava diferente. Vingativo, feroz, irado. Estava-me a meter… Medo.

Sei que ele nunca me faria mal… mas… aquele olhar não parecia ser do Ian que eu conhecia.

Quando olhei em redor, percebi que não era só eu que estava boquiaberta. Pude perceber o terror estampado na face dos outros. Todos ficaram calados e de olhos arregalados por alguns segundos que, a mim, pareceram ser horas. Thiago olhou para mim e depois para o Ian e sentou-se novamente onde estivera minutos atrás, preferiu não desafiá-lo. E preferiu bem.



Á medida que o barulho das conversas aumentava, puchei o Ian para um canto desértico.


- Defendeste-me! – Tentei não mudar de tom, mas estava contrariada.
Ele ficou confuso.

- Isso é mau?

- Eu não preciso que me defendam. – Talvez eu fosse orgulhosa demais, mas eu não precisava de um guarda-costas.


- Está bem! Da próxima vez eu deixo-o partir-te ao meio – Respondeu irritado.

- Tudo bem, nao... Eu não quero ser partida ao meio... Só não estou habituada a ter proteçao.


- Habitua-te. – Respondeu ainda contrariado por eu ter reivindicado sua acção defensiva.

Deslizei as mãos sobre o seu peito rígido e levei-as até ao seu pescoço, ele fechou os olhos.

- Eu vou me habituar. – Disse eu a sussurrar baixinho a tentar desfazer o seu mau humor.


No mesmo segundo, encostou-me com força á rocha e esmagou-me com um beijo ainda mais ardente que o anterior. Urgente e sedento, eu simplesmente adorava a maneira de como ele me beijava. Eu agarrei nos seus cabelos pretos e lisos e puxei-o mais.
Eu sentia-me muito melhor quando entrava em contacto com os lábios doces e sedentos dele, como se me dessem vida. Desde que o conheci, a cada vez que ele sorria, sentia o meu coração a galopar no peito, a cada vez que o tocava, estremecia. Eu agora tinha acerteza de que sempre soube que ele era o que eu precisava, mas tinha estado a negar isso a mim mesma. Depois de algum tempo, Ian desistiu e afastou-se de mim.


- Quê? – Perguntei ainda meia sem chão quando ele parou.

- Se continuarmos assim– ofegou – Terei de ir tomar um duche de água fria...

Duche de água fria…. Cat!!

- Tenho de ir ver como é que o Kyle se está a safar com a Cat!

- Quê? Safar com o quê?

 

- O Kyle deve estar a dar um banho á Cat!

 

- Banho? Eu pensava que eles ainda eram só amigos!


Ele ficou um pouco assustado, talvez o Kyle ainda não lhe tivesse contado o que sente pela Cat. Mas isso notasse á distancia…. Esse não era o problema, a Cat está bêbada.



- Ela está bêbada. É uma longa história.

- Foi por isso que foste discutir com o rapaz? – e alterou-se de novo. – Óptimo. Um gajo embebeda uma amiga tua e tu vais enfrenta-lo.


- Claro. Esperavas o quê? Que eu visse tudo acontecer e ficasse de braços cruzados? Eu preocupo-m com as outras pessoas, Ian. Não podemos levar a vida com um filme. Ficar sentado a ver… Temos que agir, IAN!


Arqueou a sobrancelha perante a minha rápida resposta

 

.Mas Era o que eu pensava. Se todos pensássemos ‘ O problema não é meu!’ ninguém chegava a algum lado. Não existia relações de amizade, de namoro. Não havia qualquer relaao entre as pessoas.


- Tudo bem. Eu até percebo essa tua atitude de te preocupares com os outros.  Mas essa atitude já te partiu o pé… e se eu não estivesse lá? E se o rapaz te tivesse mesmo agredido?


- Ele nunca me bateria. Ninguém espanca ninguém em frente de montes de pessoas.

- Esse é tua maneira de pensar! Mas um dia eu posso não estar lá para partir uma decoração para meter medo!

- Por falar nisso, como é que conseguiste partir aquilo?

- Aplica-se a força com as duas mãos. – Explicou como se eu não soubesse nada sobre o assunto.

- Ninguém o conseguia, mesmo assim!

- Não foi nada… Era muito frágil!. – Respondeu e olhou para o outro lado.


Eu conhecia-o bastante para saber que ele me estava a enganar. Ele apenas não me queria assustar com a sua força ‘descomunal’… como se isso me assustasse… Nada me assusta vindo dele. Apenas me traz paz, tranquilidade e segurança…

- Optimo! Tas-me a fazer de idiota, é?

- Isso seria em vão. – Sorriu malicioso, mas eu não engoli aquela. Ele estava-me a distrair do tema principal.


- O que é que tu fazes mais? Também ficas invisível?

- Seria um bom poder para se ter, não? – E ouvi aquele sorriso de piada que só ele é capaz de fazer – Vá vamos! Quero ir ver como é que as coisas estão com o Kyle e a Cat!


- Não me esqueço – Ameacei enquanto encostava o dedo indicador com força no peito dele.


Fui até á casa de banho, mas a Cat não estava lá. Sai a chutar garrafas de cerveja para a areia. Fui com o Ian ate á praia, mas também não os encontrei.


Notei que para onde eu ia, todos me seguiam com os olhos. Provavelmente por cauda do Ian, a fofoca já devia estar mais que espalhada.

No fundo eu até achara piada. Mesmo sem gostar que os outros me defendam, porque eu consigo resolver os meus problemas, foi agradável saber que alguém se preocupava comigo…

Além do mais, tenho acerteza de que isto faria com que as pessoas, no futuro, pensassem duas vezes antes de se meterem comigo.

- Hey, Petry! – Gritei ao longe quando avistei um tufo de cabelos tão loiros, quase brancos, voando para cá e para lá ao lado do bar.
Ela estava a conversar com um rapaz e sorria como um crocodilo prestes a atacar. Todos estes rituais de conquista foram atrapalhados com o meu grito. Virou-se com a maior má vontade e sibilou:

- O que você queres? Não estás a  ver que estou ocupada? – Fogo! Estava mesmo erritada. Estava a gritar…

Aproximei-me dela, a furar a multidão…


- Viste a Cat?

- Por que é que eu me importaria com essa oxisnada?


Tive vontade de lhe dar um murro, mas sorri… senti uma mão no meu ombro. Percebi que o Ian apercebeu-se da minha vontade.


- Ainda tens que me dizer de onde vêem esses cabelos braços! – Disse bem alto, e ai senti o braço do Ian a deslizar para a minha cintura – Tu sabes a vida de toda a gente! Viste-a ou não?


Fez um trejeito estranho com os lábios e repondeu de má vontade:


- Aquele teu amigo girinho levou-a a casa. Mais alguma coisa? – Sorriu sinica.

- Não. Obrigada.

- E, Rebecazina!! – Já tinha virado costas quando ela me chamou… o Ian foi andando. Aproximei-me

 

– Quem é aquele que trouxes-te?

- Não interessa.

- É que ele é diferente… não parece normal…


Ela estava-me a ataquar… era o que ela sabia fazer melhor… levar os outros a perderam a paciência.


- Olha-te ao espelho e revê os teus critérios de normalidade!

 

Virei-me e fui-me embora.

Funcionou. Ela tinha-me irritado, ofendeu a Cat e ao Ian a chama-lo anormal. Claro que é essa ‘anormalidade’ que me seduzia nele. Afinal nos apaixonamo-nos pela pessoa diferente - para nos – e não pela igual a todas as outras. Mas eu sabia que ela usara a palavra no pior sentido possível.E isso fez o meu sangue ferver.



A volta para casa foi tranquila, achei até mais divertida e tranquilizante que a ida para a festa. Eua gora não me sentia dividida. Tinha assumido o que sentia, perante o Ian e perante mim.

Tinha aceitado que ele era – os problemas dele – e quem eu era.
Agora tinha de tentar faze-lo desistir da ideia da vingança. Não lhe fazia bem!


- Não quero que fiques preocupada. – Disse já no parque de estacionamento – Já disse que não tive intenção...

- Eu sei, mas o que é que podemos fazer?

-Não dá para volta atrás, e isso eu tenho acerteza!

- Isso significa...? – Perguntei enquanto subia com dificuldade de saltos a rampa para o prédio. Com o Ian ao pé de mim, podia me dar ao luxo de usar saltos altos. Não ficava alta demais para ele.


- Que eu sinto que é errado, mas …irresistível – Respondeu já quando estavmos á espera do elevador. Gostei de ouvir aquilo.

- E o que é que pensas fazer em relação a isso?

Riu-se!

- Isto.

O elevador abriu, e ele empurrou-me para dentro. Encostou-me á parede do elevador, e esmagou-me – mais uma vez – com os seus lábios doces. E de repente tudo era fogo. Estava por toda a parte. Ele estava por toda a parte. Agora, o Ian fazia parte da minha vida, de mim. Agora, eu sabia que por pouco que durasse este relacionamento, eu ia-o recordar para todo o sempre!

 

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Domingo, 11.07.10

11º Capitulo - 1º Parte - Surpresas

Finalmente acabei a 1º parte do 11ºcapitulo !

Espero que gostem desta porcaria...

 

Ainda estás com frio? – Perguntou depois de algum tempo.

Desde que nosso primeiro beijo ocorreu resolvemos ficar parados somente a aproveitar a presença um do outro. Estávamos deitados na areia da praia, ainda de frente para o mar e escondidos pela grande rocha que nos separava do resto da festa. Ian estava sentado com as pernas estendidas e eu estava deitada no seu colo protegida com os  seus braços num abraço apertado.

Balancei a cabeça em resposta à sua pergunta e ele abraçou-me mais. Ficamos assim por vários minutos até eu perceber que esse não era o propósito da festa. Tudo bem que ficar agarrada ao Ian e, pela primeira vez em muito tempo, sentir que alguém realmente estava a cuidar de mim e não o contrário era muito bom, mas eu levei-o aquela festa para nos divertirmos e isso não estava a acontecer. Eu já tinha chorado e o deixado-o aflito, discutimos e gritamos um com o outro, agora estava tudo bem, mas não significa que nos estávamos a divertir.

- Queres dançar? – Perguntei tempos depois.

Ele parou de olhar o mar e fintou-me.


- Tu não podes fazer esforço com o pé.

- Não estás a ajudar. – Respondi calmamente.

- O que é que estás a tentar fazer? – Sorriu divertido.

- Só queria que nos  divertissemos. – Mandei os ombros para trás e olhei para cima onde o rosto dele estava muito perto do meu, mas ao contrário, como quando o homem-aranha beija a Mary Jane.

- Eu estou-me a divertir. – Respondeu e sorriu para mim.


- Não estamos a fazer nada de divertido. – Estar ali na praia não era o mesmo que estar numa festa de arromba.

- Eu acho divertido mexer nos teus cabelos.

Não disse mais nada. Não iria discutir o que é que para um era divertido e para outro não.

Afinal, para mim também não era mau.Muito pelo crontrario.

- Como é que é para ti?



- O quê? – Ele perguntou calmamente ainda mexendo nos cachos do cabelo.

- Como é que te sentes... assim a ser preseguido?

- É muito angustiante. – Respondeu no afinal.

- Explica mais. Como é que é afinal?

- Mais ou menos o que tu sentes, não?

- Eu sou eu. – Expliquei. – Quero dizer… Como é que é perseguir? Matar?

- Queres mesmo ouvir essa história?

- Quero. - Eu queria saber os motivos pelo qual ele contiunuava com isto…

- Quando os meus pais morrerem – disse lentamente – eu… eu ainda não tinha idade para perceber as coisas. – mais uma pausa – Vivia com o meu avo e as coisas passavam-me ao lado. Mas mais tarde, quando percebi que legalmente não era filho dos meus pais, desconfiai de alguma coisa. Disse á minha irmã e começamos a investigar. Até que fui falar com o meu avo.


- O que ele te disse? – Fiz questão de me levantar para escutar melhor a história, mas ele fez a força contrária e prendeu-me deitada em seu colo.

- Ele explicou-me, a mim e á minha irmã, que os meus eram cientistas e que não quiseram partilhar uma experiencia. E que … - e fez uma pausa, como se não quisesse ‘descair’ com alguma verdade -  a associação quis vingar-se, a ponto de os matar.


- Assim sem mais nem menos?

- Sim. Parece que eles tinham um contrato, e que a associação emprestou uma grande quantidade de dinheiro. Mas sabes o que é que dói mais?

Olhei para ele com um ar curioso.
- A vontade…- ele não tinha medo da verdade, mas sim do que eu interpretaria dela -  … de Matar…


Arrepiei quando ouvi essa palavra. Matar. Comigo o Ian não parecia agressivo nem raivoso, pelo contrário, tinha um senso de humor negro e gostava de fazer piadinhas e acariciar os meus cabelos embora às vezes aplicasse alguma força. Mas o facto é que eu sabia. Eu sabia o verdadeiro EU dele. Ainda não o tinha visto, mas sabia que ele existia.


- Eu não sabia o porquê, mas quando soube tinha uma extrema vontade de destruir tudo em meu redor. – Continuou não percebendo a minha expressão temerosa.

- E …o Kyle?

 

- Nessa altura eu contei ao Kyle… porque a Miriam não estava… a reagir muito bem. E era muito amiga do Kyle, e eu também. Eu confio nele.

- E … a associação? Como é que descobriu?

 

- Não sei… Acho que se aperceberam que nós estávamos a invertigar, ou assim.

Lembrei-me do dia em que fiquei a saber da morte dos meus pais. Não esqueço a rapidez com que os meus joelhos cederam e atingiram o chão antes de eu colocar as mãos sobre o rosto, fechar os olhos e desejar que fosse um pesadelo; O ponto é que mesmo as pessoas por mais que demonstrem força, de alguma forma, os sentimentos acabam sempre por ganhar.



- A ira era a minha prisão e, aonde quer que eu fosse, não conseguia desviar-me dela. Depois descobri uns locais que eram frequentados pelo tipo de pessoa que eu estava á procura.

 

- Que tipos de lugares?

- Casas nocturnas, casinos ilegais, corridas ilegais pelas ruas durante a noite.

- E então? – Eu estava muito concentrada na sua história. Mas parecia que ele nem dava pela minha presença. Embora continuasse a acariciar os meus cabelos, olhava para o mar como se estivesse a recordar.

- Fiquei a saber de um homem, dono de um bar imundo, que tinha o hábito de apresentar pessoas

- O que queres dizer?

- Ele tinha um amplo conhecimento no ramo de apresentar pessoas capazes de tudo por um pouco de dinheiro para pessoas que precisassem de serviços sujos como este. Ele confessou ter marcado uma reunião entre um dos representantes da Associação e o infeliz que cometeu o crime.

- Porque é que que ele te contaria isso? – Perguntei sabendo que esse não era o tipo de coisa que as pessoas saiam a  gritar por aí.

- Obriguei-o.

Não quis imaginar as maneiras que ele usara para tal.



Ele dizia tudo isto sem o mínimo sentimento, apenas como se estivesse a relembrar tempos que, há muito tempo, se passaram. Ouvi as águas turbulentas a ir de encontro das rochas na escuridão quando ele fez uma pausa.


- Procurei o assassino Descobri que ele estava ligado a uma série de outros assassinatos que pareciam acidentes e que nunca eram levados adiante pela polícia. Investiguei-o e soube que era pago para cometer esse tipo de crimes. Provavelmente pago por diferentes pessoas. Um imundo.

Eu fiquei horrorizada. Talvez as pessoas tivessem certa razão quando falavam que eu vivia no meu próprio mundo de fantasia, por isso assustei-me quando fui trazida tão bruscamente à uma realidade tão fria e crua. Era vergonhoso que alguém se sujeitasse a esse papel. Matar pessoas que nem ao menos conhecem, derramar lágrimas de familiares inocentes e causar danos maiores como os danos psicológicos que causaram no Ian e tudo iso por causa de umas notas de papel.



- Depois que o encontrei comecei a investigar coisas mais pessoais. O que gostava de fazer, onde costumava ir, os seus hábitos, as suas preferências.

- Para quê?

- O meu avo deixou bem claro que eu não deveria deixar rastros. Eu não me importava de levar com a culpa, não me importava de ser capturado, não me importava de morrer. Eu não sentia medo do que minhas acções poderiam fazer.

- Então por quê....

- Acontecia isto às vezes comigo. Eu sou um tipo de pessoa calma, mas às vezes acumulo pequenas coisas que me enraivecem e, de repente, começo a agir como se fosse o Hulk.

- Porque é que não chamas-te a polícia? Quero dizer, tinhas provas suficientes, por que não envolveste as autoridades?

- Porque eu não queria que ele fosse preso. Eu queria vê-lo morrer, queria que confessasse tudo antes de seu suspiro final. Quis olhar bem nos seus olhos e ver-me reflectido neles observando todo o arrependimento por me ter arruinado.

- Mas agora… o assassino já está morto. Já podes parar, não?

 

- Não, Ree. Eu matei só que puxou o gatinho… não quem mandou e pagou.

Fiquei com medo ao ouvir estas palavras, mas tudo o que fiz foi, ainda deitada, passar os meus braços pelo seu abdómen num abraço. Eu não gostei de ouvir isto, decididamente não, mas eu estava disposta a fazê-lo mudar. Queria que parasse com essa perseguição inútil, não porque eu não sentia raiva das pessoas que lhe fizeram isso, não porque eu era uma nova versão da Madre Teresa, eu definitivamente não era santa, mas porque todo este ódio estava claramente a fazer-lhe mall. Eu conhecia-o á tão pouco tempo e já me importava demais com ele.


Ele tirou a mão que estava a descansar na areia e acariciou os meus braços presos no seu corpo.

- Tu estarias disposto a fazer-me um favor? – Perguntei levantando um pouco a cabeça, repousei-a no seu ombro.

- Isso é tão injusto.

- O que é que é injusto?

- Tu sabes que fica difícil dizer não, quando me olhas assim.

Corei um pouco, mas era, de certa forma, bom saber que eu exercia esse tipo de poder sobre ele.

- O que é que queres, pequena?

- Quero que pares.

Ele prendeu a respiração e enrijeceu o corpo, sabia o que eu iria lhe pedir.

- Eu não posso.

- Porque não? Tu tens escolhas, Ian.

- Para mim, elas não existem.

- Porquê?

- Este… é o meu objectivo de vida. É uma razão para me manter vivo.


-  Mas… Tu agora tens-me a mim.


- Tu és doce demais, Ree. – E beijou o topo da minha cabeça.

- Eu só quero o melhor para ti.

- Eu sei. E eu quero o mesmo para ti.

- Exactamente. – Sorri com perspicácia. – O melhor para mim és tu. Inteiro.

Suspirou e sorriu com os lábios.


- Precisas de esquecer essa vingança.


- Eu vou esquecer – olhou para mim com sinceridade – quando o meu objectivo estiver cumprido.


Tremi involuntariamente ao imaginar a real palavra para “objectivo”.

- Dá para parar? – Alterei o tom de voz e ele ficou assustado.

- Com o quê?

- Não gosto quando dizes ‘objectivo’… parece que…


- Isso faz-te ter medo?

- De certa forma.

- Eu não seria capaz de te maguar.

- Não duvido, mas a maneira como falas...

- Tudo bem, vamos só mudar o assunto. – sorriu e beijou os meus cabelos novamente.

Percebi que tinha que mudar de assunto. Afinal estávamos numa festa.

- Tenho sede. Volto já. Queres alguma coisa? – Abanei com a cabeça para dizer que não

Apesar de meio sombria, senti que esta nossa última conversa fora necessária. Agora eu entendia um pouco mais do seu mundo.

Ao contrário do Ian, eu nunca tinha feito mal ás  pessoa, quero dizer, nada tão mau que desse motivos para me quererem matar. Se fosse só o assalto ao apartamento nos dias anteriores eu poderia supor que era só mais um ladrão á procura de alguma coisa de valor, mas a situação era outra. O ataque ao Sr, Felix deixou bem claro que quem estava atrás de mim não estava para brincadeiras. Depois das dúvidas de quem eram essas pessoas e o porquê disso, outras questões também martelavam na minha cabeça: como poderiam ter entrado lá em casa sem arrombar a porta? Algo muito estranho estava a acontecer.



Ouvi um ruído do lado oposto da rocha. Não era um barulho muito alto porque só consegui ouvi-lo agora que estava quieta e sozinha.
Aproximei-me com cautela da grande rocha ainda mais afastada do local em que estávamos. O barulho ficou mais alto na medida em que eu me aproximava. Rodeei a pedra escura e deparei-me com uma cena que não esperava ver nem nos meus piores pesadelos.Pelo menos, para já.

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publicado por RiiBaptista às 03:09 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Sábado, 03.07.10

Capitulo 10- baile...

Sao 4:50h ... tive a escrever até agora --'

mAS amanha recupero ;)

Se quizerem leiam ...

É que este capitulo esta mesmo uma porcaria --'

Eu nao escrevo nada de jeito... eu sei --' 

 

Hoje é Sábado, a noite do baile.

Tinha passado uma semana desde o meu convite ao Ian.

Ele tinha aceite! Para minha felicidade eterna :D

A Cat ia de boleia com o Kyle e o Din com a Miriam.

Nunca mais cheguei a tocar no assunto da ‘perseguição do Ian’. Nunca mais ouve assaltos, nem assassínios. O que era bom, mas eu ainda receava um bocado.

Eu e a Cat tínhamos passado a tarde de sexta-feira a comprar os vestidos e acessórios. 

A Cat adorava compras! Eu já não gostava tanto… mas pronto, tinha de ser. Tinha de ir bonita…

Estava a tomar banho. A Cat já se estava a preparar. É suposto a Cat e o Kyle irem mais cedo, porque a Cat (claro) é uma amiga de uma administradora, e prometeu ir ajudar.

Eu ia com o Ian na moto dele como ele prometeu na noite anterior. A Miriam e o Din iam chegar mais tarde, iam a um bar primeiro.

A Cat ia com um vestido preto, com um bolero com lantejoulas, uma malinha pequenina, umas sabrinas e ainda um colar super interessante (https://1.bp.blogspot.com/_VKZPI0LgC8Q/R17HeEMayBI/AAAAAAAABi8/HGPm2-1j10E/s400/Passagem+de+ano1.jpg)

O meu era á base de cores castanhas, uma pulseira e sandálias rasas douradas e uma mala com os mesmos tons. (https://1.bp.blogspot.com/_VKZPI0LgC8Q/SD_z2KTSCAI/AAAAAAAACRQ/5kQ04P45TiU/s400/look+da+semana+53.jpg)

Já estava pronta…

Eu ia ter agora com o Ian.

A Cat ia-se agora embora.

- Tchau Cat!

- Sabes que hoje vai passar á noite uma estrela cadente?

- A sério? – que interessante, pensei sem entusiasmo.

- Sim… á meia-noite. Vai ser tipo o momento mais emocionante de todos os tempos.

O Din estava no sofá.

- Ai sim miúda?

- Sim… Miudo!!!

- Eu também vou embora, vou ter com o Ian!

- Tenham juízo eu depois vou lá ter com a Miriam…

- Pois … tá! – ele é que precisava de ter juízo com a Miriam. É demasiada areia para o camião dele. Ainda não estava na hora que o Ian disse… mas não queria esperar mais.

Esperei pelo elevador e entrei. Estava agora em frente á porta do Ian.

As poucas luzes que sobraram nos corredores já estavam acesas, deixando o lugar mal iluminado em relação à antes. As pessoas que passavam no corredor ficavam a olhar-me e a perguntar-se o que é que uma rapariga arranjada estava ali a fazer sentada no chão. Depois de um tempo, decidi bater.

O Ian só de roupão abriu a porta. Suspirei.

- Olá Ree! Já está na hora? – perguntou alarmado.

- Não… - é que estava com saudades tuas e decidi vir mais cedo! Não ia dizer isto, claro. Inventei – É que o Din já se foi embora, e não queria ficar sozinha. Posso entrar??

- Não precisavas de  perguntar. – abriu um pouco mais a porta que estava entreaberta porque, provavelmente, não queria aparecer no corredor vestido com um roupão branco. Entrei ainda a mancar, ainda tinha algumas dores normais, e ele reparou. – Estás linda. – Sorriu.

- Obrigada. – Sorri em resposta. Sentei-me no sofá.


- Podes aguardar um minuto? Visto-me rapidinho, estava distraído e esqueci-me da hora.

- Claro. – Dei de ombros. Não me ia fazer mal esperar mais um pouco.

- Se quiseres podes ver televisão. – Riu para mim e eu mostrei a língua. Ele desapareceu no corredor. Eu tinha algum vicio com a televisão especialmente com novelas brasileiras.

Olhei ao redor, a sala estava exactamente igual da ultima vez que lá estive. Mas…Vários papéis estavam espalhados em cima da superfície plana de vidro, uns lápis estavam dispostos em cima das folhas e havia muito pó de borracha. Ian estivera a escrever.

Aproximei-me um pouco, duvidei que fizesse mal se eu lesse algumas linhas. Eram vários papéis, não conseguiria ler tudo, mas acho que ele não se importaria se eu desse uma olhada...


Numa caligrafia bonita, mas forte, era legível:

(...) não poderia mais se conter. Ele cuidadosamente depositou os olhos sobre a carne dela espelhada pela luz da Lua. Era como se ela brilhasse a cada centímetro do corpo, como se fosse luz em essência, como se fosse o pingo no oceano da amargura. Os cabelos castanhos balançavam com o vento em formas bonitas e perfeitas. Ela virou-se encantadoramente para o olhar. Os seus olhos tinham o poder de queimar-lhe, externamente e ainda até o fundo de sua alma, todavia ela não tinha a mínima ideia da força magistral que exercia sobre ele. Era inocente e doce, mas, sem querer, causava-lhe uma dor grave
Ele reparou que ela adormecia aos poucos. Arrastou a cadeira dela e pegou-lhe delicadamente. A respiração dela oferecia-lhe a chave para a sua sobrevivência. Ele não conseguia entender que não deveria tê-la, que não poderia. Por isso, não evitou a aproximação, porque sempre se achara forte o bastante para destruir quem precisasse, mas era fraco e incapaz de fugir dos olhos dela. Fora capturado por onde menos esperava, quebrou as barreiras que nunca imaginara, derreteu o gelo dum lugar que há tempos congelara. Estava completamente viciado nela. E não podia fazer nada.

- Obrigada – murmurou ela. E ele ficou muito mais, como se fosse possivel, apaixonado por ela’

Afastei-me depressa do móvel quando escutei um barulho. Sentei-me novamente no sofá da sala e fingi nunca ter lido o que li

Fiquei a pensar no que tinha lido, algumas palavras dançavam na minha cabeça. Queria muito aproximar-me novamente da escrivaninha e ler mais um pouco, mas Ian deveria voltar a qualquer momento.

Para alguém que dizia não ter sentimentos suficiente para escrever poesia, aquilo pareceu-me muito mais que o bastante. Aliás, ali não havia nada de acção ou terror como ele tinha dito que escrevia. As palavras eram bonitas e calorosas demais para alguém que afirmava ser frio e sanguinário..
Ian conseguia encantar-me mais a cada vez que respirava.


- Tudo bem? – Não percebi que ele estava sentado no mesmo sofá que eu a escassos centímetros de mim.


- Sim. – Respondi desajeitada. Talvez ele percebesse que eu tinha lido o que ele tinha escrito.


- Vamos? – Estendeu a mão forte para mim, comigo ainda sentada.

Achei que era impossível, mas estava ainda mais bonito que o normal. Vestia umas calças jeans escuras e uma camisa bege. A única coisa que não arranjara fora o cabelo preto meio rebelde que estava ainda molhado. Mas eu sabia que ele gostava dele assim. E, aliás, eu também gostava.

- Vamos. – Segurei em sua mão e levantei-me batendo de leve nele. Estava com um cheiro incrível.

- Aonde foste ontem à noite ?- perguntei quando ele fechava a porta. Pois é… ele ontem á noite estava em minha casa e assim do nada saiu á pressa.

Ele suspirou.

- Andas-me a vigiar?

- Sim. – Levantei as sobrancelhas indicando que estava a falar a sério.
Eu tinha medo. Muito medo de que acontecesse alguma coisa com ele. E se ele mor… esqueci essa linha de pensamento, fazia-me sofrer.


- Nunca te disseram que és muito mandona? – Perguntou enquanto parava, virou-se para mim no corredor, e mexeu nos meus cabelos que estavam bonitos naquela noite.

- Já, mas isso não muda nada. – Sorri com desdém.

- Não queria que mudasse. – Sorriu e piscou o olho. Eu cruzei os braços. Ele não iria mesmo contar onde estivera ontem à noite …conclui desanimada

Chegamos ao estacionamento, que era subterrâneo. Ian ajudou-me a caminhar pela brita do chão. Avistei o seu carro ao longe.

- Chegamos. – Disse de repente.

Os meus olhos arregalaram-se ao me deparar com a moto mais bonita que eu já tinha visto. Eu não entendo nada de motos, mas tinha certeza de que aquela era uma das mais bonitas que existiam. Toda preta com detalhes prateados e alguns desenhos tribais, era linda.

- Meu Deus.... – murmurei para mim propria e não precisei de dizer mais nada, a minha expressão facial dizia tudo.

- Demais, não é? – Sorriu e ficou bastante animado ao ver que eu tinha gostado. – É uma Senna F4... – Ele começou a explicar, mas viu a minha expressão de quem não entendia nada. – Alguns detalhes modificados.

- Tu sabes mexer nessas coisas?

- Além de saber conduzir? Não muito. Quer dizer que mandei fazer algumas... Modificações. – Sorriu maliciosamente.

- Óptimo.

- Deixa me por te em cima dela.

- Não prec...

Antes que eu pudesse terminar ele já estava me estava a carregar e a colocar-me na moto. Senti que ele não tinha muito controlo da força, e senti um baque quando ele me sentou

- Maguaste-te?

- Não...

- Desculpa, pequena. És muito frágil.

Frágil? Frágil? Não sei o porquê, mas esse adjetivo ofendeu-me um pouco. Eu sou uma mulher forte, ou pelo menos era assim que eu me via. Perdi os meus pais cedo e coisa que não era era frácil. E então pequena é que não era mesmo. A minha altura falava por si


- Não sou frágil, muito menos pequena.

- Desculpa. Eu sei que não és. – Sorriu enquanto subia à minha frente. Ficou um pouco apertado, Ian tinha um corpo robusto. – Eu quiz dizer que ás vezes não sei controlar a força sobre ti...

- Nunca te disseram o quanto tu és chato?

- Não, mas isso também não muda nada. – Sorriu abertamente, pude ver pelo retrovisor.

- Vamos?

- Ainda não... – Virou a cabeça para trás e sorriu. – Segurança, lembras-te? – Tirou um capacete que estava amarrado á moto e entregou-me. Era da Hello Kitty.

- Não tem graça. – Mostrei a língua e ele riu de novo.

- O que foi? Comprei para ti!

- Foi isso que foste fazer ontem á noite? – Perguntei enquanto colocava o capacete cor-de-rosa chiclete. Esta cor não combinava comigo.

- Em parte. – Sorriu antes de por um capacete preto na própria cabeça.

Acelerou e a moto fez um barulho muito animador. Saímos andando pelas ruas da cidade que, apesar de ser noite, estava bastante cheia. As luzes dos semáforos, dos postes, dos letreiros e das vitrines das lojas davam um ar bonito ao local.

- Segura-te a mim. – Ouvir a voz um pouco abafada à minha frente. Só então percebi que estava tão atenta a olhar em redor que não me estava a agarrar – Mais forte. – A verdade é que eu estava um pouco envergonhada por estar a segurar-me no seu peito liso e marcado. Corei e agradeci por ter aquela coisa cor-de-rosa na cabeça.


Viajamos por volta de meia hora. E por fim chegamos á casa de praia onde ia ser o baile. O Ian memorizara o endereço e soube chegar lá mais rápido do que o normal e sem se perder, usando os mais diversos tipos de atalho. Ao que pude perceber, ele conhecia muito bem as ruas e avenidas da cidade.

Foi divertido andar de moto, definitivamente seria melhor se eu não estivesse a usar um capacete, mas mesmo assim a sensação de liberdade era maior do que quando se andava de carro. Era um bocado assustador, mas pensei ‘Quem é a estúpida que em vez de estar a aproveitar a sensação, está-se a preocupar?’ hoje não me vou preocupar, decidi
Há poucos dias chovera e, agora, o clima estava ameno. Calor secante acompanhados por uma leve brisa nocturna.

Quando chegamos perto do mar o vento estava mais forte. Retirei o capacete e os meus cabelos voaram para o lado.

Ian estacionara próximo de uma árvore muito grande ao lado da casa de praia que era isolada na rua e que tinha alguns enfeites mal feitos pendurados na entrada.

As luzes lá dentro estavam acesas e ouvi uma musica alta.
Senti o meu telemóvel vibrar na carteira. Tinha-o colocado no silencioso para não atrapalhar eventuais conversas que poderiam acontecer. Enquanto Ian olhava ao redor com uma expressão engraçada, aproveitei para ver discretamente o motivo da vibração.

2 mensagens recebidas.


então?! Onde estás? Já cheguei á que tempos!
O que é que Tu e o Ian resolveram fazer pelo caminho?
Minha putinha.
Vem já para cá…

Ass: Cat.


Franzi a testa quando li a mensagem da Cat que recebi meia hora atrás e não me percebera porque estava ocupada demais a aproveitar o passeio de moto. É incrível como ela não pára de ser tarada nem um minuto.

Abri o a outra mensagem.


Eu e a Miriam estamos num bar como te disse.

Chegarei antes da meia-noite.

Beijos e Cuidado

Ass: Din


Sorri aliviada pelo Din estar-se a divertir.


- Vamos entrar? – Perguntei ao Ian que ainda estava a olhar tudo com muita curiosidade.
- Claro. – Ele foi ao meu lado e pegou na minha mão enquanto toquei á campainha.


Uma loira alta (ainda mais alta que eu, mas muito mais magra) com os olhos azuis grandes demais para o tamanho do rosto abriu a porta. Vestia um curtíssimo vestido cor-de-rosa chiclete e sandálias brancas de salto alto. Se ela não fosse tão magra seria a versão humana do meu capacete. Mostrou os dentes muito brancos quando nos viu.

- Bequinha, querida! – Apertou os braços e deu-me um beijinho em cada lado do rosto. Não entendi essa reacção da Patrícia, ela costumava, felizmente, poupar-me a este fingimento todo.

- Ola. – Respondi a afastar-me. Não tenho vocação para actriz, só estava a querer ser educada.


Ela ficou lá na porta, atrapalhando o caminho e sorrindo para o Ian. Depois lançou-me olhares insistentes, que ignorei.


- E então? Quem é o seu amigo?

Filha da Puta.

- Ian, Patrícia. Patrícia, Ian. Agora podemos entrar?

Ela saiu da frente com uma cara de poucos amigos. Ian sorriu e colocou os ombros para trás.

- Ficas muito bonita quando ficas com ciúmes. – Sussurrou ao meu ouvido quando, puxado por mim, entrou na casa.

Era um lugar potencialmente bonito com uma mobília de praia praticamente toda feita de algum material que imitava bambu muito bem. A sala abria dois corredores nas laterais e, no lado oposto à porta de entrada, havia uma porta de vidro que dava para o jardim, onde estavam todas as outras pessoas.

O jardim tinha algumas árvores grandes onde redes confortáveis estavam penduradas e terminava na areia da praia que rugia à noite. Havia alguns garçons vestidos com o tema praia e colares havaianos pendurados no pescoço servindo drinques coloridos enfeitados com guarda-chuvinhas e frutas diversas. Alguém tivera a ideia de fazer uma pequena fogueira na praia e algumas pessoas estavam a conversar e a tocar viola á volta . Outros convidados estavam a dançar debaixo das luzes picantes instaladas próximas à varanda onde um DJ escolhia músicas animadas.

Os mais atrevidos estavam a molhar os pés na água. A lua estava bonita e reflectia-se nas águas escuras e limpas. Ian pareceu gostar de toda esta visão.

Senti uma mão fria a puxar-me para o outro lado.

- Onde estavas? – Disse a Cat, já com um copo com uma bebida verde na mão.


- Já a beber?

- Isto não tem álcool! – Respondeu dando mais um gole na bebida e comeu uma cereja que estava presa num palitinho.

- Ree, o que é que queres... – Ian, que antes estava de costas para nós, parou de falar quando se virou e viu a Cat a conversar comigo. – Oi. – Disse a sorrir e acenou com a cabeça.

- Oi! Olha Ian, o Kyle quer falar contigo… ele está ali.- e acenou com a cabeça- Vai lá enquanto vamos á casa de banho.

 

- Sim… eu vou. Ficas bem? – perguntou e lançou-me um olhar penetrante.

 

- Com a Cat nunca sei se estou bem – e olhei para ela com um olhar maroto – Mas sim fico bem. Eu depois vou ter contigo, está bem?

 

- Está bem! e sorriu com os dentes brancos a luzirem.

 

Fomos á casa de banho estávamos a retucar a maquilhagem quando a Cat falou:

 

- E então? Isso com o Ian é sério?

 

- Não sei…

 

- Estás apaixonada e isso vê-se…

 

- Eu gosto muito dele... – Temia em usar a palavra “apaixonada”, todas as vezes em que achei que estivera assim fora um desastre. Um calor que passava rápido demais e depois uma insensibilidade que só terminava quando o relacionamento estava ao seu fim. – Não quero estragar as coisas…


- Não vais estragar. Às vezes eu tenho a impressão de que tu ficas com tanto medo acabas a estragar tudo. Deixa o medo para trás Rebecca. – Não olhou para mim enquanto disse estas palavras, ainda estava concentrada na tarefa de ajeitar cada fio de cabelo. – Está na cara que ele te faz bem, até a tua aparência mudou. – riu consigo mesma.

- Cat, acreditas no amor? – Foi a primeira vez que me ocorreu esta pergunta. Ela está sempre a dar-me estes conselhos de perder o medo e me deixar levar completamente por um relacionamento, mas não é o que podemos de chamar de uma pessoa de confiança nesse assunto. Quero dizer, Cat sempre estava com alguém, mas esse alguém nunca durava mais que duas semanas.

- Um pouco. Mas acho que ainda não foi tocada pelo bichinho do amor. Ás vezes acho que é só ilusão, conveniência, não sei.

- Hum. – Fiquei pensativa. Será mesmo que as pessoas só se juntam e sentem algo por pessoas que não são familiares por conveniência ou proteção? – E como está indo com o Thiago? – O mais recente namorado… por isso é que o par dela esta noite não é o Kyle.Mas o Kyle veio na mesma.

- Bem, acho. Ela estava a falar com os amigos e deixou-me sozinha. Ainda bem que tu chegas-te.

 

Saimos da casa de banho e fomos ter com o Sam, que estava com  o Kyle, Din e Jorge ( o namorado da Inês e melhor amigo do Din)

Sam percebeu e veio até mim.

- Tudo bem?

- Uhum.

- Queres sentar?

- Pode ser.

Procuramos um lugar mais calmo para sentarmos e conversarmos.

Escolhemos um lugar atrás de uma rocha enorme, na praia que nos escondia do resto da festa, não havia mais nada lá que nos interessava.

Tirei as sandálias por causa da areia.

- Estás com frio? – Perguntou ao sentar-se na areia fina ao meu lado.

- Não.

- Toma. – Tirou o casaco e a atirou para mim, eu vesti, estava mesmo com frio.

- Obrigada.

Ficamos um tempo a olharmo-nos e a ouvir o barulho das ondas. A maior parte das nossas não conversas era assim. Ian e eu não precisávamos de palavras para comunicar-mos. Eu sabia que ele estava a sentir o mesmo que eu, que compartilhava este sentimento que rasga e queima assim como eu. Um gosto amargo e, ao mesmo tempo, doce que não vai embora. Sabíamos que não deveríamos ter nada, seria mais difícil para nós dois, mais doloroso, mais perigoso... Mas não parava de crescer.

- Tu não precisas de estar comigo por pena.

- O quê? – Apanhei um susto.

- Ree, vamos ser realistas. Isto está a ficar perigoso demais e, além de tudo, está confuso demais. É muito para a tua cabeça lidar com assassinos que não tem medo nem pena de matar. Não é fácil para uma pessoa lidar com este perigo constante. Não é justo que eu te faça passar por isso.

- Mas…- ele não me deixou terminar

- Eu percebo se tu te quiseres afastar. Acho que nunca fui tão próximo de alguém, tirando o Kyle e Mi. O que quero dizer é que compreendo que tens medo e te queres afastar.

 

- Não estás a perceber. Eu não me quero afastar. E não vou…

 

- Tu és tão inocente. Não estás a levar todas as possibilidades.

- Tu subestimas-me Ian! – E agora era eu que iria falar – Sim. Sim eu tenho medo. Sim tenho receio. Tenho medo de sair á rua, porque sinto sempre que estou a ser seguida. Tenho medo pelo meu Imão. Tenho medo pela Cat. A Cat nem desconfia de nada… Tenho muito medo mesmo… Pensar que existem pessoas que me querem fazer aos pedacinhos não facilita o sono á noite. Tenho pesadelos constantemente e não me parece que vão passar tão cedo.

 


- É ai que eu que eu quero chegar Ree.. – Tentou me interromper, mas, agora que eu começara, eu iria até o fim.

- Mas ainda sim, Ian, enfrentado esta dor dor e este medo que me faz sangrar sem ter ferida, nada disso supera o que eu teria que passar se eu não te tivesse por perto.

Agora estava com lágrimas nos olhos. Pela primeira vez ele desviou o olhar do oceano e olhou-me. Estava muito sério e, ao mesmo tempo, aflito.


É praticamente impossível ter uma pessoa que é perseguida de morte. Pior, ter uma pessoa que matou e mata quem lhe quer matar. Eu tinha plena consciência disso, mas o cérebro esqueceu-se de avisar o coração, que palpitava de maneira frenética a cada vez que o via.


- Eu não queria fazer isto contigo – Disse ele por fim

- Não é mau de todo – Tentei conter as lágrimas que insistiam em escorregar pela minha face – Eu não sei se isso é o que vou sentir para sempre. Comigo as coisas são passageiras, mas tu tiraste-me do meu estado morta-viva, Ian.


- O que queres dizer?

- Da mesma forma que é terrível aguentar o medo e a dor que tenho sentindo nestes últimos dias, é péssimo viver sem sentir que se vive. A comida não tem sabor, a música não tem sentido, o mundo é preto e branco. É como se eu vivesse e não tivesse a mínima ideia de que estava viva. Não sentir é pior do que sentir, Ian.

- Mas tu agora sofres.

- Mas o sofrimento faz-me humana.

- Eu não quero que tu te sintas assim Ree. Nunca mais. – Ele aproximou-se um pouco de onde eu estava sentada – E a culpa disto é minha. Quando soube que podias estar em perigo aproximei-me de ti e senti-me inteiro. – Olhou para areia como se estivesse a penalizar. – E eu fui egoísta. Eu sabia que não te deveria envolver, eu sabia que ias acabar por te sentires assim. Quando vi a chance de capturar o invasor e descobrir uma pista, qualquer coisa que me levasse ao meu objectivo mortal. Não pensei duas vezes em invadir a tua casa, pensei que seria só isso e nada mais.

Não era reconfortante saber que para eu para ele fui, realmente, um erro. Um plano que não resultou e agora ele só se sentia mal por eu sentir algo que não deveria estar a sentir. Isso doía-me como se uma faca estivesse cravada no meu peito..

- O que é que te fez mudar de ideias? – Perguntei já sem vida, agora sim chorava silenciosamente.

- Não aguentei ver-te caída no chão, foi mais forte do que eu. Foi naquela noite, Ree, que eu descobri o meu primeiro ponto fraco

- Desculpa-me se sou um ponto fraco para ti... Um erro. – Disse seriamente.


- Tu não entendes, pois nao? – Apoiou os cotovelos nos joelhos e a cabeça baixa sobre as mãos. – Tu és o meu ponto fraco, Ree. Á muito tempo que o meu objectivo de vida é só um. E o que eu sinto não entra nesse objectivo.


- E o que sentes? –Voltei a mexer com as pedrinhas na areia.

- Sempre senti que era forte demais, que era capaz de tudo, que não tinha medo, até o momento em que fui teimoso o bastante para me aproximar. Então encontrei-te. Pensei que conseguia desafiar a todos, mas não consigo desafiá-te. Nem sequer consigo pensar no que eu deveria estar a fazer, nas pessoas que eu deveria estar a matar, porque tu me impedes. Agora sou incapaz de pensar noutro propósito se não TU. Eu sinto-me fraco e inútil..

- Não precisas de me dizer na cara que eu te faço mal Ian. – Disse decidida e levantei-me. Já tinha ouvido demais por hoje. – Não sou eu que estou a afastar-te Ian.


- Eu ainda não acabei. – Levantou-se também.

- Não quero acabar de ouvir. Tu achas que não basta saber que o que eu sinto está-me a destruir? Agora também tenho de ouvir que também te está a destruir a ti? – Senti o vento a fazer voar os meus cabelos e comecei a tirar o casaco que ele me emprestara.


- Estas a tirar a conclusão errada, Ree.

- O que queres que eu pense? “Que fixe! Estou a destroçar-me a mim mesma e é pessoa que eu am... “ – atirei-lhe o casaco e ele apanhou-o

- O que é que ias dizer?

- Não importa. – Baixei-me e apanhei a minha mala e as sandálias.

- Eu gosto, Ree. – Gritou ao longe, nas minhas costas e eu parei de andar. – Eu gosto de não pensar noutra coisa, gosto de me desviar do meu objectivo de vida, gosto da maneira como tu me destróis, gosto de me sentir indefeso perto de ti, gosto do teu perfume, gosto de quando tu ris a assistir á novela, gosto de quando falas do meu cabelo, gosto quando dizes que não te importas com o que os outros dizem do teu estilo, gosto de quando me começas a dar ordens, gosto de como pronuncias o meu nome, gosto do teu quarto desarrumado e gosto da maneira como te preocupas com os teus vizinhos e com os animais deles, gosto quando te desligas do mundo e ficas a reflectir sozinha coisas que, muitas vezes ninguém, repara. Eu não deveria gostar de nada disso, Rebecca, mas eu gosto e isso é a minha pior fraqueza – respirou fundo – e a maneira como não consigo parar de gostar. E eu sei que eu não tenho sensibilidade nem jeito com as palavras, e sei que te magoei. Mas é melhor não te ires embora assim, porque aí sim, me magoarás.

Fiquei parada onde estava, não tive coragem de me virar. Achei que era firme o bastante para isso, mas não era, afinal de contas. Não me poderia mexer depois de ouvir aquilo tudo, não poderia pensar. Estava, ao mesmo tempo, aflita com medo que ele pensa-se que eu não sentia nada.

Ele tocou no meu ombro devagar, e eu protegi o rosto com as mãos. Não queria ver aquela nova realidade. Comei a baloiçar a cabeça, a negar tudo e ele abraço-me. Acho que todas as pessoas sonham em, algum dia, ter alguém para amar para sempre, mas não sobre essas circunstâncias obscuras que nos rodeavam. Eu queria e não queria. A razão dizia que não e o sentimento gritava que SIM. Acredito que esta é a grande diferença entre os dois, a razão dá-te a escolha, o sentimento não.

Deixei-me desabar nos seus braços quentes. Chorei por indeterminados minutos, tentei negar toda a parte sombria da situação, tentei imaginar como seria se as coisas fossem mais fáceis.Se não estivéssemos a ser perseguidos, se não nos quisessem matar, se ele não tivesse aquele ódio de morte…

Ele abraçou-me mais forte e ficou ali, quase imóvel, acariciando os meus cabelos que brilhavam sob a Lua. Ian entendia-me, no fim de contas. Compartilhava a dor intensa entre o errado e o amável. Mesmo a dizer ser um gelo de pessoa, estava ali, a sentir as milhares de facas que nos tentavam separar. Naquele momento, eu e ele éramos dois seres diferentes que partilhavam o mesmo patamar, portanto éramos um só.

Ele encostou a cabeça na minha e senti a sua respiraçao. Senti que as lágrimas cessaram, finalmente entendi que que talvez fosse menos árduo se nos apoiássemos um no outro. Ele percebeu que eu deixara de chorar e levantou-me o rosto com o dedo no meu queixo. Ainda abraçando-me, passou os dedos sobre a minha pele pálida para secar as minhas últimas lágrimas. Usou o polegar para acariciar os meus lábios com o máximo de delicadeza que conseguiu e contemplou os meus olhos por um momento.

No seu olhar pude ver que sua dor de poder estar cometendo um erro fatal não era menor do que a minha. A dor da possibilidade de tudo dar mal e a historia terminar sem uma personagem. Mas, naquele momento fiz o que a Cat sempre me aconselhara a fazer: parei de pensar em tudo isso e concentrei-me, não na lista de problemas, mas na pessoa incrível que estava ali comigo.

O nosso beijo foi indescritível. Uma mistura de mágoa, felicidade, amor, e todas as centenas de sentimentos que nos inundavam naquele momento. Não foi um beijo tranquilo ou suave, foi forte e urgente, como se fosse o último. Como se nunca mais poderíamos ter um momento como aquele. Eu esmagava os meus lábios fortemente contra os dele porque há muito eu esperava por aquele momento: o momento em que eu sentiria algo verdadeiro por alguém. Aquele momento.

Quando o ar finalmente fez falta e paramos de nos beijarmos, os olhos não se cansaram. Por instinto, olhei brevemente para cima a tempo de ver uma faixa luminosa a passar no céu rapidamente sobre as nossas cabeças. A Cat tinha razão, era o momento mais emocionante de todos os tempos.

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publicado por RiiBaptista às 04:42 | link do post | comentar | ver comentários (12)

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