Domingo, 24.10.10

23º Capitulo - Confronto - 1º parte

Olaaa aqui estou eu outra vez!!

Ja nao publicava á algum tempo!

desculpem ter feito esperar!!

espero que gostem$$

 

Ele não me respondeu. Eu sabia o porquê. O pouco tempo que eu o conhecia já era suficiente para entender que ele estava a queimar em fúria. O olhar forte e fechado era a prova fatal disso. Faltava pouco para que ele explodisse com raiva, apenas bastava que eu fizesse alguma insinuação sobre o Pedro…


- Tenho uma pessoa á minha espera lá em baixo... – disse propositadamente e vi as chamas a surgirem nos seus olhos verdes.

- Não quero que andes com ele. – e os seus lábios tremeram ao pronunciar essas palavras.

Ah, essa era boa. Desde quando é que eu permitia que um homem mandasse na minha vida? Sorri ironicamente, quem é que ele pensava que era?

- Tu não me precisas de trancar aqui, eu já te Odeio.


- És Péssima com mentiras. – Sorriu e aproximou-se devagar e com os passos a fazerem um barulho forte no chão espelhado.

- Não é mentira. – Contrariei sustentando o olhar. As pessoas tendem a olhar para baixo quando mentem, talvez eu não estivesse mesmo a mentir.

- Estou a perceber… mal fez duas semanas e já estas  a sair com aquele… Pedro, não é esse o nome dele? – Perguntou e encostou-se ao lava mãos. Colocou as costas contra a pedra e apoiou as mãos também no granito. Cruzou os pés à sua frente numa posição descontraída.

Ri-me . Além de me querer matar, agora ainda exigia exclusividade.

- O que é que tu queres Ian? Se queres acabar comigo, fá-lo, não tens ninguém aqui, mas poupa-me a esses Joguinhos.


- Esse já não é o meu plano... – Respondeu , tranquilo.

- Posso ir embora, então?

Ficar com ele ali, dentro de uma casa de banho trancada não era um situação muito confortável. Ele distraia-me de todo o ódio que sentia. Por momentos, vê-lo ali encostado á pedra, de braços cruzados e com a cara mais angelical possível, quase me fazia esquecer as ultimas semanas.

Ele também parecia tentar-se controlar. Alias, ele tinha um humor muito instável, era capaz de mudar completamente em segundos . Entrara ali a ponto de explodir e, após alguns segundos de conversa, já se conseguira acalmar.

- Não.

Era eu que não conseguia estar tranquila. Se ele me queria matar, tinha que ser numa casa de banho pública?
Respirei fundo e deixei  escapar  um suspiro, fechei os olhos e repeti o processo. Era uma questão de ego agora, não iria deixar que ele conseguisse o que parecia querer: tirar-me do sério.

- Óptimo.

Encostei-me também parede oposta e fitei-o despreocupada.

- Tu não podes Fazer isto

Nem me dei ao trabalho de responder. Ele já me estava a enervar.


- Ele não é de Confiança.

Gota de água.

- E quem és tu para me falares de confiança?


- Eu não te quero magoar.

-  Tu Já me Magoas-te!

- Tu Tambem. – disse devagar, e a olhar para o chão.


- O Pedro é boa pessoa.

- Ele segurou na tua mão.

- E daí? Dá para parar de ser infantil? Nós não temos mais nada, não deixei bem claro? Nada!


- Eu só quero o Teu bem.


- Como é que Tens coragem de dizer isso? – Levantei o tom de voz sem me dar conta, a raiva estava a querer transbordar.

- Ele pode ser uma ameaça. – disse baixinho e aproximou-se.

- Tu és uma ameaça. – Corrigi quase a gritar.

- Tu mudaste-me. Dantes eu era vazio, agora não. E embora tenha tentado, já não sou o mesmo. – E ficou bem perto de mim, ainda encostada na parede, e apoiou as duas mãos do lado da minha cabeça. Inclinou-se um pouco para frente e olhou-me profundamente.
Era um verde da embriaguez. Os meus pensamentos já não faziam sentido. Rolavam na minha cabeça sem qualquer padrão. E era isso que ele queria. Transformara-me numa personagem estúpida e deprimida, chegando á insanidade.


E eu sentia falta, muita falta das sensações quentes. Daquela impressão que me queimava por dentro, aquele fogo que ardia e aquece ao mesmo tempo. E doía, como doía. Fiquei Despedaçada ao perceber que eu era tão dependente, que estava presa a essa sensação e que não poderia fugir, nem preciso dizer, arrasou-me ainda mais ao descobrir que o que ele parecia sentir e retribuir por mim não era verdade, era tudo um plano. De repente, lembrei-me de toda a dor inicial, de como eu custava a fazer com que ela fosse embora e isso me tirou daquela neblina que, devido ao seu cheiro tão próximo, se instalara em minha cabeça.

- PARA DE MENTIR! Pelo menos uma vez, para de mentir! – Bradei bem alto deixando toda a defesa desmoronar e a raiva tomar conta de tudo. – Eu odeio-te!

Se eu não o conhecesse bem, acharia que ele estava prestes a chorar. A culpa habitou  asua face juntamente com o medo, o desespero e o desgosto que talvez sentisse de si mesmo. Olhou para baixo enquanto eu berrava todos os insultos que me vieram á cabeça. Pela primeira vez, pareceu aceita-los todos de cabeça baixa, nem sequer fez menção de retrucar ou desmentir.


- E Tu és fraco, Ian! Um covarde que não consegue lidar com os desastres e resolveste tornaste num assassino! – Continuei a bater com palavras e não pude evitar as lágrimas diante de tamanha raiva que estava retida.

Percebi então que ele estava bem próximo de mim, ainda a prender-me encostada á parede com as mãos apoiadas dos lados da minha cabeça. Quando finalmente parei de descontar toda a minha fúria, ele levantou a cabeça e olhou-me magoado. Aquela era a tão incomum expressão de sofrimento. Alguém que costumava se r tao frio como o gelo, estava finalmente a mostrar as suas dores

- Não grites mais alto do que o meu coração. – Disse em voz baixa cheia de amargura e encarou o chão novamente.

Fiquei em choque fitando os seus cabelos negros que escorriam para baixo. Tão perto e, ao mesmo tempo, tão distantes. Distantes dos meus dedos, da minha afeição. Distantes daquele tempo onde me sentia como se não precisasse de mais nada. Cabelos nos quais enterrei os meus dedos, olhos que contemplei com os meus, lábios agressivos e urgentes que eu sempre quis tão perto. Estavam ali, naquele único e raro momento em que demonstravam fraqueza.

Ainda em choque por ter gritado tudo e ainda mais surpresa com a reacção, toquei, ainda sem respirar, nos seus cabelos com os dedos que consegui levantar em tão pouco espaço. Ian ergueu a cabeça.

Observou o meu corpo a tremer e com os meus olhos arregalados de surpresa. Tive a impressão de que ele queria dizer algo, algo talvez mais importante que a própria existência, mas não conseguiu. Apenas sustentou o olhar cheio de um significado que eu não conseguia decifrar. E começou a aproximar-se.

Eu percebi. Ele estava a tentar envolver-me com os olhos verdes e abertos. Quentes e fortes. E estava quase a funcionar à medida que ele chegava mais perto e seu calor me acolhia. Eu queria, inconscientemente, aquele beijo. Os enérgicos arrepios que senti diante da aproximação dele mostraram-me o quanto eu o queria aquilo, mas eu, filha do carbono e do amoníaco, era repleta de contradições e inseguranças. Portanto, não me surpreendi muito quando a minha mente ficou em estado de alerta segundos antes do encontro das nossas bocas, os meus olhos arregalaram-se como se tivessem dado conta da situação naquele momento e, no instante seguinte, senti meus dedos frios a  arrebentem a minha face.

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publicado por RiiBaptista às 03:52 | link do post | comentar | ver comentários (24)
Sábado, 09.10.10

Capitulo 22º - Dores de cabeça

E finalmente Acabei *_*

espero que gostemmm

eu prometo que agora vou ser mais activa no blog!!!

 

 

Queriavos pedir uma coisa:

Para que comentem que é para eu ver mais ou menos quantas pessoas leem a minha historia!!

Obrigada por tudo!!!

xD

 

Capitulos anteriores:

Eu não estava anestesiada. A dor era cega e real.

- DEIXA-ME OK? DEIXEM-ME TODOS EM PAZ!!

Ele bateu á porta, mas entrou sem esperar.

- A Rebecca que eu conheci não era assim. – murmurou o Ian com uma voz rouca – A Rebecca que eu conheci teria enfrentado os problemas. A Rebecca que eu conheci era lutadora e incapaz de ficar num quarto fechada praticamente duas semanas seguidas. Essa foi a Rebecca pela qual me apaixonei.

- A Rebecca que tu conheces-te, está morta!

Não queria saber.

- Para mim, acabou!

Abri as portas da varanda.

Estava na hora de ir. Estava na hora de ser feliz.

Uma musica conhecida inundou-me os ouvidos, uma musica que vinha do andar de cima. Ian estava a ouvir ‘The Reason’ do ‘Hoobastank’.

Nunca me tinha pensado em matar

Foi divertido passar o resto da manhã e a parte da tarde com a Cat

- O pedro Quer-te convidar para a Festa da Paola.

- Tudo bem, eu vou.

 


Capitulo 22º - Dores de cabeça

 

Não é que eu não tivesse uma roupa para ocasião, o problema era encontrala no meio da bangunça do meu quarto. A não ser que eu desistice, mas Cat nunca permitiria isso claro.

Cat prometera chagar ás  5h da tarde. Ela tinha saído por volta das 10h da manha… imaginem para que?? Nas palavras dela para se preparar para a GRANDE NOITE. Cabeleireiro, vestidos, sapatos, acessórios, casacos, meias, maquilhagem, perfume… Tudo novinho em folha!!

E claro que lhe pedi para comprar um vestido para mim. Ela vem me convenceu a ir, mas eu não estava nem ai. Ela pareceu perceber isso…

Eu estava a modos de me preparar para a noite.

Era  horrível saber que um rapaz bonito e querido só se meteu comigo por causa de uma encomenda. Depois de tudo o que eu arrisquei por ele…

Eu deveria ter desconfiado desdo início, quero dizer, olhem para mim, com a excepção da personalidade forte e do estranho gosto por desafiar os outros, eu não passava de uma rapariga comum.

Outro assunto que me incomodava á noite era o facto do Pedro me ter convidado. Não é que eu não gosta-se, mas… o Pedro já me maguou muito e eu nunca voltaria para ele. Embora eu tenha a impressão que ele tenha ficado com esse felling.

 

E eu ainda estava a sofrer da relação passada…

Eu pensei mesmo que o Ian fosse o ‘tal’, a ‘alma gemea’ como muitos lhe chamam… mas afinal só queria a encomenda e depois matar-me…

Mas agora não podia pensar nisso. Eu ia a uma festa. E uma festa, é sempre uma festa…E eu iria com o Pedro, que apesar de eu não querer nada com ele, é uma excelente companhia.

E claro tinha que me arranjar. A minha grande missão – arrumar parte do quarto – já estava feita.

Agora era ir tomar banho enquanto esperava pela Cat.

Depois de ter tomado banho, sentei-me na cama virada para o espelho. Eu ate era bonita. Pela branquinha, olhos grandes, nariz e lábios pequeninos…

Eu queria ver-me bonita. Porque eu queria deixar de me queixar… eu queria viver. Porque não era o Ian e o seu planozinho que me iam estragar o resto da vida!!


Nem dei pela Cat chegar, mas a verdade é que ela entrou de rompante no meu quarto sem bater á porta.

**
Depois de vestir o vestido percebi uma coisa. Aquele vestido estava-me a incomodar, definitivamente. Além de ter um decote maior do que o esperado – que Cat justificou dizendo que pensava que eu era mais alta – ainda era muito justo e prendia demasiado ao andar. Eu tinha que levantar um pouco o pano para me movimentar de maneira frenética pelo quarto amplo enquanto Cat enchia o rosto de blush para ficar artificialmente mais corada.

- Vamos la repetir o plano…


- Outra vez? –perguntou impaciente olhando-me através do espelho da cómoda.


- Sim, já te disse. Nada pode sair errado.


- Estas a levar isto muito a serio…

- Não estou, não. – Contrariei. – Eu só não quero ficar sozinha com o Pedro

- Se ele te der em cima, tu dizes-lhe e pronto! Não há problema nenhum,…

- Tu estas a pensar em deixar-me sozinha! – Esganicei e apontei com o dedo indicador na direção dela. Apressei o passo que dava voltas pelo quarto.

- Bom – e rodou os olhos – Tu sabes que é o meu primeiro encontro com o Kyle, não sabes?


- Sem ele saber que é um encontro?

- Achas que ele não entendeu? – perguntou meia decepcionada.

- Claro que não. Tu ainda não lhe deste sinais nenhuns… – Lembrei-a.

- Eu tinha a razão! – Salientou Cat com convicção.


- Tu sabes que eu te adoro e que vou estar sempre onde precisares, mas eu não tenho que concordar sempre contigo… – Disse com seriedade.

Ser amigo, a meu ver é isso mesmo. Apoiar o outro em tudo. O que é fácil.. Amigos também são aqueles que nos apontam o dedo e nos fazem abrir os olhos para a vida real. E isso já não era nada fácil.

- O que queres dizer? – E a sua voz tremeu com a pergunta

- Que não esteve bem o que fizeste com ele. – Aprecebi-me que ela ia falar, mas antecipei-me – o que é? Tu julgaste-o Logo ao inicio… nunca Lhe deste hipóteses.

- Julguei-o? Ree! – Largou o espelho e virou-se para mim – Ele usava aquelas roupas Largas, com as calças ao fundo do Cu e ainda por cima era um bocado anti-social…


Franzi as sobrancelhas e fintei-a incrédula.

- Ele ainda faz todas essas coisas!

Cat nunca foi muito á bola com os Do género do Kyle. Criticava tudo o que podia, desde a escolha de roupas, ao cabelo arrepiado ou até á música que ouviam. Agora, por ironia do destino, ela apaixonava-se loucamente por um. Nunca vi Cat a esforçar-se tanto por alguém.

- O que mudou foi a tua maneira de o ver. Ele continua o mesmo. – Sentei-me na minha cama e resolvi ficar quieta.

- Então ele não percebeu que era o encontro. – Lamentou-se mais uma vez.

- E talvez nem perceberá – Completei com sinceridade. Sei que ás vezes sou dura com a Cat mas é preciso ser sincera e dizer a Verdade – Ele nem sequer esta a perceber as tuas atitudes.


*****


- Ele vem nos buscar? – Perguntei a medo. A Cat fez questão de falar com o Pedro pessoalmente, com medo que eu lhe disse-se para não vir.


- Ele queria vir, mas vamos de táxi.

- Óptimo.

Eu não queria nenhum momento constrangedor. Eu, Cat e Pedro num carro só a olharmos uns para os outros não me parecia uma situação muito descontraída.
-  Combinei ás Nove Horas.

- Ok. – Levantei-me para ver-me  no espelho. Eu estava muito diferente. – Precisava mesmo deste vestido?

- Claro! – Ela parou de se maquilhaar e olhou para mim. – Tu estas linda! O que é que fizeste ao cabelo? E esse vestido fica-te muito melhor a ti do que a Mim.



- Obrigada. – Dei um sorriso tímido. . – Tu também estas Linda

Esse era um facto.  Cat comprara um vestido Dourado bordado com pedrinhas brilhantes. A vestimenta sobressaia-lhe as ondas do corpo. Esta mesmo Muito Linda.
- Já não te maquilhas-te o bastante? – Perguntei impaciente.

- Não. – Respondeu com simplicidade e voltou a passar com o lápis pelo olho. – Enquanto eu termino, vai-me contando… Porque é que tu e o Ian terminaram?

- Divergência de interesses. – Resposta simples. Ela só não saberia que o “Divergência de interesses” em questão deixava implícito que Ian queria-me ver morta.


- Hum. – Respondeu percebendo que eu não iria dar mais detalhes. – Espero que resolvam isso rápido. Vocês fazem um casal mesmo bonito. E ele é super Bom.

 

- Cat…

 

- Que foi? É a verdade!

*


Os Corredores do salão estavam lotados. Havia um enorme aglumerado junto a entrada e inúmeros fotógrafos prontos para Fotografar Paola Lince.
No meio daquele monte de gente, encontramos o Kyle. E ele, visivelmente, se esforçara para vestir uma roupa formal, mas era impossível esconder o seu estilo “surf e hip hop”. A roupa estava quase formal para alívio de Cat, mas o cabelo continuava bagunçado e espetado como sempre.


- Tu estas Gira – Disse ele á Cat enquanto ponha as mãos nos Bolssos.
Cat olhou para mim extremamente insatisfeita com o comentário. Tenho a certeza que ela esperava ‘divina’, ‘maravilhosa’, ‘Gata’, mas não ‘gira’.


- Como é que tu estas? – Perguntou virando-se para mim – Estas melhor? Estas com melhor Cara…
- Sim, as coisas andam a melhorar…. – Respondi com um sorriso Timido. Eu não estava melhor, mas sentia-me melhor quando estava próxima dos meus amigos.

O meu ódio pelo Ian já tinha desaparecido á algum tempo. Agora só restava a Magoa, a dor  e a desilusão. Consumiam-me. E já nem eu sabia o poder desses sentimentos.



- Ree o que é que fizeste ao cabelo? – Perguntou pegando-me numa mecha de Cabelo.
- Hum... Usei um champô estranho.

- Estás diferente. – Ele deu de ombros. – Pareces aquelas raparigas que vão ao shopping todos os Dias. – Sorriu com sinceridade. Cat sentiu-se ofendida
- Desculpa? – Disse num tom alto e ríspido.

A minha sorte foi que nessa altura, avistei o Pedro a levantar a caneca na multidão. Da mesma maneira que não queria ficar com ele, também não queria assistir aoutra discuçao sem sentido entre a Cat e p Kyle. Avancei alguns passos ate que ele me viu. Apressou-se a chegar ate Mim.
- Tu estás Esplêndida!

- Obrigada.

- Mesmo Magnifica. – Sorriu com cortesia e estendeu a mão para que ele me conduzisse até a entrada.

Olhei para trás e vi que eles ainda estavam a discutir. Cat reparou que eu já tinha encontrado o meu par, pegou no braço do Kyle e puxou-o pela multidão. Seguindo-nos.


O salão é que estava deslumbrante. Uma decoração com tons pastel misturado com cores vivas e quentes, como vermelho ou alaranjado. Várias mesas redondas com toalhas quase douradas estavam dispostas próximas à parede, contendo talheres, copos, taças e pratos de todos os tipos e tamanhos. No centro do local, havia uma passarela bem iluminada e destacada e, ao fundo, ouvia-se uma música doce e suave ressonando pelo local.

Ao que me parecia, havia dois ambientes, pois havia um cortinado enorme a meioo da sala. O outro lado era mais negro e tinha uma musica mais mexida.
Passamos os quatro por uma fonte grande cujo centro estava sendo ocupado por uma estátua bonita de uma mulher sem rosto, mas de corpo bem delineado, como o de uma modelo. Outras fontes iguais, mas em miniatura, estavam dispersas pelo lugar jorrando água colorida.

Garçons bem uniformizados serviam os convidados com diversos tipos de bebida para todos os gostos, desde água mineral até vinho tinto. Na mesa de frios próxima da passarela tinham todos os tipos de queijo, salada e coisas que eu nem sabia identificar o que eram. As cortinas e panos de seda fechavam a decoração do salão, que estava perfeitamente preparado e iluminado.

- Está tudo tão lindo. – Exclamou a Cat ao sentar-se

- É Verdade. – Concordei enquanto o Pedro puxava uma cadeira para que eu me pudesse sentar. Em seguida, ele também se sentou ao meu lado.

- É. Está Bom – respondeu o Kyle.

Cat cruzou os braços.
*

- Então ele me perguntou: você viu a múmia? E eu respondi: claro!– Disse o Pedro fazendo a Cat rir alto.

O Pedro estava a Contar a sua ultima viagem ao Egipto.

Eu também Sorri. Não estava a prestar atenção nenhuma. Não que não valoriza-se a companhia mas o meu humor e que não estava para animações.
Outro que também estava um boocado ‘out’ da conversa era o Kyle. Notavasse na expressão facial que ele estava entediado com aquele clima, mas reparei que ele olhava em volta parecendo procurar alguém.

Comecei também eu a olhar em volta. Percebi, por exemplo, que o Kyle estava muito bonito. O facto ficava-lhe muito bem e nas palavras de Cat, ele era tão ‘Bom’ como o Ian.

Perguntava-me agora como iriam as coisas com o Din e com a Miriam… A ultima vez que falei com a Miriam, eles estavam a dar um tempo. E adivinhem porquê! Porque o Din descobriu que o plano de vingança deles. Felizmente ele não sabia que esse plano era contra nos, mais propriamente Mim. So sabia que eles se queriam vingar dos assassinos. Mas se bem o conheço, eles iram fazer as pases Brevvemente. Esses sim, são feitos um para o outro.


Também observei outras pessoas do salão. Uma mulher robusta e bem vestida estava a servir dois pratos no Buffet de frios e, em seguida foi-se sentar ao pé do suposto marido, que estava a conversar com homens e mulheres da mesma faixa etária. Algumas jovens com vestidos mais curtos e exuberantes atravessaram o salão a conversarem e a rirem e entraram no segundo ambiente. A música lá deveria estar bem alta, mas era abafada pelas paredes acústicas. Outros convidados mais velhos, todos bem vestidos, dialogavam em pé com tranquilidade e leveza na sala ampla. Foi só então que o vi ali.

A usar um smoking preto e a segurar num copo de uísque, Ian estava de pe, perto da entrada, a conversar com dois outros cavalheiros de idade avançada. A sua boca carnuda movia-se enquanto falava, mas os seus olhos verde intenso não olhavam para as pessoas com quem falava. Praticamente na minha direçao, mas do lado contrario do ambiente, ele olhava-me com certa raiva.


Eu ainda não me tinha apercebido da sua presença ali, mas agora que me dera conta de que me estava a olhar, não pude parar de finta-lo insistentemente. Acho que ainda não o tinha reconhecido por causa das roupas. Nunca o vira vestido daquela forma, não o meu Ian. Ele sempre usava calças de ganga e um camisa ou t-shirt. Só o preto e o rebelde é que continuava o mesmo. Ah e  claro, o cabelo bagunçado como se ele tivesse acabado de tomar banho e abanado a cabeça. E como estava bonito...

Ele já tinha uma beleza bem acima da média quando vestia as roupas sem se importar muito com isso, agora que estava formal, o charme parecia ser muito maior. O smoking ate estava um pouco apertado devido aos músculos que tinha, e por ser preto, assim como o cabelo o verde que eu tanto odiava ficava ainda mais á vista. Ele percebeu que eu, finalmente, tinha reparado na sua presença, então levou o copo de uísque à boca e sustentou o olhar.

E eu fiquei louca. Aliás, fiquei completamente louca. Não esperava encontrá-lo ali e nem sabia se ele me estava a seguir ou nao. Talvez fosse só coincidência, uma coincidência cruel. E ali eu não pensei no mal que ele me fez, o desejo foi maior.

Era com oferecer heroína a agúem que acabara de sair da recuperação. Uma coisa impossível de negar.

Tu sabes que não queres aquilo, sabes que não é bom, sabes que aquilo te fere, mas o desejo é forte. Você sabe que não quer, sabe que não é bom, sabe que aquilo te fere, mas o desejo é mais forte. E depois encarei aqueles lábios molhados e lembrei-me dos momentos em que eles estavam juntos aos meus. Do quanto eu adoraria puxar os seus cabelos durante o baixo outra vez, o quanto queria tirar aquela gravata… Não!!


Fechei os olhos e tentei me concentrar. Eu sabia que ele estava tentando me atiçar, me atingir usando aquele olhar fatal. Eu também tinha a certeza de que ele estava se queimando de raiva por dentro por ter me visto como par do Pedro. O Ian sempre teve ciúmes dele. E, sendo uma pessoa de gênio difícil como eu sou, é claro que, depois do choque inicial, a primeira coisa que fiz foi colocar um sorriso no rosto e entrar na conversa, rindo, como se estivesse feliz como nunca estive antes. Ainda fiz questão de tocar ocasionalmente o braço no Noah a cada vez que ria de uma nova história que ele estava contando.

Eu não estava a racionar com clareza. O Facto é que eu sabia o que o enervava. Conhecia-o. E então sorri para o Pedro. Só me apercebi realmente do que estava a fazrr quando ele segurou a minha mão que estava sobre a mesa. E ainda senti-me horrível. Eu estava-lhe a dar esperanças para fazer ciúmes…Ok, talvez se eu não tivesse conhecido o Ian, estava nova investida do Pedro talvez pega-se comigo, mas não pegava. Senti-me suja quando percebi que estava apenas a usa-lo.

- Ilustríssimos convidados, Fiquem, agora, com o desfile da nova colecção feita exclusivamente pela senhorita Paola Lince.

Todas as luzes se apagaram, com excepção daquelas que iluminavam a passarela no centro do salão. Modelos bonitas, magras e bem vestidas passaram por nós com aquele esplendor típico de um desfile. Pedro segurou a minha mão durante todo o desfile e só a soltou quando as luzes se reacenderam e Paola Lince apareceu no palco, a sorrir com elegância. Então todos a aplaudiram com vigor.

Cat aproveitou a oportunidade para chamar-nos para o outro salão, provavelmente para evitar mais contacto entre mim e o Pedro. Não adiantou muito, ele levantou se com leveza e, cortês, afastou a minha cadeira e estendeu-me a mão para que o acompanhasse. Seria no mínimo mal educado de minha parte se eu não correspondesse, então segurei-lhe a mão e segui-lhe.


Chegamos ao salão oposto e era tal e qual como imaginava.  Musica muito alta e com batida rápida, luzes florescentes, globos de espelhos espalhados pelo lugar, o que dava a ideia de que minúsculos cristais banhavam toda a sala e dezenas de bares temáticos onde se postavam bartenders que misturavam bebidas coloridas. Reconheci algumas das modelos do desfile já a dançarem no meio da pista sem se incomodarem com os olhares dos outros.


Pedro conduziu-me para um cantinho ainda mais escuro que tinha um mesinha quadrada junto á parede, enquanto o Kyle e a Cat ficara para trás na pista. Ele, nunca me tentou agarrar ou passar a mão em sítios que tinha grandes chances de levar um soco, mas colocou o braço livre sobre meus ombros e continuou a segurar as minhas mãos de forma casual como se fizesse aquilo todos os dias. Eu não sabia bem o que dizer e, como a Cat tinha quebrado a promessa de não me deixar sozinha, eu queria evitar que o clima afundasse. Quero dizer, pior que estar numa festa com um ex-namorado a segurar a tua mão no escuro, é estar com ele no escuro com aquele silêncio constrangedor.
Ficamos parados e quase abraçados naquele lugar por muito tempo. Minha mente era a que não conseguia ficar quieta. Além das diversas maneiras criativas de matar a Cat quando ela finalmente me achasse ali, também não conseguia esquecer que o Ian estava na festa. Ele seguiu-me com aqueles olhos furiosos durante todo o tempo em que ficamos no salão iluminado. Vigiava cada movimento, não desviava o olhar e quase nem piscava, era quase como um gato nocturno de olhos brilhantes a observar o pássaro no poleiro.

- Queres uma bebida? Posso ir Buscar. – Perguntou o Pedro percebendo que eu estava meia aérea.
- Que? – Respondi por impulso, eu não lhe estava a prestar a mínima atençao. – Ah, eu não bebo.

- Um Sumo...? – ofereceu novamente,


- Não, não... Não estou com sede, não te incomodes. – Disse um pouco mais alto para atravessar a barreira da musica alta. – Acho que estou a precisar de molhar a Cara. Estou meia tonta.

- Estás Bem? – Perguntou levantando-se comigo.
-Sim, eu estou bem. Já volto.
Passei por alguns grupos de pessoas que estavam a divertir no meio do salão e tentei avistar a Cat, mas estava muito escuro e a fumaça não ajudava em nada.
Com algum custo, consegui ultrapassar todos os obstáculos de aglomeração de pessoas que insistiam em ficar no caminho e cheguei novamente ao hall. Agora já havia mais luz. Com facilidade, vislumbrei uma escadaria de mármore que levava á Casa de banho feminina.

Comecei a subir os degraus a pensar no que faria quando voltasse. Não queria fingir interesse no Pedro e todo aquele negocio das mãos estava a começar-me a irritar, sem contar com a musica alta, com o Ian, aquele monte de gente, a Cat e o Kyle desaparecidos… Tudo isto estava-me a deixar tonta e com dores de cabeça.


Deparei-me com o aposento grande, brilhante e bem iluminado. Eu poderia até ver meu reflexo no chão de granito escuro se quisesse. As pias de torneiras douradas e feitas de uma rocha também reluzente, mas de cor clara, davam certa harmonia ao lugar. E aquele cheio perfumado melhorava ainda mais a impressão de limpeza e perfeição.

Coloquei a minha bolsa em cima do balcão de pedra molhei um pouco a testa. Não sabia se funcionaria, mas pareceu me uma boa ideia. Caso não adiantasse, ira-me embora mais cedo.


A água fria tocou a minha face como uma espécie de alívio. Não me importei de ter molhado um pouco da minha franja, os meus cabelos não eram assim tão rebeldes. O importante foi que me senti um pouco melhor depois de ter respirado sozinha. Às vezes até poderia parecer que eu gostava do isolamento e, talvez, fosse isso mesmo. Nas condições em que eu estava, era difícil tolerar horas ininterruptas com outras pessoas, a tentar parecer contente e a segurar-me para não ser rude com alguém.


Respirei fundo novamente, ficar sozinha por algum tempo era muito revigorante. Ou, pelo menos, pensava eu que estava só. À primeira impressão, quando ouvi os passos, pensei que era a Cat que tinha encontrado Pedro e, então, estivesse á minha procura aqui. No momento em que o som foi se tornando mais volumoso, pude perceber, porém, que não era o barulho de saltos finos arranhando a pedra, ao contrário, eram passadas firmes e decididas. Não tive muito tempo para me mexer, quando me virei, ele já lá estava.

- Isto aqui é uma casa de banho feminina, sabias? - Resmunguei irritada para o homem alto que estava á minha frente, perto da porta que ele trancou. - O que é que pesas que estas a fazer? – Disse eu sentindo a raiva a brotar em mim.


 

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publicado por RiiBaptista às 20:55 | link do post | comentar | ver comentários (19)
Domingo, 19.09.10

21º Capitulo - O Par:

Finalmente Acabei !! tenho andado sem tempo nenhum... Fogo!!!

Bem espero que gostem!!!

Mas nao ta nada de jeito...-.-

 

Capitulo Anterior:

 

Voltei a olhar em frente e vi o horizonte. Eram horas de eu partir. Subi um dos pés para a barra mais alta, como se estivesse a subir umas escadas. Fiz o mesmo com o outro pé. E agora a ultima barra apenas me batia na linha abaixo do joelhoVoltei a olhar para frente e tentei observar o horizonte, era a hora de partir. Subi um dos pés e firmei-o em uma grade mais alta que a anterior, como se estivesse subindo uma escada. Fiz o mesmo com o outro pé e, agora, a última barra da sacada batia apenas na linha baixa dos meus joelhos.

 

E estava na hora hora. Senti mais uma vez o vento. E vi lá em baixo os pontos. Eu iria ter com eles. Iria estar para sempre com eles. E iria ser feliz com isso.

 

Estava na hora de ir. Estava na hora de ser feliz.

 

Capitulo 21º - O Par:

 

 

Mas nesse momento, algo estranho aconteceu. Uma musica conhecida inundou-me os ouvidos, uma musica que vinha do andar de cima. Ian estava a ouvir ‘The Reason’ do ‘Hoobastank’. O Som entrou-me nos ouvidos como um remédio para a lucidez. Isso trouxe-me de volta a realidade, e eu vi-me ali, com o perigo de me esborrachar lá em baixo.



Nunca me tinha pensado em matar. Alias, nunca achei bem uma pessoa abrir mão da

própria vida. A maior davida de um ser humano, a davida da existência.

Comecei a respirar muito rápido, as minhas mãos tremeram e o medo correu-me pelas veias. Tentei ficar parada enquanto pensava, qualquer movimento me poderia levar a cair.


Com cuidado, movi uma das mãos para baixo e com a outra limpar as lágrimas involuntárias de terror que me corriam pela cara. Respirei fundo fui descendo ate acentar com os pés no chão. Consegui alcançar o chão.

Agora que eu já estava com os pés em terra o meu medo veio arrebatador. O meu lapso momentâneo de consciência quase me levara a uma tragédia. Então era isso que ele tinha feito comigo? Transformou-me numa louca suicida que perde a razão de si mesma? Eu sempre soube quem era, mas …e agora? Agora eu estava somente a chorar sentada no chão frio das exteriores a ouvir a música mais bonita que, naquela situação, significava tudo.

Acho que, inconscientemente, ele estava a querer-me passar um recado. A letra da canção é coincidente demais com a nossa história. O problema é que não me importo em ele ser perfeito e dizer que não me queria magoar, porque magoou  destruiu, fim. E, agora, qualquer coisa que ele dissesse, para mim, era falso demais, era mentira. Como é que eu poderia voltar a confiar nele?


Entrei no quarto e soltei a tensão na almofada. Era exelente soltar a raiva naquela superfície tão macia. E então lembrei-me da Cat. Ela devia estar a chegar. Vesti alguma coisa á presa, e desta vez tive a preocupação de fazer a roupa condizer. Não lhe queria dar ainda mais motivos de preocupação.


Estava a tentar ficar estável. Mais calma. Afinal, eu ia cometendo uma loucura. Uma coisa sem sentido. Será que eu estava bem?


Ouvi vozes na sala. Apressei-me para o corredor.

- Ola Cat! A Ree esta no quarto… ouvi o Din a dizer á Cat.

Apressei-me e entrei no campo de visão deles. A Cat olhou-me de alto a baixo.

 

- Tudo bem? – perguntei devagar e com esperança de que a voz saísse bem.

 

- Sim… e contigo? – respondeu-me a Cat aproximando-se – Vai andando para o quarto que eu já vou.

 

Não sei o que era mas ela queria-me despachar.

Fui pelo corredor, ate eles deixarem de me ver. Depois fiquei a ouvir.

- Tenta ver se a animas… - era o Din, com uma voz trsite. Não devia ser fácil para ele ver-me assim. Mas eu não congueia estar de outra maneira.

 

- Vou tentar… ela disse que acabou com o Ian. Houve alguma discuçao ou assim?

 

- Que eu me desse conta não… Mas nem sei porque é que eles acabaram. Eles pareciam perfeitos… Nem a Miriam sabe o porquê…

 

- O Kyle também não. Parece que o Ian não esta la muito bem…

- Ele veio ca , e não parecia muito bem não…

- Pois… eu vou lá falaar com ela então…

- Vai….

Corri para o quarto, entrei e sentei-me na cama tentando uma posição que parecesse normal…

*


Foi divertido passar o resto da manhã e a parte da tarde com a Cat. Acho que a subestimei-a quanto a isso.  Mas ela conseguiu-me animar. E esquecer algumas coisas…

Ainda arranjamos uma receita na internet, mas não saiu la muito bem. O Din acabou por ir comprar umas pizas ao outro lado da rua.

Ele parecia mais feliz… e ainda bem.



Durante a tarde, jogamos playstation, ouvimos  um pouco de vídeo-game, ouvimos música, conversamos sobre as últimas fofocas da faculdade e disse-me que tinha convidado o kyle para a festa de gala da Paola Lince.

- Vai ser muito divertido. Vestidos, sapatos, comida chique, musica fina, rapazes giros…

- Cat!


- Eu já um vestido caríssimo para poder ir, é super lindo também. Tem muito brilho e combina com uma jóias que eram da minha mãe. E turquesa escuro… é Lindo!

 

- Cat – Ela pareceu sair do transe e prestou atenção. - Volta ao detalhe em que tu convidas-te o Kyle.


Ela corou.

- Bom, não foi bem um convite... Foi mais tipo “tenho dois convites para uma festa, a Ree não quis vir, Tu queres?”

- E o que é que ele disse?

- Que ia. – Sorriu satisfeita. – Mas acho que ele na entendeu a indirecta...

- Como assim?

- Acho só que ele ficou com a ideia de uma ‘saida de amigos’, sabes? E eu queria mais um encontro…


- Tu diseste-lhe?

- Claro que não! – e riu-se – Como é que eu ia dizer, ‘ Kyle, eu não te quero só como meu amigo, eu quero-te mas é comer’ ?


E ali eu ri-me bastante. Imaginei a expressão facial do Kyle a ouvir aquilo. Provavelmente ficava com cara de serio e a avaliar a situação


Eu estava a gostar do Dia. Mas sinceramente já estava com saudades do quarto ó para mim e da monótona solidão habitual naqueles últimos dias.


O Lado bom é que em todos esses dias, Ian nunca se tentara aproximar. Pelo menos, não muito. Só aquela vez que veio ao meu quarto…

Mas sem ser isso, não tinha descido as exteriores, nem bateu mais á porta, e nem sequer notei movimento no apartamento.

Como o meu telemóvel estava desligado, não sei se ele me telefonou.


- No que é que estas a pensar? - perguntou-me a Cat com uma cara curiosa

- Acho que hoje á noite vou ler um livro ou assim…

- Vais ficar bem? Juro que amanha eu passo o dia contigo. É que eu queria ir mesmo á festa e já combinei com o Kyle…


- Vais e ponto final! Tu és mega fã daquela estilista… e eu tenho o meu cubo magico.


Ela riu.

- Nunca vi ninguém conseguir montar aquilo.

- Nem eu. – Ri também.

Ouvimos o toque do telefone da sala, Cat apressou-se a atender.


- É o Pedro. – Disse ela baixinho tapando o bocal do telefone com a mão

- Pergunta-lhe o que é que ele quer. – Sussurrei e assim ela fez.

- Ele Quer-te convidar para a Festa da Paola – Ela não se conseguiu conter, e a frase veio como um grito esganiçado e histérico.


- Não!

- Ela vai! – Respondeu animada e desligou o telefone.

- Tu perdeste a cabeça? Eu não vou á festa com o Pedro.


- Ah, vais sim. Eu já disse que ias – E sorriu triunfante.



- Liga outra vez e diz que não vou!

- Não.

- Então ligo eu! – Levantei-me para pegar no telefone mas ela segurou meu braço.

- Rebecca... Qual o problema?

- Não estou com humor…

- Eu sei, mas o dia de hoje não foi divertido? – perguntou com sinceridade.

Realmente, pensei. O dia poderia ter sido bem pior se a Cat não estivesse cá. Eu poderia ter ficado a pensar a tarde toda naquela musica que o Ian colocou fora intencional ou não. Provavelmente estaria me a afundar na depressão e no desespero…
- Foi.

- Então! – disse alto e levantou-se com animação. – Podemos fazer companhia uma à outra na festa, Tu também não tens mais nada para fazer…


- Mas o Pedro vai estar lá...

- E? – Franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça sem entender.

- Hum, isto para ele vai ser um encontro… e eu não quero…


- Entao diz-lhe isso... e se ele tentar alguma coisa, diz-lhe logo. Tu sempre foste boa a dar tampas…


- Não estou emocionalmente preparada para isso.

-  Se ele te beijar, dizes-lhe que terminas-te algo recebntemente e que não estas pronta. Alias, se quizeres podes beijar de volta, parva. Afinal ele é teu ex namorado.
- Tu achas que eu sou o quê? – Perguntei perplexa.

- Estou a brincar, Ree! É só que eu não quero te deixar aqui sozinha e, poxa, o Pedro tem convites e é um rapaz 5 estrelas. Além do mais, se eu e o Kyle ficarmos sempre juntos de ti,  duvido que ele tente alguma coisa.


Era uma boa defesa. Eu poderia simplesmente conversar, distrair-me com os meus amigos e, realmente, o Pedro parece um bocado mudado.


- Tudo bem, eu vou.

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publicado por RiiBaptista às 23:57 | link do post | comentar | ver comentários (26)
Sexta-feira, 10.09.10

20º Capitulo - Vento...

Olaaaa!!

voltei!!!
Aqui esta um novo capitulo!!!

comenta por favor!!

quero que me digam o que é que nao gostaramm....

e o que é que acham que vai acontecer xD

 

apreciem!!

 

- Telefone para ti. - diz o Din, que apareceu á porta do quarto. Já estava em casa, o Kyle tinha-me trazido.


- Não vou atender.

- É a Cat. Ela esta preocupada…

Assenti. Ela estava preocupada, merecia que eu atende-se.

 

- Rebecca? – Ouvi a voz fina e preocupada do outro lado da linha. – Tudo bem?

- Sim, sim... – Menti. - E contigo?

- Estou preocupada contigo, porque é que desapareces-te assim?

- Só não dei pelo tempo passar….

- Oh Meu Deus! O que é que se passa?

- Nada, a sério.

- A tua voz esta diferente…


- Eu estou bem.

- Tens certeza?

- Sim.

- Desculpa não ter aparecido ai, mas tem-se passado umas coisas... – Pareceu bastante mais animada ao mencionar a palavra “coisas”.

- Não faz mal…

- Consegui convites para a cerimonia de chegada da Paola Lince!

- Como é que conseguiste? – Perguntei sem grande entusiasmo.

- Contactos! Enfim, Tu vais comigo, não vais? Vai ter comida chique, gente chique, aquele monte de modelos e vamos poder ver a Paola, ela é mesmo uma diva da moda…

- Eu não vou…

- Quê? – A voz perplexa gritou do outro lado da linha. – É uma oportunidade única… Entende... é a Paola Lince!

- Não estou com cabeça…

- Como assim?

- Não me estou a sentir bem…

- Tu disses-te que estavas bem....

- Não quero que fiques preocupada.

- Eu já estou. Tu tens que ir á festa.

- Não estou para  clima de festas.

- Mas disses-te que estavas bem...

- Eu e o Ian terminamos, ok? Pronto, satisfeita? – Rugi irritada.

Ficou calada por alguns segundos. Ela sabia o quanto ele significava para mim, e provavelmente compreenderia. Não ia contar os verdadeiros motivos, mas ela ia-me sempre apoiar.


- É claro que eu não estou satisfeita. Tu és a minha melhor amiga, quase como irmã, não fico satisfeita com o teu sofrimento. Porque é que não me contas-te antes? Pensei que era alguma coisa passageira, nunca pensei… – E começou a desculpar-se pela a sua ausência durante estes dias. – Eu... Eu não sabia. Meu Deus... Imagino como Tu estás. Estou a ir para ai...

- Não! Não precisas... Olha, eu estou bem.

- Pára de repetir isso... Estou ai em meia hora – Desligou o telefone antes que eu pudesse contrariá-la.

Deixei abater a cabeça na almofada e larguei o telefone num som mudo.  Não a queria envolver nisto, quero dizer, é praticamente impossível eu fingir um sorriso. Ela nunca me vai conseguir arrancar um sorriso verdadeiro, ninguém vai.

Ao mesmo tempo, senti-me um pouquinho menos infeliz ao saber que eu tinha uma amiga tão única e que estava disposta a parar tudo o que estava a fazer para vir ter comigo e apoiar-me nesse momento tão difícil. Pessoas assim são as que dão o real sentido da vida.

 

Estava a olhar para o tecto branco quando pensei como aquilo se mudava quando apagava as luzes. O ‘Sê minha’ ainda aparecia todas as noites no tecto.

Eu tentei cobrir, tapar, pintar, mas nada resultava. Era como cobrir o sol com a peneira. A única solução era não olhar.


De repente, tive vontade de mudar de casa. Sem viver aqui, não tinha memorias, não tenha lembranças e nem tinha de eventualmente chocar com o Ian.

Encarei o meu cubo mágico em cima da escrivaninha, fora a minha única distracção nestes últimos dias. Tentei montá-lo diversas vezes gastando, com isso, horas do meu tempo. O problema é que nunca consegui resolver esse quebra-cabeças, as peças do cubo não se encaixavam e as cores teimavam em continuar baralhadas. Era frustrante.

 

Sentei-me na cama e pensei em ouvir musica, mas para isso precisava do meus phones. O pior era encontrar os phones no meio da confusão do meu quarto. Tentei procurar uns fios brancos espalhados no chão, mas era verdadeiramente um bom desafio.

Algo nas exteriores chamaram a minha atenção.

Alguns pombos que costumavam estar no terraço estavam agora  a descansar na barra das exteriores. Um sentimento caloroso inexplicável brotou no peito. Eram os animais de estimação daquele homem que morrera injustamente no dia em que comecei esta narração. No fundo, eu sentia-me como se aquele senhor bondoso e amigo dos animais estivesse ali, a trazer-me a única companhia que teve na sua vida. Os pássaros brancos e belos estavam tão perto... Tão sedutores, reluzindo ao Sol.

Abri as portas da varanda com calma para não os espantar. Não sei se os pombos tem a mania de obeservar as pessoas, mas naquele momento parcia que sim. Eles moveram-se alguns centímetros na vala metálica e olharam com curiosidade. Ou só eu que estou a ficar louca.

Alcancei com as mãos a grade, senti o frio do metal. Olhei para cima, e as nuvens continuavam cinzentas e o sol continuava escondido. Mesmo sem sol, as aves brilhavam. E esse brilho era contagiante.

 

Percebi que os carros movimentavam-se no cruzamento, lá em baixo, as pessoas andavam pela avenida e as arvores de verde estúpido balançavam ao som do vento.

Uma liberdade incomum aparecera em mim e eu, por instantes, achei que poderia voar... Entregar-me ao vento, bater as asas e sair dali. E os pássaros tão brilhantes e os pontos das pessoas que eu via lá em baixo tão sedutores, cruzamentos tão embriagantes. Coisas pequenas que se agitavam rapidamente lá em baixo. Estava hipnotizada pelo movimento, pela cor e pelo brilho que tudo aquilo transmitia.


Coloquei os pés descalços numa das barras metálicas ferrugentas e levantei o corpo, projectando-o para fora. Senti o vento bater ainda mais forte no meu rosto, mas ainda estava com os pés do lado de dentro. Soltei uma das mãos que seguravam é barra metálica e o meu corpo balançou pela falta de equilíbrio. Olhei para trás e ninguém estava a ver-me, a porta do meu quarto continuava fechada. Então pensei. Talvez não se apercebessem… Talvez não dessem conta… Dependeria de mim acabar com isto e ninguém poderia fazer nada. Sorri com satisfação.

 

Soltei a mão que restava e perdi completamente o apoio. O meu corpo tremeu e foi impulsionado para a frente enquanto tentei manter-me equilibrada. Agora estava segura apenas pelos pés que se posicionavam numa das barras intermediárias. A última barra da exterior estava a bater nas minhas coxas, qualquer desequilíbrio e eu cairia lá em baixo. Encontraria a relva e as arvores estupidamente verdes.


Estava drogada pelo movimento da avenida. Pontos que se mexiam livremente, não estavam presos a nada nem a ninguém. Seguiam as suas vidas de pontos sem se preocupar com nada, formando uma dança de movimento.  Eu não estava a pensar, literalmente estava não estava a raciocinar. Deveria sim a estar louca.

Nunca pensei na morte, não pensei que poderia cair e simplesmente desaparecer. Eu seria apenas outro ponto lá em baixo. Só que estático, imóvel, parado, morto.

Não levei em consideração a realidade. Pensava que de algum modo, iria escapar. Iria voar entre os prédios da cidade mediana, chegaria um lugar onde não houvessem cores, seria tudo com cores quentes. Nunca mais veria o estúpido verde que estragou a minha vida. Seria só a Rebecca, sozinha e banhada pela luz e os pontos? Os pontos seguiriam o seu movimento normalmente mesmo que eu me fosse, continuariam com a sua vida. Porque é assim que a vida é.



Levantei os braços levemente e senti o vento na cara e nos cabelos. Eu iria para um lugar melhor. Depois talvez ate mandasse lembranças para o Din e para a a Cat. Esse lugar teria areia, tenho a certeza. Areia, Sol, vento.

Olhei para trás mais uma vez, e pensei em alguma coisa que eu queria levar comigo. Não havia nada. Não existia nada que eu quisesse manter, nada que me fizesse falta. Seniria falta de algumas pessoas, mas sabia, por exemplo, que o Kyle cuidaria da Cat e que o Din ficaria com a Miriam. Felizes.

Sim, porque a Miriam e o Kyle não são como o outro de olhos verdes. São genuínos, não mentem, não enganam, não tem desejo de vingança.


Voltei a olhar em frente e vi o horizonte. Eram horas de eu partir. Subi um dos pés para a barra mais alta, como se estivesse a subir umas escadas. Fiz o mesmo com o outro pé. E agora a ultima barra apenas me batia na linha abaixo do joelhoVoltei a olhar para frente e tentei observar o horizonte, era a hora de partir. Subi um dos pés e firmei-o em uma grade mais alta que a anterior, como se estivesse subindo uma escada. Fiz o mesmo com o outro pé e, agora, a última barra da sacada batia apenas na linha baixa dos meus joelhos.

 

E estava na hora hora. Senti mais uma vez o vento. E vi lá em baixo os pontos. Eu iria ter com eles. Iria estar para sempre com eles. E iria ser feliz com isso.

 

Estava na hora de ir. Estava na hora de ser feliz.


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publicado por RiiBaptista às 21:48 | link do post | comentar | ver comentários (36)
Sábado, 04.09.10

19º Capitulo - Morta!

Aqui esta mais um capitulo!

espero que gostem e amei escrever este capitulo

espero que gostem!

Fica aqui esta musica... foi com ela que escrevi o capitulo! :)


 

 

Eu não estava anestesiada. A dor era cega e real. Tortura que ardia, mas não matava. Assemelhava-se mais a uma piada de mau gosto: pica, mas não fura; arranca, mas não deixa ir embora. O sofrimento vinha em ondas. E, embora não estivesse sob efeito de anestesia, era assim que me sentia na maior parte do tempo.

Não conseguia mais sentir gosto da comida, o prazer na música, o calor no toque dos amigos. Talvez eu já não estivesse a viver. As outras pessoas eram cápsulas de alegria, sentimento, emoção. Eu estava vazia. Era tudo a preto e branco. Era tudo igual.


Naquele dia nublado igual ao meu interior, eu fazia desenhos no vidro embaciado da janela. Deveria ter chovido durante a manha, não sei. O sono estava a colaborar comigo muitas vezes e eu agradecia ás vezes por isso. Digo ‘as vezes’ porque eram inevitáveis os pesadelos.


Encarei o desenho que tinha acabado de deixar na janela, era uma foice. Usei a palma da mão para tirá-la de lá. Eu não estava em perigo. Deveria parar de imaginar que sim. Agora estava tudo esclarecido: Ian invadiu o meu apartamento pela exterior, bagunçou as nossas coisas, perseguiu-nos, e colocou-nos em risco. Não havia mais ninguém a querer fazer-me mal. Foi Tudo milimetricamente calculado e inventado por ele, mas agora ele sabia que eu sabia a verdade.

 


Vi umas árvores, o condomínio onde eu morava estava cheio delas. Malditas árvores e as suas folhas verdes. O verde era simplesmente estúpido, a cor mais estúpida já inventada. O meu desejo era que todas as cores se esvaíssem subitamente, o mundo ficaria a oscilar entre o preto e o branco, passando pelo cinza. As cores idiotas deveriam desaparecer, principalmente o verde. Não aguentei estar ali especada a olhar para aquelas cores estúpidas.


Era a primeira vez desde aquele dia que me dei conta da actual situação do meu quarto. Estava mais desarrumado do que o costume. Além das coisas espalhadas em cima dos móveis, notei que agora também estavam algumas coisas no chão e no tapete.

 

Virei-me e vi-me ao espelho. Eu parecia um lixo. Eu estava um lixo.
Os caracóis em vez de estarem brilhantes estavam secas e desarrumados. A cara tinha marcas dos lençóis e umas olheiras horríveis. Pareciam que tinha envelhecido décadas naqueles dias. Estava com uns calções brancos e uma t-shirt preta velha. Que se dane, pensei.

 

Tempo. Afinal quanto tempo é que tinha passado desda nossa ultima conversa? Horas, dias, meses?

 

Ultimamente, estava a contar o tempo como os antigos: sabia que era dia porque via o sol. Peguei no telemóvel e reparei que era Sábado, ou seja, não tinha de faltar á faculdade. Faculdade! Estava quase a entrar de ferias… o que é Muito bom!

 

Ainda não tinha contado a ninguém o que se sucedera. Já tinha mandado embora a Cat e o Din as vezes suficientes para eles saberem que eu não voltaria ao normal rapidamente.

Mas…para que contar a alguém? Como é alguém tinha a coragem de me dizer para não ficar destruída? Como é que que eram capazes de me dizer para ignorar os problemas quando nem sequer sabem quais são? Quero dizer, eu não iam simplesmente fingir que estava bem e andar com um sorriso falso na cara. Simplesmente não ia.


Reparei também na existência de varias mensagens e chamadas não atendidas, não quis saber de nenhuma delas.

Decidi ir á cozinha comer qualquer coisa. Há quanto tempo é que não como uma refeição em condições?

Saiu do quarto pé ante pé, mas relaxo mais quando me apercebo que não esta ninguém em casa.

Pego num iogurte e sento-me no sofá da sala.

E por momentos imaginei como seria, se o Ian não tivesse a sede de vingança e a vontade de me matar.


Seríamos um casal. Casados, de mãos dadas e felizes a observar o mar. Eu com uma criança ao colo, esperava que fosse um menino. Se ele tivesse sorte, teria os grandes olhos verdes do pai, gostaria de ser empurrado por ele no balanço e comeria gelado de cereja ao sair da praia E, ao por do sol, nós três sentaríamos na areia, observaríamos a grande massa de fogo a desaparecer na linha que separa o céu e o mar e, por fim, as estrelas nos dariam um show de brilho. O segredo mais bonito e único da noite. E mesmo sendo tão pequenos quanto os grãos da areia branca para o universo, seríamos grãos de areia exalando felicidade aos astros. Minúsculos e felizes.

E lágrimas traidoras molhavam o meu rosto a cada vez que eu criava uma nova cena. Era só o resultado das ondas de sofrimento. De repente, mudava do ”não sentir” para o “sentir demais”, e o que eu estava a “sentir demais” agora era o pesar do que poderia ter sido e não foi. O mais angustiante era não saber até quando me sentiria assim.


- Rebecca? – pergunta-me uma voz mansa - Tas a chorar?

Afinal não estava sozinha. Din tinha acabado de chegar. E estava debruçado a tocar-me no cabelo.

E aqui, fui a pessoa mais estúpida do mundo.

- DEIXA-ME OK? DEIXEM-ME TODOS EM PAZ!!

Gritei como acho que nunca gritei na minha vida. Provavelmente teria-se ouvido em todo o prédio. Levantei-me e corri para o meu quarto, para depois fechar a porta com um estrondo.

 

Ouvi uma campainha.

- Ian? Tudo bem?

Estava a ouvir as vozes muitos baixas , mas dava para entender.

- Esta tudo bem? Ouvi gritos. – aquela voz estremecia-me. Fazia-me doer a cabeça e, ainda mais difícil de suportar, o coração.

- Sim, esta tudo bem. Eu é que não sei o que passa com a Ree…

Mesmo não ouvindo sabia que Din suspirava. Eu sei que ele sofria por mim. Eu sei que ele me amava.

Fez-se um silencio

- Entao… a Ree esta?

- Sim esta. Porque?

- Posso ir ve-la?

- Sim, mas ela não tem estado nada bem…

 

Senti uns passos na direcção do meu quarto. Sabia que ele vinha ai.

Virei-me para a esquerda de modo a ficar de costa para ele quando entrasse. Fixei um ponto qualquer e prometi a mim mesma que não desviaria os olhos daquele mesmo ponto. Não o queria ver, muito menos falar com ele.

Ele bateu á porta, mas entrou sem esperar.

Senti que se surpreendeu por me ver assim.

Fez uma pausa a avaliar-me e sentou-se numa borda da cama.

- A Rebecca que eu conheci não era assim. – murmurou com uma voz rouca – A Rebecca que eu conheci teria enfrentado os problemas. A Rebecca que eu conheci era lutadora e incapaz de ficar num quarto fechada praticamente duas semanas seguidas. Essa foi a Rebecca pela qual me apaixonei.

Interrompi, antes que ele dissesse mais alguma coisa. Não estava para ouvir mais. Não aguentava ouvir mais.

 

- A Rebecca que tu conheces-te, está morta! – disse eu com magoa na voz, e praticamente a chorar.

 

- A Rebecca que eu conheci nunca morreria…

 

- Nunca digas nunca…

 

Nunca desviei o meu olhar daquele ponto inicial. Não iria olhar para ele.

 

Ele levantou-se devagar e saiu. Ouviu a despedir-se de Din.

 

 

Deixei-me estar em estado de dormência, ate que me apetece ir dar uma volta a pé. Talvez me faça bem.

Vesti umas calças de ganga e um casaco de treino com capuz. Atei o cabelo e calcei uns ténis.

Não encontrei Din quando ia a sair de casa, provavelmente estava no quarto.

 

Sai do prédio o mais rápido possível, quase tropeçando nas escadas.

Não sei quanto tempo é que andei, nem onde estava.

Só me dei verdadeiramente conta de onde me encontrava quando começou a chover. Sentei-me num banco de jardim, enquanto a chuva essa se tornava mais forte.

 

Conseguia sentir a agua a passar pela minha roupa e a  chegar-me á pela,  provocando-me arrepios.

Chorava. Agora chorava com toda a força.

Sentia-me a tremer e incapaz de reagir. Era como se eu não estivesse ali, como se alguma vez a minha alma pode-se largar o corpo e deixa-lo ali, vazio.

Não queria saber.

 

Ouvi um apito de um carro que parou á minha frente. Abriu-se um vidro. E vi uma cara.

Demorei alguns segundos a aperceber-me de quem era.

Era Kyle.

 

- Ree? – perguntou ele preocupado ainda dentro do carro. Rapidamente saiu e foi ter comigo. Tirou o casaco e pôs-mo por cima dos ombros.

- Oh miúda! Como tu estas… - sussurrou para si mesmo…

Ajudou-me a levantar e a sentar-me no carro.

Entrou no carro e ligou o motor. Não estremeci com o barulho.

- Ree? Estas bem? – perguntou ele dirigindo-se a mim. Não lhe respondi porque na verdade não conseguia. Sentia os lábios roxos e o corpo era percorrido por uma dor cortante. Frio.

 

Aninhei-me, abraçando as pernas com os baços em cima do Banco e encostando a cabeça ao Vidro.

Reparei que ele marcava o nº de alguém no telemóvel.

 

- Ian?

Aquele nome sim fez-me estremecer. Encostei mais a cara ao vidro frio.

- Olha eu encontrei a Ree…

- Estava num banco de jardim e ela não esta a …. Reagir.

- Ok! Ate já!

 

Depois, sem mais nem menos, Kyle começou a falar para mim, como se eu lhe correspondem-se

 

- A Cat telefonou-me preocupada. Parece que não apareces em casa á algumas horas.

Horas? Como podiam ser horas? Não estive fora tanto tempo, ou estive?

 

- Não sei o que se passou, mas seja o que for não te podes deixar abater assim. A vida é uma sequencia de facto que tem de ser vividos. E tu… não estas a viver. Há quanto tempo não sais de casa? Onze, Doze dias?

 

Não fazia ideia que tinha sido tanto tempo.

 

- E a faculdade? E o teu sonho de ser jornalista? Não podes desistir assim.

 

Estaria eu a desistir ou simplesmente a recompor-me? Desistir, eu sabia disso. Estava a ser o meu fim.

Eu só disse uma coisa:

 

- Para mim, acabou! – disse baixinho e com a voz rouca, mas com a certeza de que ele ouviu.

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 31.08.10

18º Capitulo - Desilusão

Oláaa!!

Este capitulo é dedicado á CCullen que esteve até praticamente 4h da manha á espera do capitulo!!

Obrigada querida!!!! <3

 

Bem, vamos mais ou menos no meu da historia!

este capitulo vai mudar um bocadinho as coisas...

Bem, espero que gostem e que nao fiquem desiludidos!

 

Obridada por tudo!

Enjoy!! *_*

 


Eram exactamente 4h menos 10min. Eu estava vestida com um vestido Verde claro, a condizer com os olhos do meu amor. O verde que eu tanto amava.

Decidi subir ate ao andar dele. Não aguentava mais esperar pelas 4h. E também se ele ainda não estivesse pronto eu podia esperar.

Bati á porta e pouco tempo depois, Ian abriu.

- Olá minha Sereia! – e beijou-me da forma menos platónica possível. Mordi-lhe o lábio. Adorava quando ele me chamava de Sereia.

- Olá! – disse entre os beijos! Abracei-o e reparei que estava sem camisa. Parei e olhei para ele. – Humm… eu vou esperar por ti.

E ri-me. Ian estava só com uma toalha na cintura. Deveria ter acabado de tomar banho agora mesmo.

- Sim! – e deu-me um beijo leve – Eu volto já, meu amor!

Estava a planear sentar-me no sofá, mas apercebi-me de que novas folhas estavam soltas em cima da mesa da sala. A minha curiosidade foi maior.


O miserável escritor já estava infectado pelo veneno dela. Veneno tão raivoso que lhe rasgava as entranhas e ardia sem dor. Era o infinito finito do pesar.

E a doce literatura, grande companhia nos seus dias de solidão de alma, não conseguiu, não mais, preencher o vazio indócil e neutralizar o desejo arrebatador dos lábios carnudos e venenosos outra vez.

E ele, pobre mortal mergulhou em asco e amargura, não foi mais capaz de exprimir, por meio de palavras, as sensações embriagantes que sentiu com a sua sua presença. Palavras eram insuficientes, apenas letras miúdas e insossas diante daquela que competia com o brilho da lua.

De todas as criaturas míticas que ele jamais ouvira falar, ela era a mais deslumbrante. Nocturna e venenosa Sereia.
O acre escritor estava infectado, não morrera, nem mais vivia. Estava apenas completamente amarrado ao perfume dela. Prisão que palavras eram incapazes de descrever...



Era o que estava escrito na folha de cima. Um texto tão bonito que me arrepiou profundamente. Era difícil de acreditar que alguém que se apresentava tão frio, pudesse ter tanto dom com as palavras.

Tentei não desarrumar nada, não queria que ele soubesse que eu tinha lido aquilo. Estava claro que ele valorizava demais a sua literatura que eu gostara tanto, nunca me chegara a mostrar estes textos.



Nesse momento ouvi o barulho de algo a partir. No andar de cima. Assustei-me e desequilibrai-me. Por instinto segurei-me á mesa. Alguns dos papeis caíram.
Comecei a recolher os papéis que deixara cair com um pouco de pressa, visto que Ian não demoraria muito a mudar de roupa. Tentei colocar tudo da maneira como estava antes, mas a rapidez e o desespero fizeram-me bagunçar ainda mais a mesa.


Claro que ele iria perceber que eu lera os textos. Comecei a planear uma maneira de justificar a minha curiosidade.


Estava envolvida nos meus pensamentos de como pedir desculpas a invaçao de privacidade, quando foram interrompida por uma foto de uma pessoa conhecida.

Debaixo de todos os papéis que antes estavam sobre o móvel, estavam diversas fotos e, quando eu os mexi para tentar organizar, deixei uma delas descobertas.

Cat estava com um copo na mão numa discoteca. Não estava a olhar para a câmara ,ao contrário, parecia nem saber que estava a ser fotografada. Vasculhei mais algumas fotos. Umas era eu sozinha, na estação, na paragem do autocarro, num bar, na gelataria. Outras era eu com o Din e ou com a Cat.


Enruguei as sobrancelhas em sinal de confusão. Não entendia o porque de estarmos ali, Cat, Din e eu, com amigos e desconhecidos; perto e longe de casa; cada olhada, cada expressão, cada sinal, estava tudo lá. Além da confusão, o desespero e algumas lágrimas brotaram da minha face quando percebi o pior dos detalhes: haviam datas,e aquelas eram de há meses atrás. Muito antes de conhecer o Ian.

- O que é que estas a fazer?


Virei-me para encarar a sua expressão curiosa e um pouco intrigada. Ele, parado ali, não tinha o perfil de alguém que seria capaz de me fazer mal, não parecia um assassino mentiroso. Apoiado na parede da sala moderna estava o meu Ian, aquele que me proporcionara sentimentos novos e inesquecíveis, aquele que me fizera perder o medo de aspectos corriqueiros e banais e, também, de traumas que carregava comigo. Aquele com quem eu tinha perdido a vergonha e me mostrado, aquele que eu amara de corpo e alma. Definitivamente, não se comparava a alguém que me poderia magoar... Mas as aparências enganam.

Ele ainda não percebera as imagens que eu carregava nas mãos, certamente, estava a pensar que eu só estava a ler as suas estúpidas, sim estúpidas, e românticas histórias de parar o coração.

Aliás, ele era um estúpido por completo.

Por fazer as minhas pernas tremerem, por fazer o meu peito ficar apertado quando aparece, por me fazer corar nos raros momentos em que diz coisas bonitas, por me deixar sem saber o que dizer, por me fazer sua.

E a estupidez corria por todas as suas veias e fios de cabelos perfeitos. E naquele momento, não sabia quem tinha sido mais idiota: ele ou eu… por ama-lo estupidamente e não ter abrido os olhos a tempo.


O mais inteligente a fazer ali, é claro, seria disfarçar e sair o mais rápido possível. Então depois, eu poderia ir à polícia ou, simplesmente, optar por ignorá-lo para sempre.

E um sentimento ardia imensamente como um chicote açoitando a pele, a frustração tinha um efeito muito mais letal. Agia como um veneno a correr pelas veias, furando cada parte, queimando cada célula e, quem sabe, recusando-se a chegar à cabeça, que insistia em gritar que era MENTIRA.

E eu estava iludida, talvez. Tinha sido iludida. Agora que pensava nisso, isto era impossível. Um amor como o nosso era impossível, era falso. Já não existiam amores verdadeiros, mas o Ian – estupidamente – tinha-me feito acreditar que sim. Tinha-me feito acreditar que ainda existiam casais perfeitos, feitos um para o outro. Mas isso era mentira. Ou isso, ou eu tenho um íman para este tipo de homens.

Levantei, lentamente, a mão que ainda estava a segurar uma foto minha de há 3 meses atras. A angústia despertou na face dele como um balão de água que explode para todos os lados. E eu não queria, mas reconhecia aquela expressão, era a culpa.

- Senta-te. – Disse ele atormentado, alisando a testa com uma das mãos.

- Não me quero sentar. – E, por momentos, achei que estas palavras não fossem sair da minha boca.


- Eu posso explicar se tu me ouvires.

 

 


“Eu posso explicar”, provavelmente a frase mais famosa da literatura, do cinema e das telenovelas, estava realmente a ser usada ali, na prática. Era deprimente.

Caminhei decidida em direcção à porta,  mas ele avançou mais rápido que eu e impediu a minha passagem.

- Não vais sair antes de me ouvires...

- Eu não te quero ouvir.

- Mas vais.

Pensei em gritar ou em pedir socorro, mas pensando bem, Ian já tinha morto pessoas e facilmente me imobilizava e tava-me a boca.

Era muito mais forte e tinha a faca e o queijo nas mãos.

- Ian, deixa-me ir. – Disse seriamente. O que me apeteci era dezatar aos murros e as chapadas, mas eu estava no território inimigo. Din e Cat só sentiriam a minha falta somente depois de chegarem a casa, horas mais tarde.


Ele virou-se e trancou a porta sem dizer nada. Depois de guardar as chaves no bolso, sentou-se no sofá preto e apoiou a testa com as mãos deixando os cabelos negros caírem por sobre elas.

 

Fiquei parada próxima à porta. A imagem de Ian mortificado sentado no sofá não me comovera nem um pouco. A frustração estava  a misturar-se com a fúria e o produto delas não era nada bom.

- Eu estava a seguir-te, a ti e á tua familia.

- Que bom! Não vais negar o obvio. – Tentei usar o Humor, mas a ira era bem ouvivel na minha voz. – E quando é que nos ias matar? Alias, posso saber porque é que nos estas a perseguir?

- Porque tu tens algo que me pertence.

Ri amargamente.

- Eu não tenho nada.

E era verdade. Ian era rico, muito rico. Tinha montes de carros, um andar de luxo, roupa caríssima. Eu não tinha nada em relação a ele. Uma gota no Oceano. O Din, a Cat e eu era ‘ cada um por si’ só que na nossa versão.

- Ainda não.

E fiz o Flash. Foi por isso que ele não quis que eu entregasse a encomenda do meu pai. E fez-me acreditar que era uma pessoa, fingiu sentimentos só para ter o maldito pacote.


- Tu não quiseste que eu me desdisse-se da encomenda. – pensei alto.

Ele sorriu friamente para si.

- Tu tens que a guardar com cuidado, Ree.

- Não é o que tu queres? – Foi a primeira vez que elevei o volume da voz naquela noite. – Tu não queres a maldita caixa? Não foi por isso que te aproximas-te? Então leva-a, leve a tua caixa com teu precioso tesouro, só que não penses que isso vai trazer os teus pais de volta.

Ele tremeu ao ouvir a minha última frase. Era seu ponto fraco.

Podia não parecer, mas eu conhecia o Ian como a palma da minha mão. Pelo menos pensava assim.

-  Quando eu receber a encomenda, podes descansar que eu vou envia-la a ti, se isso te fizer assim tão feliz. Seres humanos, pessoas, encontram a felicidade neste género de coisa, mas eu não esperava isso de ti.


- Cala-te.

Esta palavra desequilibrou totalmente as minhas tentativas de conter a fúria em território inimigo.

- Calo-me? Não querias a Verdade? Tu não és humano, Ian. És um assassino, um reles assassino. Sem coração e muito menos com sentimentos. - apoiei o meu corpo de costas na parede e fechei os olhos


- Eu avisei-te que não era digno de ser humano. – Respondeu entre dentes em tom moderado, estava a começar a irritar-me.

- E quando é que dizes-te que estavas a fingir sentimentos por mim para ficares com a encomenda e depois matares-me? É que acho que deixei passar essa – Fiquei impressionada como uma raiva descomunal me estava a fazer ironizar a situaçao. Não era momento para ironias, resolvi falar asério e deixar a ferida descoberta. - Era esse o plano, não era?

- Sim. Escolhi o prédio com exactidão, o apartamento certo, convinci a Miriam e o Kyle sem saberem de nada. E comecei a estudar a tua rotina, a do teu irmão, a da tu melhor amiga. Sabia quando é que receberias o pacote. E, sim, iria matar-te, depois de ter a encomenda.


Corri os dedos por entre os cabelos e decidi parar de lutar, deixei as lágrimas de ódio e dor profunda escorrerem sobre as minhas bochechas. Abri a boca mas não consegui dizer nada, apenas cerrei os dentes e deixei mais lágrimas caírem silenciosamente enquanto eu desmanchava-me solitária naquele lugar. Balancei a cabeça de um lado para o outro a tentar negar a verdade.
E depois senti. Senti uns dedos quentes a subirem o meu queixo e encarei o verde, que outrora amara. Os seus olhos brilhavam , como se alguma vez estivessem a lacrimejar.

- Por favor, não chores!

Ian estava com uma voz mansinha e calma e que se este pesadelo não estivesse a aconteceu eu iria achar super atraente e atencioso. Tive raiva de pensar assim.

Funguei. Não iria chorar ali!

 

- Eu queria-te matar! Mas Isso foi antes de te conhecer.

- Vais dizer então que gostas de mim e estas arrependido? Achas que sou burra? – Sibilei com ódio. E a mim parecia-me obvio, Ian ia tentar-me enganar, como sempre fizera.

- Essa seria a última coisa que penso de ti.

- Então porque é que insistes? – Voltei a gritar , mas Ian não se afastou.

- Porque é a verdade! Eu tinha mesmo esse plano. – Respondeu com a voz mais enérgica.

- E porquê, Ian? Porque é que estavas a colocar a minha família em risco? Para quê seguir a Cat? – Esse era o ponto que mais me maguava. Porque raio é que Ian tinha que seguir a Cat, ela nem era da minha família, éramos apenas amigas.


- Porque precisava conhecer a tua rotina, hábitos, amigos, tudo o que pudesse servir...

- E o que é que eu te fiz? – E aproximei-me. Foi ai que vi as minhas mãos. E apercebi-me que tremia imenso. – Além de ter sido idiota e ingénua, o que é que de tão mau eu posso te ter feito?


- Tu não fizes-te nada. Mas o teu pais fez.

- Lava a boca antes de falar do meu pai. – Alto e para o Baile! Agora a discuçao tinha atingido outro patamar.

- Ele matou os meus pais, ele não passava de um assassino.

- Cala-te!! – Gritei com todo o ódio.

- E ainda roubou o projecto do meu pai e teve a ousadia de deixar para a filhinha...

- Ele não fez nada disso. – Era claro que Ian estava a inventar tudo isto. Precisava de motivos para ter feito o que fez.

- Fez. – Contorceu a face em raiva ao lembrar-se de um passado que não queria esquecer.

- Tens provas? – Balancei a cabeça e encarei o tapete. Não iria discutir a inocência do meu pai morto. Eu conhecia-o, era uma boa pessoa e eu tinha a certeza de que ele não fizera nada daquilo. Ian, ao contrário, parecia ter a certeza da sua culpa. Não adiantaria discutir. Não era isso que me estava a magoar profundamente. – Então por isso é que eu virei a tua vingança, foi?


Ele pareceu ficar menos nervoso e mais culpado com o desvio do assunto. Sentou-se no chão encostando as costas á parede, paralelo a mim. Abaixou a cabeça.

- Sim.

As minhas pernas também não me conseguiram suster e cai. Cai em todos os sentidos. Literais e nao literais da palavra. A adrenalina que sentira momentos antes esvaia-se, deixando-me exausta. Sinceramente, parecera-me a mim que só agora é que assimilei a informação. Tudo! Tudo ! Tudo  que vivera com Ian era Mentira! E mais grave de tudo, ele queria-me ver morta.

E entrei num buraco negro. Fechei os olhos e reparei que respirar tornava-se uma tarefa complicada.


Eu tinhas muros, defesas e ele destruira todas, passou por elas como se fossem de papel.. O meu interno estava arruinado, o externo mal conseguia estar em pé. Não tinha mais motivos para continua a discuçao, ali sentada no chão da sala tão bem decorada.

- Eu não planeei invadir o teu apartamento quando nos conhecemos. – Disse ele aleatoriamente, depois de um silencio que pareceu 2 horas.

 


Apenas levantei um pouco a cabeça, sem olhar o verde que tanto me enfraquecera. Demorei alguns segundos para me localizar na situação. Ele não esperou que eu respondesse, apenas continuou.

- Eu sabia que haviam outras pessoas, achei que estavam atrás de mim. Pensei que só eu é que sabia que irias receber a encomenda.

Ouvi sem ter nada a responder. Nem tentei.Não sabia se conseguia e tinha medo de tentar. O que ele dizia, as desculpas, os pensamentos, os planos, nada do que ele pudesse assumir me livraria da dor que eu estava a sentir naquele momento. Eram apenas palavras, uma faísca de fogo na superfície do sol.

- Percebi a falta da luz e os passos apressados. Definitivamente nunca planei o nosso encontro naquele dia  – Suspirou demoradamente e continuou com uma voz mórbida.

– Disse-te para ficares dentro de casa porque precisava de ti viva, are que complatasses 18 anos. Mas também queria saber quem mais é que queria a caixa. A caixa era minha, foi trabalho do meu pai, é minha por direito, mas eu sempre soube que existiam outras pessoas que a queriam possuir.

E eu não sabia. Não sabia se estava a reter a informação toda. As palavras passavam por mim sem mero significado. Apenas passavam. E eu mantinha-me estática ali, a tentar reunir forças para me levantar.

- Sei que é alguém da associação. Tenho a certeza. Praticamente todas as pessoas que participaram na experiencia estão mortas ou desaparecidas.

Eu tinha conhecimento desse facto, no mínimo achei estranho, mas nunca pensei na dimensão do trama cruel e vingativo que realmente era.


- Não é coincidência. – Reflectiu e ouvi ele a bater com a cabeça levemente na parede – A caixa só poderia estar com uma das pessoas do grupo.

E continuei estática onde estava. Não sabia ao certo o que é que estava a pensar. Os meus pensamentos passavam muito depressa como um carrossel veloz na minha cabeça. Imagens, sensações e memórias giravam em redor dos meus olhos.

- Estudei cartas, diários, fotos e documentos antigos, e percebi que ela era guardada por um grupo de pessoas restrito. O teu pai e o meu dividiam a posse dela na altura. Isso é, até meus os pais morrerem num acidente suspeito. Então o teu pai, agora, era o único que sabia onde ela estava e, por motivos desconhecidos, guardou-a numa agência segura onde teve certeza de que te seria entregue aos dezoito anos.

A história parecia-me convincente até aquele ponto, mas eu, ainda assim, não acreditava que o meu pai fora capaz de matar duas pessoas e fazer parecer um acidente apenas para roubar uma maldita caixa.

- Eu pensava que só eu é que sabia disto. Pensava mesmo que eles andavam atrás de mim. Mas ao que parece, descobriram o que o teu pai te deixou.


Ele parou para poder respirar e continuar a história. Ian não tinha emoções, apenas falava tudo como se conversasse consigo mesmo. Nalguns momentos, nem sequer parecia que tinha consciência de que havia ali outra pessoa, tinha ares de quem estava imerso numa auto-reflexão.

-  Eu não queria aproximar-me de ti! Nem queria ser teu amigo. Queria apenas passar despressebido.

E mesmo a olhar para o chão senti os olhos dele a perfurarem-me a pele. A obeservar-me a mim, em absoluta destruição.


- E também não planeei a maneira como me senti quando a vi caida no chão.

Isto fez-me levantar a cabeça, e ai sim senti ódio de mim mesma.


- Parecias tão frágil, tão suave e, ao mesmo tempo, tão forte e corajosa por teres saído de casa mesmo depois de ouvires o tiro.


E senti-me estúpida. Ao ouvir estas palavras na boca de outra pessoa, soava-me á coisa mais estúpida a fazer-se naquele momento. Mas isso agora não me estava a preocupar

- Desobedeci a mim mesmo quando te levei ao hospital. E tu fazias questão de não demonstrar dor. Não queria que eu sentisse pena ou achasse que eras fraca. Foi engraçada a maneira como me contrarias-te em tudo, não querias que eu te levasse, não aceitas-te nada do que te ofereci e dispensas-te qualquer simpatia forçada. E, de longe, parecias tão comum, mas de perto eras tão diferente das outras.

- Shiu! – Pedi rapidamente. Eu simplesmente não estava a conseguir ouvir aquilo.
Ele ignorou-me completamente.

- E de repente não sabia o que é que se estava a passar comigo. Queria concretizar o meu objectivo. Eu devia matar-te e sentir-me bem com isso.


Coloquei os meus braços por cima dos joelhos e apoiei a cabeça neles, foi a maneira que encontrei de conseguir ficar com o rosto erguido. Foi ai que vi o verde vivo dos olhos do Ian.

- Eu nunca estive assim, Ree. De repente já não sentia felicidade na tua morte. Pior, sentia angustia, decepção. Raiva! Uma mistura de emoções que me deixavam sem nada.

- Pobre Ian. – Ri da minha ironia. Era incrível todas a suas mentiras. O vilão que virara a herói porque se apaixonou. Tão cliché, tão detestável…

- Eu sei o que é que estas a pensar.

 

- Não sabes, nao.

- Sei, sim. Não é difícil decifrar-te.

Não contra-argumentei. Ainda estava a juntar forças para me levantar e ir embora dali. Não sobraria nada quando ele terminasse e eu sabia que não havia mais nada a fazer.

Era o Fim!


- Não quero ser o bonzinho, não quero ser o sofredor. Não sou o herói. Sou apenas humano e miserável. Quis contar diversas vezes a verdade e tive medo. Ao contrário de ti, eu sou fraco e covarde. Tu foste a única pessoa que me fizera admitir isso para mim mesmo.

- Terminas-te? Posso ir agora? – tentei dizer seria. Agora depois do choque o choro era inevitável. Mas eu não queria desabar já. Queria primeiro chegar a casa. Não queria mostrar a parte fraca


- Não, Tu és o meu veneno.


E comecei a pensar no sentido da frase. Geralmente, seria uma coisa muito rude de se dizer a alguém, mas, para ele, parecia fazer sentido. E então veio-me á memoria o trencho que eu lera. A sereia.


- Preciso que me entendas.

- Eu Não quero entender.

- Não quero que me perdoes, isso sim seria pedir muito. – Levantou-se e aproximou-se devagar. – Quero que me compreendas.

- E porque é que queres isso? O que é que muda para ti? – Fiquei satisfeita ao perceber que já recuperara a fala, era um bom começo.

- Carrego a vingança como motivo de existência, tu sabes. A minha vida não tem outro significado. Apenas… matar-te. Mas como não quero fazer isso, apenas pesso que me entendas.


- Eu já te disse que não quero entender nada. – Levantei-me num movimento rápido, com toda a força que consegui juntar – Tu construíste este relacionamento com base em mentiras. Quem é que me diz, que quando sair pela aquela porta tu não me vais matar?


- Eu já disse que não...

- E como posso acreditar no que tu dizes? – Repliquei num tom mais elevado. – Tu és um mentiroso. Mentis-te sobre ti, sobre nós…

- Mas eu AMO-TE , isso não importa? – gritou de repente.

- Não. Não importa. – fiz uma pausa – Deixa-me ir.

Ian não disse mais nada. Tirou a chave da porta dos bolsos e girou-a dentro da fechadura. A porta abriu-se com suavidade. Ele não levantou a cabeça para me olhar uma ultima vez.


- Ah. – Disse eu antes de sair – Se tu ousas entrar no meu andar pela exterior, eu juro que chamo a policia.
- Eu não vou desistir de ti

- Estás avisado.

Virei as costas e nunca mais olhei para ele.

sinto-me: Magnifica!
música: Erase me - Kid cudi
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Sábado, 28.08.10

17º Capitulo - Rasto de fogo...

Finalmente!

Este é um capitulo um bocadinho, como posso dizer...

coff,coff

saidinho das cascas digamos!

 

 

e eu sei que nao esta nada de jeito --'

deve estar mesmo pessimo!

mas digam alguma coisa: onde é que eu tenho de melhorar e isso...

 

A noite foi divertida, excêntrica e muito, muito louca. Louca ficava eu a ver o Ian a dançar. Meu deus!

Já eram 6h30 quando a festa acabou. Perdi a Cat de vista ás 3h, não faço ideia onde ela esteja… mas ela safa-se.

Desta vez foi o Ian a conduzir, eu já não estava muito sóbria, e sóbria+falta de jeito = mau resultado.

O Ian estacionou o carro e foi-me abrir a porta para eu sair e também ajudar a sair.

Eu estava lúcida, tinha a pela noção do que se passava á minha volta… os movimentos é que não conseguia controlar muito bem.

Era sempre assim quando bebia demais!

Entramos em casa e eu vi um papel no frigorifico:

Afinal apeteceu-me ir dar uma volta,

Vou a um bar qualquer…

Vimo-nos amanha á tarde :P

Beijos,

Kyle

- Afinal, tanta fita e acabou por ir sair… - disse o Ian a rir-se

- Pois… - murmurei, depois virei-me para ele - Tou com fome!

- É para já!!  - disse ele a rir-se e deu-me um beijo suave nos lábios.

E foi-me preparar um lanchinho. Já eram praticamente 7h e tínhamos gasto energias, já para não falar do álcool! Precisava de comer!

Foi para o sofá e comecei a ver uma gravação do Sobrenatural.

- Aqui esta Madame! – sentou-se e com ele trazia um tabuleiro com 2 croissants , 2 copos de sumo de laranja, 2 taças com morangos e uma taça com chantilly.

Morangos?!

- Tínhamos cá Morangos??

- Eu já previa esta situação… - disse e pegou num morango passou-o pelo chantilly e deu-mo á boca.

Trincai-o e a outra metade foi para ele… depois beijamo-nos.

- Andas a prever muitas coisas…

Comemos os croissants e a seguir os morangos. E não me perguntem o que é que estava a dar na televisão, porque eu não reparei…

- Eu detesto-te.

- Pois… eu sei. Eu também te detesto.

- Eu detesto-te mais… - e atrevi-me a ir para o colo dele. Eu estava sentada em cima dele de pernas abertas , virada para ele. Dei-lhe um beijo muito rápido.

- Acredita Ree. Eu odeio-te muito mais... – e não tive de forçar mais… Ele colocou a mãos nas minhas ancas e deu-me um beijo.

Um beijo, não. Aquilo não era um normal beijo.

Era diferente. Sentia fogo. Fogo em toda a parte. Porque Ian estava em toda a parte.

Ele percorria as minhas ancas com as mãos, arrepiando-me. E eu levei as mãos ao seu cabelo. O cabelo era sedoso e lindo. Eu puxava-lhe o cabelo quando estava nestes momentos e ele nunca me pareceu muito preocupado.

Ele levantou-se comigo ao colo. Rodei-lhe a cintura com as pernas e ele segurou-me com uma mão nas costas e outra nas ancas.

Era impressionante como ele me pegava sem vacilar. Quer dizer, eu ainda tinha os meus 58 kg. Não era propriamente levezinha. Mas ele nem parecia reparar.

Enquanto andava continuava-me a beijar-me ferozmente. E eu puxava-o mais para mim, com os braços…

Percebi para onde ele me levava : Quarto! Ou melhor o meu quarto.

Abriu a porta e fecho-a.

Ian olhou-me com Desejo. Com nunca o vi olhar. Agarrou-me novamente e beijou-me ferozmente. As nossas línguas bailavam uma musica silenciosa e o meu coração palpitava a mil á hora.

Deslizei as minhas pernas e toquei com os pés no chão. Ian apercebeu-se que eu estava ofegante e então começou-me a beijar o pescoço. Sentia-me toda arrepiada.

Nunca me tinha sentido assim. O Ian era único, e provoca em mim coisas únicas.

 

O quarto estava banhado pelos primeiros raios de sol. Frágeis feixes de luz que atravessavam a escuridão do quarto.

Respirei extasiada.

Ian despiu-me e eu fiquei ali, só com a langeri.
Avaliou o meu corpo com um olhar de luxúria.Tinha as minhas faces a escaldar.

Lentamente desapertei os botões da sua camisa preta. E vi o seu peito. Meus Deus!!
Fiz deslizar a Camisa ate ao chão. Senti a mão quente dele nas minhas costas. Começar no fundo da minha coluna e parou no soutien, desapertando-o rapidamente. Senti que a respiração dele faltara.

- És perfeita!

Ian recomeçou-me a beijar. A mão dele mantinha-se no fundo das minhas costas. Estávamos em fogo.

Eu e ele. Ree e Ian. Ambos em fogo. Um fogo bom. Um prazer.

Ian pegou em mim e deitou-me na cama.
Nunca vira aquele olhar no Ian. Era como alguém que se tivesse perdido no deserto abrasador e encontrasse um copo de água.
Despiu as suas calças. Céus! Nunca vira corpo tão perfeito. Ian cobriu o meu corpo com o dele, ofeguei quando senti os meus seios sensíveis contra o seu peito nu.

Aquela intimidade com o Ian… era… Um sonho tornado realidade.

Sabia o que ia acontecer.

Desde á muito tempo que sabia que isto ia acontecer. E sabia que iria ser com Ian. Só ele é que me fazia corar, só ele fazia as minhas pernas tremer e só com ele é que sonhara este momento.

O Ian começou-me a beijar agora furiosamente. Ardentemente.

De repente parou de me beijar e olhou-me nos olhos:

- Tens a certeza?

E pensei no que é que aquilo implicaria. Tinha 17 anos, e era virgem. E ali estava eu, com o homem dos meus sonhos e prestes a viver um dos momentos mais importantes da minha vida.

- Sim… murmurei e beijei-o, puxando-o mais para mim.

Eu queria. Eu desejava-o comigo.

- Amo-te – disse ele. Eu também amava-o e era preciso ser dito. Eu queria dize-lo.

- Amo-te!

Naquele momento o meu medo evaporou-se. Nunca tinha pertencido a nenhum homem, mas sabia que aquele homem, ia ser terno comigo. Ia amar-me. Corpo e mente. Seria dele, apenas dele.

Levei as minhas mãos às costas de Ian e percorrias, sentindo os seus músculos, a sua pele, o seu corpo quente. Enquanto que Ian brincava com os meus seios e beijava a minha boca arrancando gemidos meus.

Levei a mão ate ao seu ventre, tremeu com o meu toque. Fiquei feliz com isso. Ele tocava-me como nunca ninguém tinha tocado. Sensações novas e selvagens.

O momento prolongou-se tornando-se – sem sombras de duvidas – cada vez melhor.


O fogo ainda ardia, mas não tão intensamente provocando uma aura de romantismo evidente. Era tão bom estar com o Ian assim…

Tinha sido o momento perfeito.

Perfeito, tal e qual como o meu namorado.

Acordei em cima do peito dele. Ian fazia-me festas nas costas, só com um dedo. Um rasto de fogo, que me fazia estremecer. Estiquei-me e beijei-o. Eu estava tão feliz. Tinha a vida perfeita, com a pessoa perfeita. Sentia-me como se tivesse atingido o pico de felicidade.

- Bom dia minha Sereia!

- Bom dia … - disse eu ainda meia a dormir.

- Amor, preciso de saber uma coisa. Magoei-te?

Perguntou a medo. E fiquei impressionada. Nunca pensara ouvir aquele medo na sua voz. Quis tranquiliza-lo.

- Não, amor. Foste um querido!

- Ainda bem, estava com medo sabes?!…- Beijei-o para o tranquilizar -  Então o que é que a minha rainha vai querer como pequeno almoço?

- Humm… uma dose de beijos inesquecíveis, um iogurte e umas oreos, se faz favor…

- Que lista grande! – e riu-se, a seguir rodou sobre mim - ficando por cima - e beijou-me. Apoiava o peso do corpo com os braços que eu amava tocar.

- Já estas saciada ou nem por isso? – perguntou-me com um olhar maroto.

- Humm… nem por isso! – e soltei um risinho puxando-o mais para mim.

Tilim Tilim, alguém estava a tocar á campainha. Olhei para o Ian.

- Quem será?

- Não estou á espera de ninguém…

- Queres que eu vá abrir?

- Não, eu vou…- dei-lhe um beijo e levantei-me. Vesti o meu robe.

- Humm… que bela namorada que eu arranjei! – Piropou o Ian.

Pôs-lhe a língua de fora e sai do quarto com o Ian no meio dos lençóis.

Fui abrir. Era a Cat.

- Ora seja bem vista!! Não tens a chaves??

- Não… - disse ela tristemente – Devo-as ter perdido…

A Cat entrou com os sapatos na mão e com o cabelo lastimável.

Nunca tinha visto a Cat assim. Sentou-se no sofá derrotada.

- O que é que se passou?

- O Kyle…

- O que é que se passou com o Kyle?

- Ontem á noite nós encontramo-nos na discoteca e…

- E…

- E eu e ele começámos a dançar e …

- E…

O resto veio disparado.

- E beijamo-nos, mas depois ele parou de repente e disse que já estava farto de ser usado quando eu estava bêbada e depois saiu disparado…

- Humm… já estou a perceber.

- Mas eu não estava bêbada, percebes? – e aqui começou a choramingar – Eu gosto mesmo dele e ele pensa que não…

Abracei-a.

- Ai! Querida não fiques assim! Queres que eu fale com ele?

- Não, não. Eu falo, pode ser?

- Claro que sim… Vá mas agora quero outra carinha!!

Ela sorriu

- É isso mesmo… Bem agora eu tenho de … hum …volta para o quarto…

Ela olhou-me com uma cara curiosa… Decidi contar-lhe o inevitável.

- Eu e o Ian… hum … nós…

- A serio??!! – Guinchou, afinal onde é que estava a tristeza de a um bocado?! – Como é que foi?? Ele ainda ai esta??

- Está… e, eu vou ter com ele…

- Ah! Claro, claro! Vai… e diverte-te! – e riu-se – Eu também não estou aqui muito tempo…

Só Cat…

Levantei-me do sofá e encaminhei-me para o meu quarto. Bati e abri a porta sorrateiramente.

Ian não estava na cama.

- Olá Minha Sereia! – surpreendeu-me por trás, agarrando-me pela cintura.

Começou-me a beijar o pescoso.

- Vamos tomar banho? – perguntou-me com um olhar deliciado.

- Humm… tu hoje estas muito saidinho das cascas…

E ele riu-se.

- Só quero dar prazer á mulher que mais amo na vida… isto faz de mim um perverso?

- Não, não faz… até porque essa tal mulher, gosta muito do que tu lhe dás… .

- E que me dizes em amanha irmos lanchar á tarde? – propôs o Ian.

- Combinadíssimo… ás 4h em tua casa?

- Certo!

- Mas… e então o banho? :D

 

 

 

 

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Sexta-feira, 20.08.10

16º Capitulo - Acçao - 2ºparte

Espero que gostem ^^

eu sei que esta foleiro ...

a cena da viagem foi inspirada numa cena da minha vida! xD

imaginem-me  ... :S

 

O resto do dia passou devagar.

Pelo que me apercebi, Cat não ficou muito assustada com o que descobriu.

Mas eu sim. Não era por mim, claro que não. Apesar dos avisos do avo Freddi, que a meu ver sem nenhum fundamento, eu não temia por mim.

Era por ele.

Para ele andar com uma arma era porque poderia precisar dela.E isso não me agradava…

No fim do dia, fui com a Cat para casa.

Quando cheguei, lá estava o Ian , o Din, o Kyle e a Miriam.

A Miriam e o Din estavam juntos claro :D

O Ian estava sentado na poltrona, e o Kyle estava sentado numa cadeira com um saco de gelo na cabeça.

- Ola! Entao tudo bem? – é impressão minha ou mudaram de assunto quando nós entramos?!

- Ola … sim, mas parece que o Kyle não esta muito bem – gozou o Ian. Pousei as coisas no chão e fui para o colo dele …

Sim, agora olhava melhor para o Kyle…

Ele tinha marcas de sangue na T-shirt e um grande golpe na nuca.

 

- O Meu deus! – disse a Cat com admiração quando o viu de perto. Aproximou-se – O que é que se passou?

Cat aninhou-se ao pé de Kyle e começou a observar a ferida.

- Foi num… hum… jogo. Caiu-me um poste em cima.

O quê? Um poste em cima?

Aquilo soava a tão falso. Olhei para Ian e olhar dele parecia concordar com o meu.

Ele depois tinha-me de explicar aquilo melhor.

A Cat estava tão preocupada que nem reparou na mentira chapada.

- Já desinfestas-te?

- Não, ele está-se a armar em forte! – disse a Miriam, acompanhada pelo um risinho do Din.

- Não é isso. – apressou-se o Kyle a dizer – Isto não é nada…

Apesar de estarem divertidos, notava-se alguma tensão no ar.

- É … o Kyle tem a mania que é bom! – disse o Ian a rir-se.

- Não isso não… vou buscar alguma coisa para desinfectar. – disse a Cat e saiu para o corredor.

Nessa altura aproveitei.

- O que é que se passou mesmo? – sussurrei para o Ian.

- Parece que a associação não se esqueceu de nós… - disse com uma voz sombria.

Logo a seguir veio a Cat.

- Isto deve chegar… -disse ela, e começou a curar a ferida.

 

Enquanto a Cat estava de volta do Kyle e eu a ‘brincar’ com o Ian, comecei a pensar.

A Cat encontrara uma arma. E , conforme a conhecia, ela iria pensar sobre isso. Muito.

 

E eu não poderia deixa-la assim. Apesar dela estar sempre na brincadeira e ser meia amalucada, a Cat quando se tratava de uma coisa séria ela comportava-se da forma devida.

Confio nela plenamente. E se eu lhe contasse tenho a certeza que não ela não iria dizer nada a ninguém

 

- Vamos sair hoje á noite? – perguntou o Ian.

- Claro! – e sorri-lhe. Há algum tempo que não tinha uma saída em condições.

- Nós não vamos…  - Disse o Din. E aquele ‘nos’ referiam-se a ele e a Miriam. Ainda bem que a relação deles estava a dar certo.

- Vais Kyle? – perguntou a Cat ao Kyle.

- Não… mas vai! Assério! Eu fico bem …. – não sei o que é que ele disse, mas ela decidiu vir.

 

O Ian foi a casa tomar banho e trocar de roupa, e eu e a Cat estávamo-nos a preparar.

Aproveitei o momento.

 

- Como é que encontras-te a arma, afinal?

- Ainda bem que dizes isso… – e fez uma pausa para vestir a camisola – O que é que se passa? E não digas que é Nada, porque quem nada não se afoga…. Eu já percebi que á ai alguma coisa estranha.

 

E… Eu contei-lhe. Contei-lhe a cerca da morte dos pais do Ian, e da vingança dele. Contei-lhe do projecto deles. Contei-lhe da associação que os perseguia e contei-lhe que os meus pais também faziam parte dessa historia, de alguma forma.

Contei-lhe que estavam em perigo e que NÓS estávamos em perigo.

 

 

 

 

 

 

Cat reagiu da melhor forma, como previa.

- Entao… e eles já descobriram alguma coisa sobre essa tal associação?

- Nada de muito especial…

- Então… estamos todos em perigo, não é?

- É mais ou menos isso…

- Eu já tinha desconfiado… Não gosto é nada da ideia do Kyle andar atrás dessa gente perigosa, mas eu depois trato disso – suspirou – Vamos? – perguntou, com a animação de volta á sua voz

 

*

 


– Tu é que vais conduzir? – Perguntou a Cat ainda incrédula com as minhas capacidades de condução.


– Ela já teve algumas lições... – Disse o Ian, mais convencido das minhas capacidades do que eu  – Além disso, não é muito longe... – E tento mais uma vez convencer a Cat que eu conseguiria conduzir.

– Eu vou a pé. Fim. – Disse ela decidida.


– Porque?! Ela já sabe o básico, agora só precisa de treino…– Agora já conseguia distinguir um bocadinho de incerteza na voz dele.
– Que ela treine com a tua vida então! – Cat cruzou os braços e respondeu irritada. – Eu ainda não arranjei o homem da minha vida, não estou pronta para morrer.

A palavra “morrer” também me fez desligar um pouco desse diálogo. Cat acabara de disser que estaria pronta para morrer quando encontrasse o homem da sua vida, e eu?

Quando é que eu iria sentir que estava pronta para morrer? Quando é que iria sentir que a minha vida valia a pena?


– Ela precisa de uma oportunidade…


– Tens noção do que é que estas a dizer? Estás-me a pedir para entrar num carro, cuja condutora tem que pensar um bocado para saber qual é o lado direito e esquerdo!!!!
– Ela no fim descobre, sempre – Tentou o Ian justificar – Ela é a tua melhor amiga, apoia-a!


– Eu estou a apoiar!  - e colocou-me a mão no ombro a apoiar-me – Ree vai em frente nisso, mas tenta não morrer!

 

– Cat, não vamos morrer. – Disse o Ian na milésima vez de tentar convence-la – Podemos matar algum gato ou atingir um poste, mas morrer é demais.

Cansei-me daquela conversa.

– Já chega. – Tirei as chaves das mãos do Ian – Vocês vão comigo e vão agora. Andem!

Era extremamente irritante o diálogo entre o meu namorado e a minha melhor amiga a discutirem quantos estragos é que eu provocaria… Estava decidida a mostrar aqueles dois chatos que eu conduzia, e conduzia bem. Sem nenhum estrago!


– Mas eu já disse que eu não... – Contestou a Cat.


– Eu não estou a perguntar, eu estou a dizer que vais!

– Se eu morrer, eu mato-te. – Balbuciou ela. Não me contrariou mais, porque vira que eu não iria mudar de ideias.

– Ficas-te má? – Ian perguntou  e riu-se da minha ira repentina.


– Atropelar um gato... Francamente.

– Qual é o problema? – e deu um sorrisinho -  Ninguém se iria preocupar muito…


– Fica ai á minha frente e vamos ver que gato é que eu vou atropelar. Vamos. – Passei á sua frente, e ignorei as gargalhadas.

Agora repava no carro..
– Eu acho que... Bom, o carro é teu e é novo e...

– Estás a fraquejar? – Perguntou com aquele sorrisinho de quem gostava de me ver chateada.

– Não.

Mais uma vez, o meu orgulho venceu

 

– Devias ter comprado um tractor... – Disse a Cat, com medo na voz. Sentou no lado no banco de trás e pôs o sinto rapidamente. Agarrou-se bem á porta.


– Vai resultar. – Disse Ian com calma, e esboçou um sorriso. Via-se no olhar verde- oliva que ele acreditava em mim. – Fica calma.

– Eu estou calma.

– Então não fiques nervosa.

– Não vou ficar.

– Ree, o bar que queremos ir fica perto. Por isso é simples – Acomodou-se no banco do passageiro e colocou também ele o sinto de segurança.
– Isto vai dar um filme de terror… - suspirou a Cat.
– Não sejas assim…

– Depois dela tirar a carta, vou ficar admirada com ela, até lá, somos suicidas.

– Fica calma ok? – disse eu enérgica sem olhar para o banco de atrás. – Estou me a tentar concentrar…
– Tu consegues. – Disse o Ian parecendo mais convencido do que eu…

Fechei os olhos por um momento e coloquei as duas mãos sobre o volante do carro.. De repente, lembrei–me de uma frase que precisei para um trabalho “ Se tu estiver convencido que não consegues, não conseguiras’”. Então um sentimento novo brotou em mim, eu iria chegar intacta aquele bar, custe o que custasse. Girei a chave e liguei o carro.

– Óptimo, agora devagar... – Ian pareceu satisfeito. Aposto que, na sua mente, ele pensara que eu ia desistir. Acho que ficou contente por estar errado. Eu não desisto.

Fiz exactamente da maneira que ele me ensinara nos dias que passamos a treinar.

Já estávamos quase a entrar na rua principal, que por norma tem um transito infernal. Nunca ninguém disse que era fácil. O nervosismo me fez apertar o acelerador, o que nos fez voar para frente e quase atingir uma árvore.

– Trava, trava! – Gritou a Cat e eu travei.

Os nossos corpos foram projectados para frente e, após a travadela brusca, para trás. Os meus cabelos voaram para cima do meu rosto e eu comecei a respirar pela boca. Ian não disse nada, quando eu o contemplei pelo canto do olho, ele estava com aquela expressão estranha de quem está a tentar não rir.

 

- Não tem piada nenhuma!

 

Irritou-me . Acelerei novamente e virei o volante para a esquerda para entrar finalmente entrar na estrada. Um carro buzinou quando quase lhe acertei.

– Olha para o retrovisor. – Corrigiu o Ian.
Podia ter dito mais cedo. Agora eu já estava no centro da avenida e haviam muitos carros a buzinarem. Eu estava parada

Acelerei outra vez. Agora era  mais fácil. Era mais de metade do caminho em linha resta. Que mal é que podia acontecer?

O automóvel foi deslizando suavemente pela avenida, a uma velocidade normal, sem mais desafios, sem ultrapassagens, sem perigo. Eu estava orgulhosa de mim mesma. Aumentei um pouco a velocidade porque já era um bocado tarde – e eu queria uma mesa bem situada no bar – estava a desempenhar bem a função... Até ao primeiro semáforo.

Eu estava a uma velocidade considerável a te que vi a luz amarela, por um momento  fiquei na dúvida se deveria travar bruscamente ou acelerar mais um pouco e passar. A segunda opção pareceu-me a melhor naquele momento. Acelerei sem ligar á luz amarela, que passou logo para vermelha, e assustei as pessoas que estavam no passeio. Quase bati num camiao que passava no semáforo verde da outra avenida e arranquei alguns galhos das plantas que se encontravam no canteiro central.

Depois disso, perdi totalmente o controle do carro por causa do susto. Quase acertei na traseira dum carro da frente que estava em velocidade menor, fiz a ultrapassagem e desmontei um ciclista da própria bicicleta. Travei bruscamente no próximo semáforo (eu tinha aprendido a lição... ou quase) e a Cat bateu a cabeça no vidro, mas o mais importante de tudo: chegamos inteiros ao nosso destino.

– Chão! Chão firme! – Gritou a Cat quando saio do carro – Eu vou andado, estou lá dentro!

E desapareceu no meio da multidão á entrada dos bares.

Ian começou a dar gargalhadas no banco do passageiro e eu ainda estava em choque. Não foi uma completa catástrofe como tinha grandes hipóteses de ter sido, mas estava longe de ser ter sido uma viagem tranquila.

– Do que é que te estas a rir?

– Foi divertido!


– Foi um desastre.

– Não exageres.

– Quase atropelei uma pessoa!


– O que? Ele montou logo na bicicleta…– E riu com mais intensidade ainda.

– Podia ter sido perigoso, Ian!  –  E agora eu estava seria. Detesto quando ele se ri destas coisas.


– Tu precisas de relaxar mais. Eu não te teria deixado atropelar ninguém. – E ficou mais sério agora, mas ainda tinha aquela expressão bem-humorada. – Também não deixaria que tu colocasses as nossas vidas em risco. Só que, promete que nunca fazes isto sozinha. Nunca.

– Ok!

– Enquanto tu não tiveres carta, não vais conduzir sozinha.

– Tudo bem. Estava tão assustada que poderia concordar com qualquer coisa naquele momento, mas o Ian estava correcto. Só nos arriscamos assim porque ele estava ao meu lado.
Ficamos parados dentro do automóvel por mais algum tempo, eu ainda precisava de recuperar desta experiência marcante. Passado alguns momentos consegui-me acalmar.

– Eu acho que arranhei o teu carro. – Disse finalmente. Tinha ouvido o tilintar de vários objectos diferentes a arranharem o metal durante a Viajem.

– Sem problemas. – E sorriu com o habitual humor negro. – Comprei este carro para praticarmos, não esperava que fosse voltar inteiro. Tu Fizes-te um bom trabalho.

– Sabias que Tu és irritante?

– Eu sou irritante. – E deu de ombros despreocupadamente.

– Sim, muito. Tu irritas-me ao máximo. Ficas-te a rir do que eu faço mal, sempre com esse sorrisinho irritante. E a tua perfeição incomoda-me.


Ele arregalou os olhos ainda a sorrir.

– Perfeição?

– Sim.

– Eu estou tão longe da perfeição, Ree…


E não discuti. Não estava para entrar numa parava do: És, não és, és, não és….

– Eu posso pagar-te o concerto do carro…


– Não é preciso.

– Mas eu arranhei-o.

– Não me estou a preocupar com o carro…

– Estás a ver o que é que me irrita? Tu és rico..


– Eu sou rico.


– Tu és engraçado.

– Eu sou engraçado.

– Tu és sexy. – E continuei a minha lista de reclamações acerca do Sr. Perfeição.

– Eu sou sexy. – Sorriu torto e depois mordeu o lábio.

Eu achava incrível como é que ele podia ser tão convencido.

– Eu sou seu. - Completou

 




 

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publicado por RiiBaptista às 22:07 | link do post | comentar | ver comentários (29)
Quarta-feira, 18.08.10

Um beijo... :D

Para quem lê a minha fic 'Sem Nada' ....

 

Um beijo do Ian!!!

 

 

Espero que tenham gostado :P

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publicado por RiiBaptista às 15:42 | link do post | comentar | ver comentários (12)
Terça-feira, 17.08.10

16º Capitulo - Omissões - 1ºparte

Este capitulo nao esta mesmo nada de geito --'

mas pronto...

 

O meu pai e o pai do Ian juntos. Era bom saber que foram amigos. Amigos? Ou apenas colegas de trabalho?

Eu, sorridente, contemplei a foto por um momento, era difícil encontar fotografias do meu pai lá em casa. O Din tinha-as guardado não sei a onde. Ele não gostava de relembrar momentos, que outrora eram boas memorias. E talvez para mim, também fosse o melhor.


Na foto, a face dele demonstrava tanto orgulho, como calor humano. Uma mistura de felicidade e tristeza invadiram-me, tanto como a surpresa. O que é que fazia uma fotografia do meu pai em casa do avo Freddi?


– Eu já tinha suspeitado. – Disse sereno enquanto tirou a fotografia da minha mão e a pousou-a novamente. – Tens o mesmo olhar esperançoso que o teu pai…
– Tenho? – Perguntei com a voz a tremer. Agora, já estava a fazer um esforço para não chorar.

– Tens. – E sorriu. – Aquele mesmo olhar de quem flutua sem colocar os pés no chão e que acredita num futuro mais agradável.

Aquele era o meu espelho. Era como eu me sentia agora. Mas como…?


– Então, o senhor conhecia-o?
– Era amigo do Filipe, veio aqui a casa algumas vezes.

– Filipe... Pai do Ian?

– Sim. Era outro que não gostava muito da realidade. – Riu triste de si mesmo. A morte do filho também não devia ter sido fácil de ultrapassar a este velho.


– Porque é que as melhores pessoas vão sempre primeiro?

– Porque a humanidade não se aceita ver pequena… – E piscou-me o olho, depois levantou o pescoço e olhou para trás de mim – Miriam! Eu estava justamente a contar á Rebecca para a como é que a sua tia Susan conseguiu esta medalha de natação! – Riu ao lembrar–se da história.

Miriam sorriu e acrescentou

– E ela não nadava nada de jeito… – E riu-se.

– Sim sim! Foi um feito inacreditável ela ter ganhado aquela competição! Estao com fome? – A Gertrudes estava a fazer alguns bolinhos quando cheguei, vamos lá!

– O que é que tens? – Perguntou-me a Miriam preocupada. Nunca fui muito boa a esconder sentimentos.

– Porque está com fome! – Respondeu o Sr. Freddi rapidamente.
– Está tudo bem? – E chegou-se mais perto.

– Está sim, querida.

Eu percebi que não a convencera. Só que Miriam deu-me espaço, e não insistiu mais.


– Gostas de bolinhos?

*

Já estava em casa e ainda faltavam duas horas para o Ian chegar. Essas duas horas passeias no sofá.

A decidir: mentir ou não mentir?

Claro, que omitir estava dentro de mentir. Pois quem omite não diz a verdade, e quem não diz a verdade é mentiroso.


Contar a verdade nunca fora o mais fácil, mas era o caminho certo.

– E então? O que Fizes-te hoje? – Perguntou depois de algum tempo quando estávamos estendidos no sofá.


– Nada de mais. – Menti!  Não sou corajosa o suficiente. Não tenho força suficiente. Tenho medo, por isso … Menti.

– A Miriam estava estranha… - desabafou…

Se estava estranha é porque não se descaiu…. O que é bom!!!

- Como assim? – Perguntei a medo…

 

Ian franziu as sobranselhas.

– Bom, não sei. É como se escondesse alguma coisa… mas não sei o que é…

- Talvez não seja nada…

 

- Eu sei que é, … mas... vamos mudar de assunto!

 

Pareceu me muito bem!

 

- Parece-me bem!


– Quando é que queres continuar as aulas de condução? – Perguntou bastante animado. Eu queria mudar de assunto, mas para este não -.-


– Posso me sentar no teu colo enquanto conduzes? – Perguntei com um ar travesso.


– Pára de me provocar. – E riu alto. – Que tal amanhã?

– Por que é que tu insistes tanto?

– Porque é necessário. Alem do mais prometes-te á Cat que a levarias á faculdade de manha…


– Odeio quando tu estás certo.


– Ah pára com isso. – E deu o usual sorriso malicioso. – Tu não me odeias sempre!

-----

Domingo é um dia normal. Apesar de fazer parte do fim de semana, não á como evitar a passageira depressão do ‘amanha é segunda-feira’. É impossível lembrarmo-nos do domingo como um dia livre, porque pensamos logo no dia seguinte… e a alegria desfaz-se logo.
Não é que a segunda-feira seja má ou que eu acredite nos horóscopos e no azar para esse dia. Nos fim de semanas divertimo-nos, dormimos, comemos e faremos o que quisermos. Mais uma razão para a segunda-feira ser má. Afinal, quem é que se quer levantar cedo e ir estudar a uma segunda-feira?


Bom, na verdade, ninguém quer, mas todos vão para a faculdade.

– Preciso de descanso…. – Disse a Cat enquanto mandava os cadernos para dentro da mala.
– Só daqui a quatro dias. – Respondi desanimada.


– Porque é que as segundas-feiras existem? Diz–me quem inventou esse dia e eu esgano-o.

– Porque é que estas tão nervosa? O que é que se passou?– Ela nunca estava bem humorada a uma segunda-feira, mas também nunca esteve assim…

E eu conhecia demasiado bem…


– Não te quero contar, estou envergonhada de mim mesma…

– Agora quero saber. – E ri-me. Tinha a certeza que a Cat não consegiria guardar isto por muito mais tempo.
– Promete que não me julgas?

– Estou a ficar preocupada… O que é que fizeste?
– Fui ver o Kyle a jogar futebol.

– Ele joga futebol? – Ergui as sobrancelhas em sinal de admiração.


– Sim, a Miriam disse-me que ele já joga á algum tempo…

Achei estranho uma das amigas mais chegadas dele, não saber das qualidades desportivas dele.



- Não fazia mínima ideia disso… - e olhei-a, e  tentei conter-me do riso. Era a 1º vez em muito tempo que via a Cat realmente apaixonada.


– O que foi? – perguntou enervada pela minha cara…

Sorri e dei de ombros…


– Eu gosto de futebol.


– Tá! E quando é que começas-te a mentir? – E ri novamente. Era um absurdo que minha melhor amiga achasse que eu iria cair nesta.

– Tudo bem, eu admito. Fui ver o Kyle jogar. Sexy, Suado, Sem T-shirt…

– Para já.

– Não querias a verdade?

– Não quero os detalhes!

– Não são detalhes, são os 3 “S” fundamentais. – Ela arregalou os olhos e piscou para mim com muita seriedade.

– Diz-me que pelo menos que prestas-te atenção ao jogo e não aos jogadores.

– Bom, a minha atenção pode ser facilmente dividida. – E sorriu. – O Kyle marcou três golos mesmo no centro da baliza… - e suspirou.

OMG!  A Cat está pior do que eu imaginava…


– Estás mesmo apanhadinha, não estás?

– Não. Só me estou a sentir atraída. A culpa é das hormonas.

– A culpa é do Homens .- disse desiludida.

Sim, a culpa é dos homens. No meu caso: do Ian.

Que tinha um corpo lindo, uma cara marota e um cabelo sexy. Era querido, paciente e divertido. E isso era o meu inferno.

Eu tinha o Ian. O meu homem perfeito…

 

- Por falar em homem … - continuou a Cat – Tens que ter cuidado com o Ian…

Juntaram-se todos foi? Porque é que toda a gente me diz para ter cuidado com o Ian???

- Porque? – perguntei admirada.

- Agora aserio, tens de ter mesmo cuidado… Nem sabes o que é que eu encontrei na mala dele…

 

- O que é que encontras-te? – agora estava curiosa…

Uma revista de mulheres nuas? Ou umas algemas?  :P

 

- Uma arma.

 

 

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publicado por RiiBaptista às 12:32 | link do post | comentar | ver comentários (13)

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